sábado, 14 de abril de 2018

Somos rasos


Nosso amor é raso
Nosso interesse é raso
Assim como nosso estudo e compreensão o são
Rasos
Insuficientes
Impotentes.

Rasa é nossa dedicação ao outro
Bem como nossa maneira de nos preocupar
Em ajudar, em colaborar.
Rasos somos em nossas relações
Em nosso amor, que é condicional
À resposta alheia, ao que desejamos ganhar com isso.

Somos rasos, rasos demais,
Em nosso julgamento das situações
Em nossas opiniões.
Rasos em nossas conversas
Por medo de intimidade
E vulnerabilidade.

Somos rasos nas respostas, nas perguntas
Nos cumprimentos.
Prá que se aprofundar?
Dá muito trabalho
- ai, que preguiça!

Somos extremamente rasos
Em nossas teologia,
Em nossa imitação de Cristo
Rasos naquilo que nos propomos fazer
- fazemos o mínimo, o mediano, o suficiente.
Nada mais, nada menos.
Não fazemos mais do que nossa obrigação.

Por isso somos tão descartáveis,
Irrelevantes,
Nossa mensagem não vale tanto assim,
Porque a vivemos de forma rasa,
Até o limite de nossa segurança,
De nosso conforto e acomodação.

Somos rasos no perdão
E na entrega.
Sem riscos vivemos na superficialidade das relações,
Dos comentários
Apenas nos defendendo
E defendendo o que moralmente nos acalenta.

Mas no que consideramos provocação
Levamos de forma rasa
Rotulando e determinando limites
Para nosso amor, nossa mão estendida.

Apesar de tudo isso,
Deus nunca foi raso,
Entregou-se por inteiro,
Encarnou, sofreu, sangrou e morreu.
Foi ao fundo do abismo,
E hoje perscruta as profundezas de nosso ser raso.

Não há nada que possamos esconder de Deus
E, por debaixo das máscaras de nossa hipocrisia rasa
Ele vê e revela a podridão que há lá no fundo.

Somos rasos
Porque somos podres por dentro.
É dessa podridão de incertezas, desinteresse pelo outro,
Um desamor fedido que brota de nosso interior,
A raiva contida, o ódio descabido,
Essa revolta e o desejo por estarmos sempre certos
Acima dos outros, acima de suas necessidades,
Agarrados ao osso do poder e do controle
De nossas vidas e organizações
E de todo esse lixo que se esconde em nós
Que precisamos nos desfazer.

Para sairmos, de vez, dessa superficialidade crônica da vida
É preciso morrer, abrir mão de nós mesmos,
renunciar o direito de estarmos sempre certos
nos vulnerabilizar diante do outro
a fim de amá-lo profundamente,
sem condições, sem restrições,
sem exigir reparação,
nem direitos,
sem nos assegurar com testemunhas a nosso favor.

É preciso olhar quem nos provoca tanto ódio
Por sua conduta, palavras, opiniões
E servir, entregando-nos até a morte.

Para sermos libertos de tão maldita superficialidade
É preciso calar em vez de sermos rasos.
É preciso buscar a profundidade da compreensão,
Do amor, nas relações, nas organizações.
É preciso sairmos um pouco dos esquemas,
Das facilidades, dos horários marcados e do mecanicismo.
É preciso sorrir e chorar com o outro
Em nossas debilidades.

Porque ser raso é fácil nesse mundo,
Generalizar, rotular, esquematizar
Faz parte do abismo imundo no qual nos tornamos.

Por isso não busquemos soluções rasas
para problemas de quem não desejamos nos aproximar muito,
nos envolver demais.
Nossas soluções rasas dificilmente são resultado de nosso interesse em ouvir
E compreender a situação calçando os sapatos de quem a está vivendo.

Sejamos profundos,
Amemos profundamente,
Incondicionalmente,
Com dedicação,
Sem medo de exagero,
Nos entreguemos
Como nosso Senhor se entregou.

Angela Natel – 14/04/2018

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Somos rasos


Nosso amor é raso
Nosso interesse é raso
Assim como nosso estudo e compreensão o são
Rasos
Insuficientes
Impotentes.

Rasa é nossa dedicação ao outro
Bem como nossa maneira de nos preocupar
Em ajudar, em colaborar.
Rasos somos em nossas relações
Em nosso amor, que é condicional
À resposta alheia, ao que desejamos ganhar com isso.

Somos rasos, rasos demais,
Em nosso julgamento das situações
Em nossas opiniões.
Rasos em nossas conversas
Por medo de intimidade
E vulnerabilidade.

Somos rasos nas respostas, nas perguntas
Nos cumprimentos.
Prá que se aprofundar?
Dá muito trabalho
- ai, que preguiça!

Somos extremamente rasos
Em nossas teologia,
Em nossa imitação de Cristo
Rasos naquilo que nos propomos fazer
- fazemos o mínimo, o mediano, o suficiente.
Nada mais, nada menos.
Não fazemos mais do que nossa obrigação.

Por isso somos tão descartáveis,
Irrelevantes,
Nossa mensagem não vale tanto assim,
Porque a vivemos de forma rasa,
Até o limite de nossa segurança,
De nosso conforto e acomodação.

Somos rasos no perdão
E na entrega.
Sem riscos vivemos na superficialidade das relações,
Dos comentários
Apenas nos defendendo
E defendendo o que moralmente nos acalenta.

Mas no que consideramos provocação
Levamos de forma rasa
Rotulando e determinando limites
Para nosso amor, nossa mão estendida.

Apesar de tudo isso,
Deus nunca foi raso,
Entregou-se por inteiro,
Encarnou, sofreu, sangrou e morreu.
Foi ao fundo do abismo,
E hoje perscruta as profundezas de nosso ser raso.

Não há nada que possamos esconder de Deus
E, por debaixo das máscaras de nossa hipocrisia rasa
Ele vê e revela a podridão que há lá no fundo.

Somos rasos
Porque somos podres por dentro.
É dessa podridão de incertezas, desinteresse pelo outro,
Um desamor fedido que brota de nosso interior,
A raiva contida, o ódio descabido,
Essa revolta e o desejo por estarmos sempre certos
Acima dos outros, acima de suas necessidades,
Agarrados ao osso do poder e do controle
De nossas vidas e organizações
E de todo esse lixo que se esconde em nós
Que precisamos nos desfazer.

Para sairmos, de vez, dessa superficialidade crônica da vida
É preciso morrer, abrir mão de nós mesmos,
renunciar o direito de estarmos sempre certos
nos vulnerabilizar diante do outro
a fim de amá-lo profundamente,
sem condições, sem restrições,
sem exigir reparação,
nem direitos,
sem nos assegurar com testemunhas a nosso favor.

É preciso olhar quem nos provoca tanto ódio
Por sua conduta, palavras, opiniões
E servir, entregando-nos até a morte.

Para sermos libertos de tão maldita superficialidade
É preciso calar em vez de sermos rasos.
É preciso buscar a profundidade da compreensão,
Do amor, nas relações, nas organizações.
É preciso sairmos um pouco dos esquemas,
Das facilidades, dos horários marcados e do mecanicismo.
É preciso sorrir e chorar com o outro
Em nossas debilidades.

Porque ser raso é fácil nesse mundo,
Generalizar, rotular, esquematizar
Faz parte do abismo imundo no qual nos tornamos.

Por isso não busquemos soluções rasas
para problemas de quem não desejamos nos aproximar muito,
nos envolver demais.
Nossas soluções rasas dificilmente são resultado de nosso interesse em ouvir
E compreender a situação calçando os sapatos de quem a está vivendo.

Sejamos profundos,
Amemos profundamente,
Incondicionalmente,
Com dedicação,
Sem medo de exagero,
Nos entreguemos
Como nosso Senhor se entregou.

Angela Natel – 14/04/2018