quarta-feira, 29 de junho de 2011

Aqui na Toca...

Aqui na Toca
a leoa rebola
ela dança, ela chora,
cheia de humor.

Aqui na Toca
tem verso e tem prosa
tempestade que assola
a mente do sonhador.

Aqui na Toca
eu mostro o sentido
do que tenho vivido
em minha história de amor.

Aqui na Toca
você é bem vindo
aperte o cinto
e sinta o calor.

Aqui na Toca
é fácil de ver
espelhado o meu ser
rasgado de dor.

Aqui na Toca
não importa o assunto
esse é o meu mundo
viciado em ardor.

28/06/2011 - A.N.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Mesopotâmia: O Amor de Gilgamesh



Começar pela Mesopotâmia faz um certo sentido. Pelo menos para mim. É no vale dos rios Tigre e Eufrates, acreditam os historiadores, que o homem abandonou as suas migrações constantes e se fixou, finalmente, para formar aquilo que chamamos de cidade hoje. Todavia não estamos com isso afirmando que as relações homoeróticas não existiam antes da invenção da cidade, contudo, infelizmente não existem registros históricos que nos permitam localiza-los e reconhece-los. É exatamente a invenção mesopotâmica da escrita, fruto de uma necessidade da própria cidade, que permite que encontremos registros históricos de relações homoeróticas. Podemos inclusive mencionar o poema épico, a Epooeia de Gilgamesh.
A Epopeia de Gilgamesh é um poema sumério, para ser mais preciso. Um dos grupos étnicos que habitavam a Mesopotâmia, sobretudo no sul da região, a Suméria. A atual forma do poema é oriunda de uma copilação de poemas em torno do rei-herói Gilgamesh reunidas pelo rei Assurbanipal, entre os séculos VIII e VII a.C. As narrativas contidas na epopeia deviam ser muito populares, sendo que as primeiras versões datam ainda do Período Babilônico Antigo (2000-1600 a.C). E giram em torno da relação entre Gilgamesh (um rei lendário, o quinto rei de Uruk, da primeira dinastia após o Dilúvio, e teria vivido entre 2750 e 2600 a.C.) e Enkidu, um homem criado pelos deuses como um equivalente ao rei-herói, para distraí-lo e evitar que o herói oprimisse os moradores da cidade, que estavam descontentes com a arrogância e a luxúria do rei. O amor, então, entre o herói e o homem é a matéria do livro mais antigo da literatura mundial.
Enkidu é então criado pela deusa Aruru do barro e feito a imagem e semelhança de Anu, o grande deus sumério. Ele é criado inocente, vivendo nu, entre os animais, longe da malícia da civilização. Ao saber da existência de tal homem, o rei incubiu uma das prostitutas sagradas do templo de Ishtar, a deusa do amor, a seduzir Enkidu e trazê-lo para a cidade. Seduzido, o inocente Enkidu tornou-se conhecedor da malícia do ser humano e "perdera sua força pois agora tinha o conhecimento dentro de si, e os pensamentos do homem ocupavam o seu coração".
O livro começa com o clamor do povo de Uruk no qual se conta que a luxúria de Gilgamesh não poupa uma só virgem, nem a filha do guerreiro, nem a esposa do nobre, para evitar então isso que Enkidu é criado, e ao sonhar com ele, é assim que o rei-herói toma consciência da existência de Enkidu, o rei diz que este exercia sobre ele uma atração semelhante ao que exerce o amor de uma mulher. No capítulo I, fala a mãe de Gilgamesh, a deusa Aruru, decifrando-lhe o sonho: "Esta estrela do céu que caiu como um meteoro (...); eu a criei para ti, para estimular-te como um aguilhão e te sentiste atraído como que por uma mulher. Ele é um forte companheiro, alguém que ajuda o amigo nas horas de necessidade (...). Ficarás feliz em encontrá-lo; vais ama-lo como uma mulher e ele jamais te abandonará".
Após o encontro e a imediata paixão que ambos sentem, Gilgamesh e Enkidu vivem uma série de aventuras que passam a desagradar os deuses, e como castigo a vida dada a Enkidu é retirada. O lamento deste é comovente no capítulo III: "Enkidu jazia estendido diante do amante. Suas lágrimas vertiam copiosamente e ele disse a Gilgamesh: Oh, meu amado, és tão querido por mim e eles no entanto vão tirar-me de ti. Ele tornou a falar: Devo sentar-me a entrada da casa dos mortos e jamais tornar a ver com meus olhos meu querido irmão". Com a morte, momento decisivo na epopeia, após uma canção (que deveria ser repetida por poetas em todas as cidades sumérias) em que o rei lamenta a morte do amado nas seguintes palavras: "ouvi-me homens ilustres de Uruk, choro por Enkidu, meu amado, com lágrimas pungentes de mulher aflita, choro por meu irmão, Enkidu, meu companheiro (...)", sai Gilgamesh em busca da imortalidade, isto é, o rei busca tornar-se um deus, procurando a ajuda de Utnapishtim, o único homem a sobreviver ao dilúvio graças a intervenção do deus Ea, que ordenou-lhe que construísse um barco onde ele deveria salvar os seres viventes.
É, definitivamente após a morte de Enkidu, que as demonstrações do afeto de Gilgamesh por ele aumentam. No capítulo III ainda, temos a seguinte narração: "Gilgamesh tocou o coração de Enkidu, mas ele já não batia, seus olhos também não tornaram a abrir. Gilgamesh então cobriu o corpo do amigo com um véu, como o noivo cobre a noiva. E pôs-se a urrar, a desabar sua fúria como um leão, como uma leoa cujos filhotes foram roubados. Vagueou em torno da cama, arrancou seus cabelos e os espalhou por toda parte. Arrancou os magníficos mantos e atirou ao chão como se fossem abominações". No capítulo 4, o rei-herói diz: "Chorei por ele dia e noite e me recusava a entregar seu corpo ao funeral. Pensei que meu pranto fosse trazê-lo de volta. Desde sua partida minha vida deixou de ter sentido".
É o amor do rei sumério pelo seu companheiro, amor este forte o bastante para fazê-lo desafiar os deuses, a matéria do primeiro livro já escrito, contudo, não podemos considerar que em toda Mesopotâmia os relacionamentos homoeróticos tivessem o mesmo valor que a capital cosmopolita suméria.


segunda-feira, 27 de junho de 2011

Como se Fabricar Anjos

[Nota do Editor: a Kallyandra (pseudônimo) é minha amiga, ajudante acadêmica e está em processo de conclusão da pós-graduação dela, que trata justamente sobre a Indústria Cultural. Ela me pediu esse espaço por saber que na Academia não existe liberdade total para expressar todas as suas idéias. Os artigos dela terão formato acadêmico e serão semanais, mas sem qualquer obrigação de prazo. Só entendam que esse é só o primeiro]

Por Kallyandra

image

A evolução da tecnologia e do mercado consumidor começou-se a transformar a cultura em mercadoria, aos poucos deixa de ser construída pelas pessoas e passa a ser fabricada para ser consumível. “Esse é o quadro caracterizador da Indústria Cultural: revolução industrial, capitalismo liberal, economia de mercado, sociedade de consumo.” (Coelho, 1993, p.07)

O que está acontecendo é que a Indústria Cultural está transformando tudo em comércio, inclusive nossa vontade, estamos em um Admirável Mundo Novo, estão substituindo leitura por pequenas frases de 140 caracteres, estamos acomodados, sentados na frente do computador esperando por diversão, pela satisfação de nossos sentidos, não pensamos mais porque esperamos que outros o façam por nós.

Não quero um mundo de fantasia, onde não posso questionar a realidade que vivemos em que os mecanismos de dominação estão presentes até no ato de respirar, não vou aceitar vivermos em um mundo temos que seguir padrões impostos por uma elite para saciar as corporações e sistemas políticos para poucos lucrarem e muitos obedecerem.

A Indústria Cultural tem ares de grandes revelações e de agradável peça de arte. Atrai, conquista, adultera, emburrece, anestesia, destrói — mas, numa atmosfera psicológica de algo que faz bem, eleva. Como dizia Adolf Hitler; “nunca fomos tão bem informados!”; hoje ouvimos dizer “nunca fomos tão autônomos!”. A informação vazia e a arte vulgarizada são instrumentos da seminformação vencedora. Lá, era deixar de sentir; agora, é ter a ilusão de sentir. (Ramos, 2008, p.133)

Estamos sendo arrebanhados por uma mídia que dizem como devemos pensar, que filmes assistir e de preferência não ler, desde nos primeiro anos de vida somos arrebanhados em escolas que são responsáveis em adestrar-nos com o conteúdo inútil, matérias sistematizadas, não há espaço para o questionamento.

Os meios de comunicações celebram a mediocridade, a aparência é celebrada e a burrice comemorada, se cultua pessoas vazias que são apenas pedaços de carne, fruta ou outro coisa que pode comida e não serve para mais nada, homens estão deixando de serem homens e mulheres de serem mulheres e estão virando Anjos.

Sua violação do tabu representou, antes de tudo, uma rigorosa obediência às leis do mercado [...] quando aquilo que impressiona é considerado bom, porque se torna necessário para a sobrevivência, então o que é impressionável não pode ser ruim. Dessa forma, o bem e o mal se transformam em categorias estéticas; e o estético, se transforma no ontológico, na possibilidade de ser ou não ser. (Türke apud Zuin, 2008, p.60)

Os anjos são criaturas cuja a única função é servir a deus, não têm livre arbítrio, não têm liberdade, é uma raça de escravos felizes por serem assim. O mundo atual está fazendo isso conosco, estamos virando escravos e gostamos disso, pois vamos apenas aparentar ser algo e não ser de verdade, estamos vivendo na felicidade da ignorância.

As agressões são constantemente apresentadas e são consideradas boas, afinal tenho que vestir 38 de qualquer maneira, aparecer em BBB, ouvir a música que dizem que temos que ouvir, não podemos fugir do padrão. As imposições sociais nos agridem no âmbito pessoal e moral. Na permissividade da violência, na quebra do material e imaterial causado por terceiros.

Por causa disso reagimos tão agressivamente quanto à agressão que estamos sofrendo, a sociedade impulsiona o consumo de bens materiais e imateriais em exagero, justamente por não saber revidar é que esta reação torna-se agressiva com atos caóticos que atingem a sociedade como um todo.

Milhões e milhões de pessoas, aterrorizadas de tédio e apreciando um ócio que elas não podem preencher por si mesmas, estão suplicando por distração, implorando para ser livradas de sua própria e intolerável companhia, ansiando para que lhes sejam dados substitutos para o pensamento. (Huxley apud Almeida, 2008, p.142)

É neste instante em que as pessoas necessitam preencher o vazio que é ditado pela Indústria Cultural que trabalha com todas as suas armas para conquistar os consumidores e a mercadoria é o modo de vida, a felicidade e de ter todos os desejos realizados, mas não avisam “que conseguir o que se deseja e ser feliz são coisas totalmente diferentes” (Gaiman, 2006, p.44).

O mecanismo de reprodução da vida, de sua dominação e aniquilação, é imediatamente o mesmo, e em conformidade com ele a indústria, o estado e a propaganda se amalgamam. Aquele antigo exagero dos liberais cépticos, de que a guerra é um negócio, tornou-se realidade: o poder estatal renunciou a própria aparência de independência em relação aos interesses particulares do lucro, pondo-se agora não só de fato a serviço destes, o que sempre fez – mas também ideologicamente. (Adorno, 1993, p.45)

É o que é repassado pelos meios de comunicação em massa são “mulheres perfeitas” sem celulite, estrias, muitas vezes utilizam o corpo para aparecer, rebolam nas frentes das câmeras, os homens são jogadores de futebol, altos, bonitos, mas pela fala percebemos que apenas aparentam ser e nada mais do que isso, não falam sobre estudar ou sobre terem outras possibilidades de viver, vendem a aparência e nada mais do que isso.

A educação é jogada no lixo, ensinam que devemos trabalhar para trocar minha TV nova de 42 polegadas por outra de 50 polegadas, tudo parcelado no cartão de crédito, comprar um carro novo, achar o parceiro ideal, em uma “balada” de preferência e sempre vai ser a primeira vista, casar, ter minha casa parcelada em 30 anos pela caixa econômica, ter filhos, reclamar da falta de perspectiva e futilidade dos filhos, trair e ser traído pelo parceiro, se divorciar, casar de novo, afinal achar a alma gêmea é o objetivo final e morrer infeliz pela vida de aparência que teve.

Não somos educados a questionar e muito menos a sermos felizes, esquecem que nossa felicidade depende das decisões que tomamos, felicidade é diferente de satisfação, satisfação e temporária o que sentimos após comermos e nossa sociedade quer nos dar apenas issosatisfação.

Como já dissemos a satisfação desencantada não pode ultrapassar o plano da aparência e da forma e, assim imediata, só pode dar-se no âmbito reduzido dos órgãos dos sentidos. [...] anestesiados pela imagem e pelo som, somos capazes de comer pacotes inteiros de porcarias sem perceber. São estímulos e gestos ritualizados e fragmentados de satisfação instantânea. (Ramos, 2003, p.92).

As sociedades, sendo administradas pela Indústria Cultural, fabricam as comunidades, por isso as sociedades parecem semelhantes, não importa o lugar, todos os lugares parecem os mesmos; o comportamento perante a sociedade, as calças jeans, os paletós, as leis, e várias outras características que em vez de individualizar o homem acaba por torná-lo igual, obediente, calado e feliz por sua posição, assim como os anjos, sendo que quando nos revoltamos somos mandados ao inferno.

O que esse discurso enfadonho tem haver com o discurso do Anonymous?

Absolutamente tudo.

Porém minha função não é dá respostas, mas levantar questionamentos.

E a minha grande pergunta é:

“Você é um Anjo Fabricado?”

Referências

Adorno, Theodor W.; Minimas Moralis: Reflexões a Partir da Vida Danificada, Tradução: Luiz Eduardo Bicca, Editora Ática, São Paulo-SP, 1993. Série: Temas Volume 30; Estudos Filosóficos.

Almeida, Jorge;. Theodor Adorno Leitor Aldous Huxley: Tempo Livre in Durão, Fábio Akcelrud; Zuin, Antônio; Vaz, Alexandre Fernandez (org.); A Indústria Cultural Hoje,Editora Boitempo, 2008.

Coelho, Teixera; O que é Indústria Cultural, 35ª Edição, Editora Brasiliense, 1993 (Coleção Primeiros Passos Volume 08)

Gaiman, Neil; SANDMAN: Noites sem Fim; Traduzido por: Daniel Pellizzari, São Paulo-SP, Editora CONRAD do Brasil 2006

Ramos, Conrado; Indústria Cultural, Consumismo e a Dinâmica das Satisfações no Mundo Administrado in Durão, Fábio Akcelrud; Zuin, Antônio; Vaz, Alexandre Fernandez (org.); A Indústria Cultural Hoje, Editora Boitempo, 2008.

Zuin, Antônio; Morte em Vídeo: Necrocam e a Indústria Cultural Hoje in Durão, Fábio Akcelrud; Zuin, Antônio; Vaz, Alexandre Fernandez (org.); A Indústria Cultural Hoje,Editora Boitempo, 2008.


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sexta-feira, 24 de junho de 2011

O amor

Então, Almitra disse:'Fala-nos do amor'
E ele ergueu a fronte e olhou para multidão, e um silêncio caiu sobre todos,
e com uma voz forte, disse:

'Quando o amor vos chamar, segui-o,
Embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados;
E quando ele vos envolver com suas asas, cedei-lhe,
Embora a espada oculta na sua plumagem possa ferir-vos;
E quando ele vos falar, acreditai nele,
Embora sua voz possa despedaçar vossos sonhos como
o vento devasta o jardim.

Pois, da mesma forma que o amor vos coroa, assim
ele vos crucifica. E da mesma forma que contribui para
vosso crescimento, trabalha para vossa poda.
E da mesma forma que alcança vossa altura e acaricia
vossos ramos mais tenros que se embalam ao sol,
Assim também desce até vossas raízes e as sacode no
seu apego à terra.
Como feixes de trigo, ele vos aperta junto ao seu coração.
Ele vos debulha para expor vossa nudez.
Ele vos peneira para libertar-vos das palhas.
Ele vos mói até a extrema brancura.
Ele vos amassa até que vos torneis maleáveis.
Então, ele vos leva ao fogo sagrado e vos transforma
no pão místico do banquete divino.
Todas essas coisas, o amor operará em vós para que
conheçais os segredos de vossos corações e, com esse
conhecimento, vos convertais no pão místico do banquete divino.

Todavia, se no vosso temor, procurardes somente a
paz do amor e o gozo do amor,
Então seria melhor para vós que cobrísseis vossa nudez
e abandonásseis a eira do amor,
Para entrar num mundo sem estações, onde rireis, mas
não todos os vossos risos, e chorareis, mas não todas as
vossas lágrimas.
O amor nada dá senão de si próprio e nada recebe
senão de si próprio.
O amor não possui, nem se deixa possuir.

Pois o amor basta-se a si mesmo.
Quando um de vós ama, que não diga: 'Deus está no
meu coração', mas que diga antes: 'Eu estou no coração de Deus.'
E não imagineis que possais dirigir o curso do amor
pois o amor, se vos achar dignos, determinará ele próprio
o vosso curso.
O amor não tem outro desejo senão o de atingir
a sua plenitude.
Se, contudo, amardes e precisardes ter desejos, sejam
estes os vossos desejos:
De vos diluirdes no amor e serdes como um riacho
que canta sua melodia para a noite;
De conhecerdes a dor de sentir ternura demasiada;
De ficardes feridos por vossa própria compreensão do amor
E de sangrardes de boa vontade e com alegria;
De acordardes na aurora com o coração alado e agradecerdes por um novo dia de amor;
De descansardes ao meio-dia e meditardes sobre o
êxtase do amor;
De voltardes para casa à noite com gratidão;
E de adormecerdes com uma prece no coração para o
bem-amado, e nos lábios uma canção de bem-aventurança.


Gibran Khalil

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Sou mulher...

Sou mulher
tirada do homem
sua carne e seu sangue
no mesmo viver.

Sou mulher
enganada e marcada
amaldiçoada
condenada a sofrer.

Sou mulher
vivendo injustiças
juntando minhas lágrimas
sob o sol de uma dor.

Sou mulher
profetisa e juíza
liderando a batalha
ao matar sem temor.

Sou mulher
vendida e usada
como carta marcada
em um jogo de reis.

Sou mulher
rejeitada, intocada
ao expôr minha ira
a quem mal me fez.

Sou mulher
sem motivo amada
ao trair o profeta
e gerar sem amor.

Sou mulher
saída de um povo
escondida de novo
rainha que salvou.

sou mulher
parte da história
cultivando a memória
do Deus Salvador.

(Angela Natel - baseado na história das mulheres do Antigo Testamento, na Bíblia - 22/06/2011)

domingo, 19 de junho de 2011

The sound

THE LIVING BLUES: JOHN M. PERKINS

by Jon Foreman

Last week we arrived in Trnava, Slovakia, and played rock and roll in the town square; it's the easternmost point in Europe that we've ever played. There's a watchtower in the square that overlooks the stage. It's been there for generations, watching armies come and go -- the Mongols, the Turks, the Nazis. The Velvet Revolution gave Slovakia an independence that generations had hoped for. And yet, the memory of communist oppression is still fresh in the minds of the folks I talked to. To be able to play songs of hope here was a remarkable privilege.

As we all know, freedom is more than capitalism, liberty more than self-governing politics. We like to play a song about a hope that I have for my own country. A hope that our country would rise to a freedom from racism and intolerance. A hope that the United States would rise above its past, embracing a future of true freedom. That we might rise above the disgrace of inequality and learn to love the ones we share our breath with on this planet -- that the "land of the free" might find freedom from hatred, freedom from the shackles of self tyranny. We play a song for a hero of mine who spent his life living out these dreams: the Reverend Dr. John M. Perkins.

Dr. Perkins is an American civil rights leader. Born a Mississippi sharecropper's son, he grew up in the dire poverty and bitter racism of the time. At the age of 17 his older brother was murdered at the hands of a town marshal, so he fled the state vowing never to return. Yet in 1960 Dr. Perkins and his wife Vera Mae Perkins felt compelled to go back to help the poor in rural Mississippi meet their own needs. So they left the relative comfort of California and moved back to Mississippi hoping to show God's love in action.

Over the next few decades Dr. Perkins' outspoken nature and leadership in civil rights demonstrations resulted in repeated harassment, brutal beatings and imprisonment. Yet even in the hands of his oppressors he chose the path of love over violence, of compassion over hatred. His story is the story of the struggle for true freedom, freedom from even the knee-jerk reaction of retaliatory violence. His song is the song of the blessed community. His dream is the dream which Dr. Rev. Martin Luther King and so many others died for. His story is living proof that love is louder than violence, louder than hatred, and louder than racism.

In the face of dire poverty, racial prejudice, and violent, brutal injustice Dr. Perkins chose to break the cycle of hate and respond with love. He has since become a well known author and leader in community development and racial reconciliation throughout the world. John Perkins' life is one of consistent, reliable, steady compassion. He downplays his moments of heroism, saying anyone in his shoes would have done the same thing. Never ostentatious, never seeking the spotlight- Dr. Perkins was a man who did what specifically needed to be done. The past and present of his story point in the same direction. The means and the ends are exact. Love for all: including those who hated him.

King and Perkins both came to the conclusion that to return "hate for hate, anger for anger, violence for violence" would be a loss of character. Violence cannot accomplish love's work. The means and the ends must be consistent. When the black community was rightly angry about the wrongs that the white community had committed against them, Perkins warned them, "If we give in now to anger and violence we would be just like the whites. We would lose what little we have already gained."

Dr. Perkins had compassion on even the people who violently beat him -- almost to his death. He saw beyond the exterior of hate and chose to forgive. He refused to believe that his racist oppressors were his enemies. Which is to say, that John M. Perkins chose to see the best in them, as they could be rather than as they are. He saw past the present circumstance towards a vision for a world that did not exist yet, for a version of his oppressors that was no longer filled with hatred.

Love looks into the future and sees possibilities that do not currently exist. Love is larger than the moment; love is larger than the present tense. Maybe it has to start with a dream, a dream of a better world. Dr. Perkins' contemporary Dr. Rev. Martin Luther King Jr. had a dream. A dream so large that it couldn't fit within his lifetime. His dream was a beloved community that was larger than his contemporary reality. Larger than life. Larger than even the violent hatred, fear, and racism that led to his assassination.

These audacious dreams of equality and liberty pull us forward. These hopes drive our lives with purpose and vision; our actions become us, and we become our actions. The only way to become a runner is by running. A disciple of love must begin by loving those around her. Every dream has to start somewhere. Soren Kierkegaard said, "Life can only be understood backwards; but it must be lived forwards." And so it is with every one of our stories. You have to see the whole picture to tell the difference between a fake Monet and the real thing. Time alone can tell the difference. The final pages must be written to make sense of the past. The narrative we live today puts the past in context.

It's incredibly rare to find someone who remains true -- who has found a way to "be the self that truly is." (to quote Kierkegaard again.) Dr. Perkins' life is a song that is consistent. The tale of John M. Perkins will outlast even John M. Perkins himself. Yes, our story is being written today. Our present actions determine the context for the rest of your story. The pure acts will remain. All else is illusion. Your true soul is not a means to an end. The legacy of love will remain; these are the stories that stand the test of time

Love lays herself down for others. Love is willing to trade kindness for hate, acceptance for fear, and compassion for rage. Love refuses to recognize the walls between us, and chooses instead to find the commonalities. Love permits damage rather than damaging the other. When the highest price was asked of Dr. Perkins he rose to the occasion. "I told them -- and I meant it -- if somebody still had to suffer, I was willing. And if somebody had to die, I was ready."

A few weeks back I got a chance to meet Perkins himself. It was a day I will never forget. He talked about what it was like to grow up in Mississippi in the 1940s as a black man. He talked about his dreams, his passions, his regrets, his family. He talked about his victories and his defeats, the highs and lows. Dr. Perkins is 80 years old. His life spans across an incredible time of transition for our nation. The wisdom that comes with those years pours out of his mouth like poetry.

During our time together, Dr. Perkins treated me like a long lost grandchild. He told me that our generation was quite possibly the generation that could make our national creed a reality: "All men are created equal." Yes, for the first time in our nation's troubled history true equality might be reflected by our actions not just our words. He told me to write him a song. A song about the justice of love and the love of justice. A song about how compassion breaks the cycle of violence and creates new life.

There were several moments during our conversation where I didn't know what to say. This was one of those moments. There were no words within my reach that could adequately communicate what I felt. I was speechless.

I know what I would say now if had that moment back. In fact I left it on his voice mail the next morning. "Dr. Perkins, your life is louder than any song I could write. Your commitment to justice and compassion is more beautiful than any refrain that I could dream up." A friend of mine has a Nietzsche quote on his wall: "They must sing better songs before I shall believe in their redeemer." Reverend Perkins, your song could make a believer out of even a sceptic like myself. Yes, I will try to write a song about it- but your life will always be a better song than anything I could sing.

I heard a story that sums up my feelings perfectly. When a man naively asked Dr. Perkins if he played the blues, Dr. Perkins grabbed his hand and smiled, "Brother, no. I LIVE the blues." Yes, you do Dr. Perkins. You live them beautifully. And tonight in Trnava, Slovakia I'll dedicate our song to your living, breathing melody. Truly, love is the final fight.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Madre Tereza de Calcutá


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Nestes tempos de facilidades universais, de materialismo, consumismo desenfreado, da ideologia dominante do “O mundo é meu negócio”, exemplos de vida de pessoas como Madre Tereza mostra que a sociedade precisa de mais do que o pão.

Doar coisas torna-se até sintomático, um ato gerado de uma moda, ou de uma dica da auto-ajuda, um ato gerado sem a motivação do amor, apenas uma automedicação espiritual.

No entanto, amar é para quem insiste em aprender este sentimento porque quer vivê-lo. Depois de educado no amor a nossa perspectiva de mundo muda, e mudando a visão, muda tudo.

Madre Tereza gostava de dizer: “Em cada pessoa eu vejo Cristo. E porque Cristo é sempre o único para mim a qualquer momento – Cristo é aquele que fica em frente a mim, precisando da minha ajuda”. E Cristo afirmava “Na medida em que você faz isso a um destes meus pequeninos, a mim o fizestes.”

Madre Teresa – no mundo Agnes Gonzha Boyakshu – nasceu em 1910 na Albânia, numa família bastante rica. A Família Boyakshu era católica – estava em minoria entre os muçulmanos albaneses e sérvios ortodoxos.

O grande momento para uma vida que se entregaria aos pobres foi um episódio dramático. Madre Teresa, num determinado encontro, viu coberta de chagas, apodrecendo viva e incapaz de se mexer, uma mulher que estava em um carrinho de mão num hospital ao lado do seu filho… e ela ficou lá na entrada. Madre Teresa teve vontade de intervir, mas não podia: “Eu não poderia estar junto dela, tocá-la. Eu fugi. E nessa fuga comecei a pedir: ” Quero um coração cheio de amor, pureza e humildade que eu possa aceitar a Cristo, tocá-lo, o amor de Cristo, nas ruínas do corpo. Depois que eu voltei com ela, lavei-a e ajudei-a a morrer com um sorriso. Esse foi o meu sinal. “

Depois desse evento, sentindo-se presa, Madre Teresa escreveu uma carta pessoalmente ao papa pedindo para deixar o mosteiro. Em 1948, aos 38 anos de idade, com um vestido comprado no mercado barato, deixou seu curso, o mosteiro, sua família e desapareceu em uma das piores favelas de Calcutá. Nunca mais voltou.

O alcance da misericórdia dessa mulher neste dia gerou uma corrente de Caridade com cerca de 300.000 membros em 80 países – uma rede global de orfanatos, abrigos, hospitais colônia de leprosos, e em Calcutá, em um centro de reabilitação para hanseníase, e uma infinidade de seguidoras que abraçaram sua causa.

Madre Teresa morreu em 1997. Escreveu: “Eu senti que o Senhor estava esperando para que eu voluntariamente desistisse de uma vida tranqüila na minha ordem e saísse às ruas para servir aos pobres. Foram instruções simples e claras: eu tive que deixar as paredes do mosteiro para viver entre os pobres. E não apenas os pobres. Ele me chamou para servir os desesperados, os mais pobres em Calcutá – aqueles que não têm nada nem ninguém, e perto dos quais ninguém quer chegar, porque eles são contagiosos, sujos, eles estão cheios de parasitas, de modo que não pode nem mesmo ir mendigar, porque eles estão nus, não têm mesmo panos para cobrir o corpo, não podem comer por causa do cansaço. Eles não choram mais, porque não têm lágrimas. Jesus me mostrou essas pessoas durante minha vida, e ele queria que eu as amasse. Deus precisava de minha pobreza, da minha fraqueza, da minha vida, a fim de demonstrar seu amor aos pobres…“.

Nas pessoas mais carentes de Calcutá, eu amava Jesus. Aqui não há tempo para ficar entediada, para reclamar da vida. Eu tenho vivido e confiando totalmente na vontade de Deus. Eu senti cada minuto da sua presença, ele se envolveu direto na minha vida.

Pouco antes de sua morte, um repórter perguntou-lhe: “Você tem medo da morte?”. Madre Teresa respondeu:

Não, absolutamente não tenho medo. Eu vou voltar para casa. Você tem medo de voltar para casa com seus entes queridos? Estou ansiosa pela morte, porque depois que eu conheci Jesus e todo aquele povo durante minha vida terrena… Vai ser um encontro maravilhoso, não é?”.

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Imagens Aqui
(34 Imagens)

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Referências de pesquisa: motherteresacause . Entrevista de Kolodiejchuk ao La Stampa. Perfil no sítio oficial do Nobel da Paz 1979.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Fato:

Toda pessoa quer ser rei
todo rei quer ser Deus
e Deus quis ser homem...

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Cleopatra

Egypt’s ruler was more than the sum of the seductions that loom so large in history—and in Hollywood. By Stacy Schiff

Cleopatra VII ruled Egypt for 21 years a generation before the birth of Christ. She lost her kingdom once; regained it; nearly lost it again; amassed an empire; lost it all. A goddess as a child, a queen at 18, at the height of her power she controlled virtually the entire eastern Mediterranean coast, the last great kingdom of any Egyptian ruler. For a fleeting moment she held the fate of the Western world in her hands. She had a child with a married man, three more with another. She died at 39. Catastrophe reliably cements a reputation, and Cleopatra’s end was sudden and sensational. In one of the busiest afterlives in history, she has become an asteroid, a video game, a cigarette, a slot machine, a strip club, a synonym for Elizabeth Taylor. Shakespeare attested to Cleopatra’s infinite variety. He had no idea.

If the name is indelible, the image is blurry. She may be one of the most recognizable figures in history, but we have little idea what Cleopatra actually looked like. Only her coin portraits—issued in her lifetime, and which she likely approved—can be accepted as authentic. We remember her, too, for the wrong reasons. A capable, clear-eyed sovereign, she knew how to build a fleet, suppress an insurrection, control a currency. One of Mark Antony’s most trusted generals vouched for her political acumen. Even at a time when female rulers were no rarity, Cleopatra stood out, the sole woman of her world to rule alone.
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sábado, 4 de junho de 2011

Dor

A dor me alerta
de algo quebrado
ou fora do lugar.
É um sistema criado
para minha proteção.

Sem dor não percebo
a falta do membro perdido
ou a invasão de uma agulha
longe do meu campo de visão.

Quando sinto alguma dor
imediatamente reajo
me cubro, viro, me protejo,
sou constantemente alertado.

Por isso preciso da dor
prá do perigo ser avisado,
buscar ajuda a tempo
e receber o devido cuidado.

Dor revela doença,
problema, invasão, falta
ou iminente morte.
Por isso preciso sentir
a dor que me faz mais forte.

Dor no corpo ou na alma
não há muita diferença.
O real propósito da dor
é evitar que a destruição vença.

Mas também preciso saber
que a dor do outro é diferente
nem maior ou menor do que a minha
e assim me compadecer
daquele que é gente como a gente.

A.N. - 03/06/2011.
Mas também preciso saber

Saí na Foto dos leitores | Um Sábado Qualquer

Olha eu lá!!!!!
Foto dos leitores | Um Sábado Qualquer

quarta-feira, 1 de junho de 2011

A língua politicamente correta

REVISORES SÃO seres invisíveis que se valem de jornais e editoras para corrigir os deslizes dos escritores. Porque os escritores, frequentemente, desrespeitam as leis fundamentais da gramática. Eu mesmo, por muito tempo, tive como revisor voluntário dos meus textos um erudito da língua que me enviava periodicamente, por puro amor à língua, relatórios detalhados dos meus erros.

Desse revisor voluntário tenho apenas uma queixa: ele nunca disse uma só palavra sobre a substância mesma dos meus artigos. Não lhe importavam as coisas que eu escrevia. Importava-lhe se eu as escrevia com as palavras certas.

Para me consolar, eu repetia as palavras de Patativa do Assaré: “Mais vale escrever a coisa certa com as palavras erradas que escrever a coisa errada com as palavras certas…” Até lhe dediquei uma pequena parábola. Eu, convidando meus amigos para tomar uma sopa que eu mesmo faço. Eles vêm, tomam a sopa e gostam. Mas um intruso, não convidado, toma a minha sopa, nada diz sobre a sopa, mas reclama que a tigela estava lascada…

Tenho tido experiências com revisores atentos, sensíveis, competentes, que não só corrigem meus erros como também me fazem sugestões de como melhorar o meu estilo. Mas tenho tido também experiências desastrosas. E isso porque os revisores têm um poder terrível. Basta que mudem uma simples palavra…

Saramago escreveu um livro sobre um revisor que, cansado de sua função de apenas revisor, resolveu interferir no texto. No lugar onde o autor havia escrito um “sim”, ele resolveu deletar o “sim” e substitui-lo por um “não”. O resultado foi que a história do cerco de Lisboa teve de ser completamente reescrita.

Houve um livro que escrevi, todo ele baseado na distinção entre “história” e “estória”, distinção que os gramáticos, donos da língua, desconhecem, por saber muito sobre letras e sílabas e pouco sobre sentidos. Resolveram, por conta própria, eliminar do dicionário a grafia “estória”. Tudo agora é “história”. Mas Guimarães Rosa sabe que isso está errado e até escreveu: “A estória não quer se tornar história”.

São duas coisas diferentes. História é o tempo onde as coisas acontecidas não acontecem mais. Estória é o tempo onde coisas não acontecidas acontecem sempre.

Pois o revisor do meu livro, mais atento às ordens do dicionário, livro onde se encontram as palavras e sentidos certos, eliminou as “estórias” que eu havia escrito, substituindo-as por “histórias”. Ficou totalmente sem sentido. O revisor disse que abacaxis e pitangas eram a mesma coisa.

Esse mesmo revisor achou por bem corrigir minha tradução de um verso de Eliot. “The inner freedom from the practical desire…”. Minha tradução: “A liberdade interior do desejo prático…” Coisa de velhice: estamos livres da compulsão de fazer coisas práticas. Podemos nos entregar à vagabundagem.

Pois o dito revisor, certamente movido por sua ideologia de esquerda, não podia imaginar que essa liberdade da compulsão do fazer fosse coisa decente. Alterou, então, a minha tradução para “a liberdade interior para o desejo prático…”

Na versão do revisor, todo mundo ficou condenado à compulsão do fazer. Culpa minha. Acreditei no revisor. Não conferi. Resultado: o livro ficou um “non-sense”. Seu destino, o lixo. Mas as palavras estavam de acordo com o dicionário.

Outro revisor ficou horrorizado com a fala de um ignorante chamado Riobaldo. Era português errado, horrível. Tratou de corrigi-la, e o Riobaldo ficou falando como se fosse uma professora de português. Ainda bem que, nesse caso, não confiei no revisor e não perdi o livro.


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Aqui na Toca...

Aqui na Toca
a leoa rebola
ela dança, ela chora,
cheia de humor.

Aqui na Toca
tem verso e tem prosa
tempestade que assola
a mente do sonhador.

Aqui na Toca
eu mostro o sentido
do que tenho vivido
em minha história de amor.

Aqui na Toca
você é bem vindo
aperte o cinto
e sinta o calor.

Aqui na Toca
é fácil de ver
espelhado o meu ser
rasgado de dor.

Aqui na Toca
não importa o assunto
esse é o meu mundo
viciado em ardor.

28/06/2011 - A.N.

Mesopotâmia: O Amor de Gilgamesh



Começar pela Mesopotâmia faz um certo sentido. Pelo menos para mim. É no vale dos rios Tigre e Eufrates, acreditam os historiadores, que o homem abandonou as suas migrações constantes e se fixou, finalmente, para formar aquilo que chamamos de cidade hoje. Todavia não estamos com isso afirmando que as relações homoeróticas não existiam antes da invenção da cidade, contudo, infelizmente não existem registros históricos que nos permitam localiza-los e reconhece-los. É exatamente a invenção mesopotâmica da escrita, fruto de uma necessidade da própria cidade, que permite que encontremos registros históricos de relações homoeróticas. Podemos inclusive mencionar o poema épico, a Epooeia de Gilgamesh.
A Epopeia de Gilgamesh é um poema sumério, para ser mais preciso. Um dos grupos étnicos que habitavam a Mesopotâmia, sobretudo no sul da região, a Suméria. A atual forma do poema é oriunda de uma copilação de poemas em torno do rei-herói Gilgamesh reunidas pelo rei Assurbanipal, entre os séculos VIII e VII a.C. As narrativas contidas na epopeia deviam ser muito populares, sendo que as primeiras versões datam ainda do Período Babilônico Antigo (2000-1600 a.C). E giram em torno da relação entre Gilgamesh (um rei lendário, o quinto rei de Uruk, da primeira dinastia após o Dilúvio, e teria vivido entre 2750 e 2600 a.C.) e Enkidu, um homem criado pelos deuses como um equivalente ao rei-herói, para distraí-lo e evitar que o herói oprimisse os moradores da cidade, que estavam descontentes com a arrogância e a luxúria do rei. O amor, então, entre o herói e o homem é a matéria do livro mais antigo da literatura mundial.
Enkidu é então criado pela deusa Aruru do barro e feito a imagem e semelhança de Anu, o grande deus sumério. Ele é criado inocente, vivendo nu, entre os animais, longe da malícia da civilização. Ao saber da existência de tal homem, o rei incubiu uma das prostitutas sagradas do templo de Ishtar, a deusa do amor, a seduzir Enkidu e trazê-lo para a cidade. Seduzido, o inocente Enkidu tornou-se conhecedor da malícia do ser humano e "perdera sua força pois agora tinha o conhecimento dentro de si, e os pensamentos do homem ocupavam o seu coração".
O livro começa com o clamor do povo de Uruk no qual se conta que a luxúria de Gilgamesh não poupa uma só virgem, nem a filha do guerreiro, nem a esposa do nobre, para evitar então isso que Enkidu é criado, e ao sonhar com ele, é assim que o rei-herói toma consciência da existência de Enkidu, o rei diz que este exercia sobre ele uma atração semelhante ao que exerce o amor de uma mulher. No capítulo I, fala a mãe de Gilgamesh, a deusa Aruru, decifrando-lhe o sonho: "Esta estrela do céu que caiu como um meteoro (...); eu a criei para ti, para estimular-te como um aguilhão e te sentiste atraído como que por uma mulher. Ele é um forte companheiro, alguém que ajuda o amigo nas horas de necessidade (...). Ficarás feliz em encontrá-lo; vais ama-lo como uma mulher e ele jamais te abandonará".
Após o encontro e a imediata paixão que ambos sentem, Gilgamesh e Enkidu vivem uma série de aventuras que passam a desagradar os deuses, e como castigo a vida dada a Enkidu é retirada. O lamento deste é comovente no capítulo III: "Enkidu jazia estendido diante do amante. Suas lágrimas vertiam copiosamente e ele disse a Gilgamesh: Oh, meu amado, és tão querido por mim e eles no entanto vão tirar-me de ti. Ele tornou a falar: Devo sentar-me a entrada da casa dos mortos e jamais tornar a ver com meus olhos meu querido irmão". Com a morte, momento decisivo na epopeia, após uma canção (que deveria ser repetida por poetas em todas as cidades sumérias) em que o rei lamenta a morte do amado nas seguintes palavras: "ouvi-me homens ilustres de Uruk, choro por Enkidu, meu amado, com lágrimas pungentes de mulher aflita, choro por meu irmão, Enkidu, meu companheiro (...)", sai Gilgamesh em busca da imortalidade, isto é, o rei busca tornar-se um deus, procurando a ajuda de Utnapishtim, o único homem a sobreviver ao dilúvio graças a intervenção do deus Ea, que ordenou-lhe que construísse um barco onde ele deveria salvar os seres viventes.
É, definitivamente após a morte de Enkidu, que as demonstrações do afeto de Gilgamesh por ele aumentam. No capítulo III ainda, temos a seguinte narração: "Gilgamesh tocou o coração de Enkidu, mas ele já não batia, seus olhos também não tornaram a abrir. Gilgamesh então cobriu o corpo do amigo com um véu, como o noivo cobre a noiva. E pôs-se a urrar, a desabar sua fúria como um leão, como uma leoa cujos filhotes foram roubados. Vagueou em torno da cama, arrancou seus cabelos e os espalhou por toda parte. Arrancou os magníficos mantos e atirou ao chão como se fossem abominações". No capítulo 4, o rei-herói diz: "Chorei por ele dia e noite e me recusava a entregar seu corpo ao funeral. Pensei que meu pranto fosse trazê-lo de volta. Desde sua partida minha vida deixou de ter sentido".
É o amor do rei sumério pelo seu companheiro, amor este forte o bastante para fazê-lo desafiar os deuses, a matéria do primeiro livro já escrito, contudo, não podemos considerar que em toda Mesopotâmia os relacionamentos homoeróticos tivessem o mesmo valor que a capital cosmopolita suméria.


Como se Fabricar Anjos

[Nota do Editor: a Kallyandra (pseudônimo) é minha amiga, ajudante acadêmica e está em processo de conclusão da pós-graduação dela, que trata justamente sobre a Indústria Cultural. Ela me pediu esse espaço por saber que na Academia não existe liberdade total para expressar todas as suas idéias. Os artigos dela terão formato acadêmico e serão semanais, mas sem qualquer obrigação de prazo. Só entendam que esse é só o primeiro]

Por Kallyandra

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A evolução da tecnologia e do mercado consumidor começou-se a transformar a cultura em mercadoria, aos poucos deixa de ser construída pelas pessoas e passa a ser fabricada para ser consumível. “Esse é o quadro caracterizador da Indústria Cultural: revolução industrial, capitalismo liberal, economia de mercado, sociedade de consumo.” (Coelho, 1993, p.07)

O que está acontecendo é que a Indústria Cultural está transformando tudo em comércio, inclusive nossa vontade, estamos em um Admirável Mundo Novo, estão substituindo leitura por pequenas frases de 140 caracteres, estamos acomodados, sentados na frente do computador esperando por diversão, pela satisfação de nossos sentidos, não pensamos mais porque esperamos que outros o façam por nós.

Não quero um mundo de fantasia, onde não posso questionar a realidade que vivemos em que os mecanismos de dominação estão presentes até no ato de respirar, não vou aceitar vivermos em um mundo temos que seguir padrões impostos por uma elite para saciar as corporações e sistemas políticos para poucos lucrarem e muitos obedecerem.

A Indústria Cultural tem ares de grandes revelações e de agradável peça de arte. Atrai, conquista, adultera, emburrece, anestesia, destrói — mas, numa atmosfera psicológica de algo que faz bem, eleva. Como dizia Adolf Hitler; “nunca fomos tão bem informados!”; hoje ouvimos dizer “nunca fomos tão autônomos!”. A informação vazia e a arte vulgarizada são instrumentos da seminformação vencedora. Lá, era deixar de sentir; agora, é ter a ilusão de sentir. (Ramos, 2008, p.133)

Estamos sendo arrebanhados por uma mídia que dizem como devemos pensar, que filmes assistir e de preferência não ler, desde nos primeiro anos de vida somos arrebanhados em escolas que são responsáveis em adestrar-nos com o conteúdo inútil, matérias sistematizadas, não há espaço para o questionamento.

Os meios de comunicações celebram a mediocridade, a aparência é celebrada e a burrice comemorada, se cultua pessoas vazias que são apenas pedaços de carne, fruta ou outro coisa que pode comida e não serve para mais nada, homens estão deixando de serem homens e mulheres de serem mulheres e estão virando Anjos.

Sua violação do tabu representou, antes de tudo, uma rigorosa obediência às leis do mercado [...] quando aquilo que impressiona é considerado bom, porque se torna necessário para a sobrevivência, então o que é impressionável não pode ser ruim. Dessa forma, o bem e o mal se transformam em categorias estéticas; e o estético, se transforma no ontológico, na possibilidade de ser ou não ser. (Türke apud Zuin, 2008, p.60)

Os anjos são criaturas cuja a única função é servir a deus, não têm livre arbítrio, não têm liberdade, é uma raça de escravos felizes por serem assim. O mundo atual está fazendo isso conosco, estamos virando escravos e gostamos disso, pois vamos apenas aparentar ser algo e não ser de verdade, estamos vivendo na felicidade da ignorância.

As agressões são constantemente apresentadas e são consideradas boas, afinal tenho que vestir 38 de qualquer maneira, aparecer em BBB, ouvir a música que dizem que temos que ouvir, não podemos fugir do padrão. As imposições sociais nos agridem no âmbito pessoal e moral. Na permissividade da violência, na quebra do material e imaterial causado por terceiros.

Por causa disso reagimos tão agressivamente quanto à agressão que estamos sofrendo, a sociedade impulsiona o consumo de bens materiais e imateriais em exagero, justamente por não saber revidar é que esta reação torna-se agressiva com atos caóticos que atingem a sociedade como um todo.

Milhões e milhões de pessoas, aterrorizadas de tédio e apreciando um ócio que elas não podem preencher por si mesmas, estão suplicando por distração, implorando para ser livradas de sua própria e intolerável companhia, ansiando para que lhes sejam dados substitutos para o pensamento. (Huxley apud Almeida, 2008, p.142)

É neste instante em que as pessoas necessitam preencher o vazio que é ditado pela Indústria Cultural que trabalha com todas as suas armas para conquistar os consumidores e a mercadoria é o modo de vida, a felicidade e de ter todos os desejos realizados, mas não avisam “que conseguir o que se deseja e ser feliz são coisas totalmente diferentes” (Gaiman, 2006, p.44).

O mecanismo de reprodução da vida, de sua dominação e aniquilação, é imediatamente o mesmo, e em conformidade com ele a indústria, o estado e a propaganda se amalgamam. Aquele antigo exagero dos liberais cépticos, de que a guerra é um negócio, tornou-se realidade: o poder estatal renunciou a própria aparência de independência em relação aos interesses particulares do lucro, pondo-se agora não só de fato a serviço destes, o que sempre fez – mas também ideologicamente. (Adorno, 1993, p.45)

É o que é repassado pelos meios de comunicação em massa são “mulheres perfeitas” sem celulite, estrias, muitas vezes utilizam o corpo para aparecer, rebolam nas frentes das câmeras, os homens são jogadores de futebol, altos, bonitos, mas pela fala percebemos que apenas aparentam ser e nada mais do que isso, não falam sobre estudar ou sobre terem outras possibilidades de viver, vendem a aparência e nada mais do que isso.

A educação é jogada no lixo, ensinam que devemos trabalhar para trocar minha TV nova de 42 polegadas por outra de 50 polegadas, tudo parcelado no cartão de crédito, comprar um carro novo, achar o parceiro ideal, em uma “balada” de preferência e sempre vai ser a primeira vista, casar, ter minha casa parcelada em 30 anos pela caixa econômica, ter filhos, reclamar da falta de perspectiva e futilidade dos filhos, trair e ser traído pelo parceiro, se divorciar, casar de novo, afinal achar a alma gêmea é o objetivo final e morrer infeliz pela vida de aparência que teve.

Não somos educados a questionar e muito menos a sermos felizes, esquecem que nossa felicidade depende das decisões que tomamos, felicidade é diferente de satisfação, satisfação e temporária o que sentimos após comermos e nossa sociedade quer nos dar apenas issosatisfação.

Como já dissemos a satisfação desencantada não pode ultrapassar o plano da aparência e da forma e, assim imediata, só pode dar-se no âmbito reduzido dos órgãos dos sentidos. [...] anestesiados pela imagem e pelo som, somos capazes de comer pacotes inteiros de porcarias sem perceber. São estímulos e gestos ritualizados e fragmentados de satisfação instantânea. (Ramos, 2003, p.92).

As sociedades, sendo administradas pela Indústria Cultural, fabricam as comunidades, por isso as sociedades parecem semelhantes, não importa o lugar, todos os lugares parecem os mesmos; o comportamento perante a sociedade, as calças jeans, os paletós, as leis, e várias outras características que em vez de individualizar o homem acaba por torná-lo igual, obediente, calado e feliz por sua posição, assim como os anjos, sendo que quando nos revoltamos somos mandados ao inferno.

O que esse discurso enfadonho tem haver com o discurso do Anonymous?

Absolutamente tudo.

Porém minha função não é dá respostas, mas levantar questionamentos.

E a minha grande pergunta é:

“Você é um Anjo Fabricado?”

Referências

Adorno, Theodor W.; Minimas Moralis: Reflexões a Partir da Vida Danificada, Tradução: Luiz Eduardo Bicca, Editora Ática, São Paulo-SP, 1993. Série: Temas Volume 30; Estudos Filosóficos.

Almeida, Jorge;. Theodor Adorno Leitor Aldous Huxley: Tempo Livre in Durão, Fábio Akcelrud; Zuin, Antônio; Vaz, Alexandre Fernandez (org.); A Indústria Cultural Hoje,Editora Boitempo, 2008.

Coelho, Teixera; O que é Indústria Cultural, 35ª Edição, Editora Brasiliense, 1993 (Coleção Primeiros Passos Volume 08)

Gaiman, Neil; SANDMAN: Noites sem Fim; Traduzido por: Daniel Pellizzari, São Paulo-SP, Editora CONRAD do Brasil 2006

Ramos, Conrado; Indústria Cultural, Consumismo e a Dinâmica das Satisfações no Mundo Administrado in Durão, Fábio Akcelrud; Zuin, Antônio; Vaz, Alexandre Fernandez (org.); A Indústria Cultural Hoje, Editora Boitempo, 2008.

Zuin, Antônio; Morte em Vídeo: Necrocam e a Indústria Cultural Hoje in Durão, Fábio Akcelrud; Zuin, Antônio; Vaz, Alexandre Fernandez (org.); A Indústria Cultural Hoje,Editora Boitempo, 2008.


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O amor

Então, Almitra disse:'Fala-nos do amor'
E ele ergueu a fronte e olhou para multidão, e um silêncio caiu sobre todos,
e com uma voz forte, disse:

'Quando o amor vos chamar, segui-o,
Embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados;
E quando ele vos envolver com suas asas, cedei-lhe,
Embora a espada oculta na sua plumagem possa ferir-vos;
E quando ele vos falar, acreditai nele,
Embora sua voz possa despedaçar vossos sonhos como
o vento devasta o jardim.

Pois, da mesma forma que o amor vos coroa, assim
ele vos crucifica. E da mesma forma que contribui para
vosso crescimento, trabalha para vossa poda.
E da mesma forma que alcança vossa altura e acaricia
vossos ramos mais tenros que se embalam ao sol,
Assim também desce até vossas raízes e as sacode no
seu apego à terra.
Como feixes de trigo, ele vos aperta junto ao seu coração.
Ele vos debulha para expor vossa nudez.
Ele vos peneira para libertar-vos das palhas.
Ele vos mói até a extrema brancura.
Ele vos amassa até que vos torneis maleáveis.
Então, ele vos leva ao fogo sagrado e vos transforma
no pão místico do banquete divino.
Todas essas coisas, o amor operará em vós para que
conheçais os segredos de vossos corações e, com esse
conhecimento, vos convertais no pão místico do banquete divino.

Todavia, se no vosso temor, procurardes somente a
paz do amor e o gozo do amor,
Então seria melhor para vós que cobrísseis vossa nudez
e abandonásseis a eira do amor,
Para entrar num mundo sem estações, onde rireis, mas
não todos os vossos risos, e chorareis, mas não todas as
vossas lágrimas.
O amor nada dá senão de si próprio e nada recebe
senão de si próprio.
O amor não possui, nem se deixa possuir.

Pois o amor basta-se a si mesmo.
Quando um de vós ama, que não diga: 'Deus está no
meu coração', mas que diga antes: 'Eu estou no coração de Deus.'
E não imagineis que possais dirigir o curso do amor
pois o amor, se vos achar dignos, determinará ele próprio
o vosso curso.
O amor não tem outro desejo senão o de atingir
a sua plenitude.
Se, contudo, amardes e precisardes ter desejos, sejam
estes os vossos desejos:
De vos diluirdes no amor e serdes como um riacho
que canta sua melodia para a noite;
De conhecerdes a dor de sentir ternura demasiada;
De ficardes feridos por vossa própria compreensão do amor
E de sangrardes de boa vontade e com alegria;
De acordardes na aurora com o coração alado e agradecerdes por um novo dia de amor;
De descansardes ao meio-dia e meditardes sobre o
êxtase do amor;
De voltardes para casa à noite com gratidão;
E de adormecerdes com uma prece no coração para o
bem-amado, e nos lábios uma canção de bem-aventurança.


Gibran Khalil

Sou mulher...

Sou mulher
tirada do homem
sua carne e seu sangue
no mesmo viver.

Sou mulher
enganada e marcada
amaldiçoada
condenada a sofrer.

Sou mulher
vivendo injustiças
juntando minhas lágrimas
sob o sol de uma dor.

Sou mulher
profetisa e juíza
liderando a batalha
ao matar sem temor.

Sou mulher
vendida e usada
como carta marcada
em um jogo de reis.

Sou mulher
rejeitada, intocada
ao expôr minha ira
a quem mal me fez.

Sou mulher
sem motivo amada
ao trair o profeta
e gerar sem amor.

Sou mulher
saída de um povo
escondida de novo
rainha que salvou.

sou mulher
parte da história
cultivando a memória
do Deus Salvador.

(Angela Natel - baseado na história das mulheres do Antigo Testamento, na Bíblia - 22/06/2011)

The sound

THE LIVING BLUES: JOHN M. PERKINS

by Jon Foreman

Last week we arrived in Trnava, Slovakia, and played rock and roll in the town square; it's the easternmost point in Europe that we've ever played. There's a watchtower in the square that overlooks the stage. It's been there for generations, watching armies come and go -- the Mongols, the Turks, the Nazis. The Velvet Revolution gave Slovakia an independence that generations had hoped for. And yet, the memory of communist oppression is still fresh in the minds of the folks I talked to. To be able to play songs of hope here was a remarkable privilege.

As we all know, freedom is more than capitalism, liberty more than self-governing politics. We like to play a song about a hope that I have for my own country. A hope that our country would rise to a freedom from racism and intolerance. A hope that the United States would rise above its past, embracing a future of true freedom. That we might rise above the disgrace of inequality and learn to love the ones we share our breath with on this planet -- that the "land of the free" might find freedom from hatred, freedom from the shackles of self tyranny. We play a song for a hero of mine who spent his life living out these dreams: the Reverend Dr. John M. Perkins.

Dr. Perkins is an American civil rights leader. Born a Mississippi sharecropper's son, he grew up in the dire poverty and bitter racism of the time. At the age of 17 his older brother was murdered at the hands of a town marshal, so he fled the state vowing never to return. Yet in 1960 Dr. Perkins and his wife Vera Mae Perkins felt compelled to go back to help the poor in rural Mississippi meet their own needs. So they left the relative comfort of California and moved back to Mississippi hoping to show God's love in action.

Over the next few decades Dr. Perkins' outspoken nature and leadership in civil rights demonstrations resulted in repeated harassment, brutal beatings and imprisonment. Yet even in the hands of his oppressors he chose the path of love over violence, of compassion over hatred. His story is the story of the struggle for true freedom, freedom from even the knee-jerk reaction of retaliatory violence. His song is the song of the blessed community. His dream is the dream which Dr. Rev. Martin Luther King and so many others died for. His story is living proof that love is louder than violence, louder than hatred, and louder than racism.

In the face of dire poverty, racial prejudice, and violent, brutal injustice Dr. Perkins chose to break the cycle of hate and respond with love. He has since become a well known author and leader in community development and racial reconciliation throughout the world. John Perkins' life is one of consistent, reliable, steady compassion. He downplays his moments of heroism, saying anyone in his shoes would have done the same thing. Never ostentatious, never seeking the spotlight- Dr. Perkins was a man who did what specifically needed to be done. The past and present of his story point in the same direction. The means and the ends are exact. Love for all: including those who hated him.

King and Perkins both came to the conclusion that to return "hate for hate, anger for anger, violence for violence" would be a loss of character. Violence cannot accomplish love's work. The means and the ends must be consistent. When the black community was rightly angry about the wrongs that the white community had committed against them, Perkins warned them, "If we give in now to anger and violence we would be just like the whites. We would lose what little we have already gained."

Dr. Perkins had compassion on even the people who violently beat him -- almost to his death. He saw beyond the exterior of hate and chose to forgive. He refused to believe that his racist oppressors were his enemies. Which is to say, that John M. Perkins chose to see the best in them, as they could be rather than as they are. He saw past the present circumstance towards a vision for a world that did not exist yet, for a version of his oppressors that was no longer filled with hatred.

Love looks into the future and sees possibilities that do not currently exist. Love is larger than the moment; love is larger than the present tense. Maybe it has to start with a dream, a dream of a better world. Dr. Perkins' contemporary Dr. Rev. Martin Luther King Jr. had a dream. A dream so large that it couldn't fit within his lifetime. His dream was a beloved community that was larger than his contemporary reality. Larger than life. Larger than even the violent hatred, fear, and racism that led to his assassination.

These audacious dreams of equality and liberty pull us forward. These hopes drive our lives with purpose and vision; our actions become us, and we become our actions. The only way to become a runner is by running. A disciple of love must begin by loving those around her. Every dream has to start somewhere. Soren Kierkegaard said, "Life can only be understood backwards; but it must be lived forwards." And so it is with every one of our stories. You have to see the whole picture to tell the difference between a fake Monet and the real thing. Time alone can tell the difference. The final pages must be written to make sense of the past. The narrative we live today puts the past in context.

It's incredibly rare to find someone who remains true -- who has found a way to "be the self that truly is." (to quote Kierkegaard again.) Dr. Perkins' life is a song that is consistent. The tale of John M. Perkins will outlast even John M. Perkins himself. Yes, our story is being written today. Our present actions determine the context for the rest of your story. The pure acts will remain. All else is illusion. Your true soul is not a means to an end. The legacy of love will remain; these are the stories that stand the test of time

Love lays herself down for others. Love is willing to trade kindness for hate, acceptance for fear, and compassion for rage. Love refuses to recognize the walls between us, and chooses instead to find the commonalities. Love permits damage rather than damaging the other. When the highest price was asked of Dr. Perkins he rose to the occasion. "I told them -- and I meant it -- if somebody still had to suffer, I was willing. And if somebody had to die, I was ready."

A few weeks back I got a chance to meet Perkins himself. It was a day I will never forget. He talked about what it was like to grow up in Mississippi in the 1940s as a black man. He talked about his dreams, his passions, his regrets, his family. He talked about his victories and his defeats, the highs and lows. Dr. Perkins is 80 years old. His life spans across an incredible time of transition for our nation. The wisdom that comes with those years pours out of his mouth like poetry.

During our time together, Dr. Perkins treated me like a long lost grandchild. He told me that our generation was quite possibly the generation that could make our national creed a reality: "All men are created equal." Yes, for the first time in our nation's troubled history true equality might be reflected by our actions not just our words. He told me to write him a song. A song about the justice of love and the love of justice. A song about how compassion breaks the cycle of violence and creates new life.

There were several moments during our conversation where I didn't know what to say. This was one of those moments. There were no words within my reach that could adequately communicate what I felt. I was speechless.

I know what I would say now if had that moment back. In fact I left it on his voice mail the next morning. "Dr. Perkins, your life is louder than any song I could write. Your commitment to justice and compassion is more beautiful than any refrain that I could dream up." A friend of mine has a Nietzsche quote on his wall: "They must sing better songs before I shall believe in their redeemer." Reverend Perkins, your song could make a believer out of even a sceptic like myself. Yes, I will try to write a song about it- but your life will always be a better song than anything I could sing.

I heard a story that sums up my feelings perfectly. When a man naively asked Dr. Perkins if he played the blues, Dr. Perkins grabbed his hand and smiled, "Brother, no. I LIVE the blues." Yes, you do Dr. Perkins. You live them beautifully. And tonight in Trnava, Slovakia I'll dedicate our song to your living, breathing melody. Truly, love is the final fight.

Madre Tereza de Calcutá


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Nestes tempos de facilidades universais, de materialismo, consumismo desenfreado, da ideologia dominante do “O mundo é meu negócio”, exemplos de vida de pessoas como Madre Tereza mostra que a sociedade precisa de mais do que o pão.

Doar coisas torna-se até sintomático, um ato gerado de uma moda, ou de uma dica da auto-ajuda, um ato gerado sem a motivação do amor, apenas uma automedicação espiritual.

No entanto, amar é para quem insiste em aprender este sentimento porque quer vivê-lo. Depois de educado no amor a nossa perspectiva de mundo muda, e mudando a visão, muda tudo.

Madre Tereza gostava de dizer: “Em cada pessoa eu vejo Cristo. E porque Cristo é sempre o único para mim a qualquer momento – Cristo é aquele que fica em frente a mim, precisando da minha ajuda”. E Cristo afirmava “Na medida em que você faz isso a um destes meus pequeninos, a mim o fizestes.”

Madre Teresa – no mundo Agnes Gonzha Boyakshu – nasceu em 1910 na Albânia, numa família bastante rica. A Família Boyakshu era católica – estava em minoria entre os muçulmanos albaneses e sérvios ortodoxos.

O grande momento para uma vida que se entregaria aos pobres foi um episódio dramático. Madre Teresa, num determinado encontro, viu coberta de chagas, apodrecendo viva e incapaz de se mexer, uma mulher que estava em um carrinho de mão num hospital ao lado do seu filho… e ela ficou lá na entrada. Madre Teresa teve vontade de intervir, mas não podia: “Eu não poderia estar junto dela, tocá-la. Eu fugi. E nessa fuga comecei a pedir: ” Quero um coração cheio de amor, pureza e humildade que eu possa aceitar a Cristo, tocá-lo, o amor de Cristo, nas ruínas do corpo. Depois que eu voltei com ela, lavei-a e ajudei-a a morrer com um sorriso. Esse foi o meu sinal. “

Depois desse evento, sentindo-se presa, Madre Teresa escreveu uma carta pessoalmente ao papa pedindo para deixar o mosteiro. Em 1948, aos 38 anos de idade, com um vestido comprado no mercado barato, deixou seu curso, o mosteiro, sua família e desapareceu em uma das piores favelas de Calcutá. Nunca mais voltou.

O alcance da misericórdia dessa mulher neste dia gerou uma corrente de Caridade com cerca de 300.000 membros em 80 países – uma rede global de orfanatos, abrigos, hospitais colônia de leprosos, e em Calcutá, em um centro de reabilitação para hanseníase, e uma infinidade de seguidoras que abraçaram sua causa.

Madre Teresa morreu em 1997. Escreveu: “Eu senti que o Senhor estava esperando para que eu voluntariamente desistisse de uma vida tranqüila na minha ordem e saísse às ruas para servir aos pobres. Foram instruções simples e claras: eu tive que deixar as paredes do mosteiro para viver entre os pobres. E não apenas os pobres. Ele me chamou para servir os desesperados, os mais pobres em Calcutá – aqueles que não têm nada nem ninguém, e perto dos quais ninguém quer chegar, porque eles são contagiosos, sujos, eles estão cheios de parasitas, de modo que não pode nem mesmo ir mendigar, porque eles estão nus, não têm mesmo panos para cobrir o corpo, não podem comer por causa do cansaço. Eles não choram mais, porque não têm lágrimas. Jesus me mostrou essas pessoas durante minha vida, e ele queria que eu as amasse. Deus precisava de minha pobreza, da minha fraqueza, da minha vida, a fim de demonstrar seu amor aos pobres…“.

Nas pessoas mais carentes de Calcutá, eu amava Jesus. Aqui não há tempo para ficar entediada, para reclamar da vida. Eu tenho vivido e confiando totalmente na vontade de Deus. Eu senti cada minuto da sua presença, ele se envolveu direto na minha vida.

Pouco antes de sua morte, um repórter perguntou-lhe: “Você tem medo da morte?”. Madre Teresa respondeu:

Não, absolutamente não tenho medo. Eu vou voltar para casa. Você tem medo de voltar para casa com seus entes queridos? Estou ansiosa pela morte, porque depois que eu conheci Jesus e todo aquele povo durante minha vida terrena… Vai ser um encontro maravilhoso, não é?”.

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Imagens Aqui
(34 Imagens)

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Referências de pesquisa: motherteresacause . Entrevista de Kolodiejchuk ao La Stampa. Perfil no sítio oficial do Nobel da Paz 1979.

Fato:

Toda pessoa quer ser rei
todo rei quer ser Deus
e Deus quis ser homem...

Cleopatra

Egypt’s ruler was more than the sum of the seductions that loom so large in history—and in Hollywood. By Stacy Schiff

Cleopatra VII ruled Egypt for 21 years a generation before the birth of Christ. She lost her kingdom once; regained it; nearly lost it again; amassed an empire; lost it all. A goddess as a child, a queen at 18, at the height of her power she controlled virtually the entire eastern Mediterranean coast, the last great kingdom of any Egyptian ruler. For a fleeting moment she held the fate of the Western world in her hands. She had a child with a married man, three more with another. She died at 39. Catastrophe reliably cements a reputation, and Cleopatra’s end was sudden and sensational. In one of the busiest afterlives in history, she has become an asteroid, a video game, a cigarette, a slot machine, a strip club, a synonym for Elizabeth Taylor. Shakespeare attested to Cleopatra’s infinite variety. He had no idea.

If the name is indelible, the image is blurry. She may be one of the most recognizable figures in history, but we have little idea what Cleopatra actually looked like. Only her coin portraits—issued in her lifetime, and which she likely approved—can be accepted as authentic. We remember her, too, for the wrong reasons. A capable, clear-eyed sovereign, she knew how to build a fleet, suppress an insurrection, control a currency. One of Mark Antony’s most trusted generals vouched for her political acumen. Even at a time when female rulers were no rarity, Cleopatra stood out, the sole woman of her world to rule alone.
Read more: http://www.smithsonianmag.com/hi

Dor

A dor me alerta
de algo quebrado
ou fora do lugar.
É um sistema criado
para minha proteção.

Sem dor não percebo
a falta do membro perdido
ou a invasão de uma agulha
longe do meu campo de visão.

Quando sinto alguma dor
imediatamente reajo
me cubro, viro, me protejo,
sou constantemente alertado.

Por isso preciso da dor
prá do perigo ser avisado,
buscar ajuda a tempo
e receber o devido cuidado.

Dor revela doença,
problema, invasão, falta
ou iminente morte.
Por isso preciso sentir
a dor que me faz mais forte.

Dor no corpo ou na alma
não há muita diferença.
O real propósito da dor
é evitar que a destruição vença.

Mas também preciso saber
que a dor do outro é diferente
nem maior ou menor do que a minha
e assim me compadecer
daquele que é gente como a gente.

A.N. - 03/06/2011.
Mas também preciso saber

Saí na Foto dos leitores | Um Sábado Qualquer

Olha eu lá!!!!!
Foto dos leitores | Um Sábado Qualquer

A língua politicamente correta

REVISORES SÃO seres invisíveis que se valem de jornais e editoras para corrigir os deslizes dos escritores. Porque os escritores, frequentemente, desrespeitam as leis fundamentais da gramática. Eu mesmo, por muito tempo, tive como revisor voluntário dos meus textos um erudito da língua que me enviava periodicamente, por puro amor à língua, relatórios detalhados dos meus erros.

Desse revisor voluntário tenho apenas uma queixa: ele nunca disse uma só palavra sobre a substância mesma dos meus artigos. Não lhe importavam as coisas que eu escrevia. Importava-lhe se eu as escrevia com as palavras certas.

Para me consolar, eu repetia as palavras de Patativa do Assaré: “Mais vale escrever a coisa certa com as palavras erradas que escrever a coisa errada com as palavras certas…” Até lhe dediquei uma pequena parábola. Eu, convidando meus amigos para tomar uma sopa que eu mesmo faço. Eles vêm, tomam a sopa e gostam. Mas um intruso, não convidado, toma a minha sopa, nada diz sobre a sopa, mas reclama que a tigela estava lascada…

Tenho tido experiências com revisores atentos, sensíveis, competentes, que não só corrigem meus erros como também me fazem sugestões de como melhorar o meu estilo. Mas tenho tido também experiências desastrosas. E isso porque os revisores têm um poder terrível. Basta que mudem uma simples palavra…

Saramago escreveu um livro sobre um revisor que, cansado de sua função de apenas revisor, resolveu interferir no texto. No lugar onde o autor havia escrito um “sim”, ele resolveu deletar o “sim” e substitui-lo por um “não”. O resultado foi que a história do cerco de Lisboa teve de ser completamente reescrita.

Houve um livro que escrevi, todo ele baseado na distinção entre “história” e “estória”, distinção que os gramáticos, donos da língua, desconhecem, por saber muito sobre letras e sílabas e pouco sobre sentidos. Resolveram, por conta própria, eliminar do dicionário a grafia “estória”. Tudo agora é “história”. Mas Guimarães Rosa sabe que isso está errado e até escreveu: “A estória não quer se tornar história”.

São duas coisas diferentes. História é o tempo onde as coisas acontecidas não acontecem mais. Estória é o tempo onde coisas não acontecidas acontecem sempre.

Pois o revisor do meu livro, mais atento às ordens do dicionário, livro onde se encontram as palavras e sentidos certos, eliminou as “estórias” que eu havia escrito, substituindo-as por “histórias”. Ficou totalmente sem sentido. O revisor disse que abacaxis e pitangas eram a mesma coisa.

Esse mesmo revisor achou por bem corrigir minha tradução de um verso de Eliot. “The inner freedom from the practical desire…”. Minha tradução: “A liberdade interior do desejo prático…” Coisa de velhice: estamos livres da compulsão de fazer coisas práticas. Podemos nos entregar à vagabundagem.

Pois o dito revisor, certamente movido por sua ideologia de esquerda, não podia imaginar que essa liberdade da compulsão do fazer fosse coisa decente. Alterou, então, a minha tradução para “a liberdade interior para o desejo prático…”

Na versão do revisor, todo mundo ficou condenado à compulsão do fazer. Culpa minha. Acreditei no revisor. Não conferi. Resultado: o livro ficou um “non-sense”. Seu destino, o lixo. Mas as palavras estavam de acordo com o dicionário.

Outro revisor ficou horrorizado com a fala de um ignorante chamado Riobaldo. Era português errado, horrível. Tratou de corrigi-la, e o Riobaldo ficou falando como se fosse uma professora de português. Ainda bem que, nesse caso, não confiei no revisor e não perdi o livro.


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