segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Subliminar


Verme intragável entre os dentes
deixa ardente o paladar.
Sussurro que na noite fria
faz um demente a vagar.
Atravessa a rua e num relance
sente sufocar.
Grita, desesperado,
frente ao vil pulsar,
ao que vê do outro lado da rua:
“Tente não olhar!”
Mas já era tarde, bote da
serpente a rodear.
Foi cair semimorto
rente ao pé do mar.
A serpente segue, ainda há
gente prá enganar.
Angela Natel

domingo, 20 de janeiro de 2019

Empatia


Tem pessoas que só começam a sentir empatia pela dor alheia quando passam por situações semelhantes, quando sentem dores parecidas...
Eu fui uma dessas pessoas...
Só compreendi um pouco do que é viver um relacionamento abusivo quando estive em um, sem saída, longe de meu país, sem dinheiro para voltar, e ainda com pessoas que se diziam meus amigos e líderes me chamando de mentirosa.
Agradeço a Deus pelos poucos que acreditaram em mim e que me estenderam a mão quando mais precisei. Foram pouquíssimos...
Agradeço a Deus por minha família, que me recebeu de volta e, principalmente, por minha irmã Angelita, que me defende e me ama incondicionalmente.
Depois do que passei, nunca mais vi a vida da mesma maneira. Não sou a mesma pessoa. Consigo, pela graça de Deus, perceber a dor alheia, ainda que não a sinta, me compadecer e ouvir antes de emitir julgamento.
As decisões da vida são complexas, exigem sensibilidade, empatia, mais ouvir do que emitir opinião.
Não se trata de opinião, na verdade. A vida é complexa, exige um caminhar junto, uma cumplicidade que nos desgasta, uma renúncia que nos tira do conforto. Por isso são poucos os que, de fato, caminham conosco.
A maior parte das pessoas apenas se resume a expectadores, como se estivéssemos em um palco, dando um show a elas, abertos ao julgamento e condenação.
A vida não é um show. 
Quem vive de show, na verdade, não vive.
Por isso, é preciso pedir socorro, é preciso ouvir os gritos de quem grita, ouvir as razões antes de dar opinião, pesar as razões, calçar os sapatos do outro e tentar sentir sua dor.
Muitos dizem seguir a Cristo, mas foi isso que Ele fez... quem está disposto a seguí-lO, que faça o mesmo!
Angela Natel

sábado, 19 de janeiro de 2019

Dizem...

Dizem como tenho que me vestir,
se devo ou não tatuar.
Falam de meu cabelo, meu linguajar.
Dizem até o que devo ou não publicar.
Dizem que devo fazer isso ou aquilo,
o que mais querem é me controlar.
Dizem que isso é só preocupação, cuidado,
mas nunca se oferecem para ajudar.
Apenas falam, falam sem parar,
a meu respeito para outros,
falam de mim, comentam, condenam,
falam para mim, mudar-me tentam.
Cansada de tanto falatório.
Cansada de tanta opinião.
Amor e serviço é raridade
doam palavras, promessas,
sua vida, não.
Angela Natel

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Eu acho que foi assim...


1934. O pastor luterano Bonhoeffer assina a Declaração de Bremen, e funda a Igreja Confessante, declaradamente oposicionista ao Nazismo.

Nazismo tava na moda.

Aí surgiu nas rodinhas de corredor de igreja: - Cê viu o Bonhoeffer arrumando confusão de novo? O cara não pára quieto. Tá lá assinando aquela Declaração subversiva. - Fez seminário, mas nunca leu Romanos 13. Tem que se sujeitar às autoridades, cara! - É um subversivo. É um passo pra heresia, vai cair no liberalismo. Fica vendo! - Esses caras não entendem que só dá pra enfrentar a crise com mão de ferro. A gente precisa de um cara que fala o que pensa! Essa crise econômica é culpa de judeu.

Aí hoje, 84 anos depois, cá estamos nós. Tem filme do Bonhoeffer. Livros dele. Sobre ele. Camisetas dele. E a gente achando o cara o mó bacana porque enfrentou o Hitler.

Mas aí, chegado, aí é fácil, né. Saca só: A gente leu a história e viu que ele se posicionou, viu que ele enfrentou uma tirania horrível e pagou com a vida o preço de ter lutado, se posicionado, enfrentado.

Agora, a gente acha o cara mó bacana. Hoje.

Mas será que lá em 1934 cê ia falar: Ô Bonhoeffer. Tâmo junto! É isso aí. Melhor fazer o mal do que ser o próprio mau.

Na boa, analisa aí. Será?

E concorrer à forca com o seu brother?

1963. O pastor batista Martin Luther King Jr. caminha em Washington e discursa para duzentas mil pessoas afirmando que ele tem um sonho. Seu sonho é ver seus filhos negros indo à mesma escola de crianças brancas.

Segregação racial tava na moda.

Aí surgiu nas rodinhas que se formaram embaixo das árvores do Monumento à Washington: - Olha lá o Luther, esse cara se acha o defensor dos fracos e oprimidos! Para ele no mundo só negros sofrem. E o sofrimento dos vietnamitas... Ele não vai falar nada? - Cara devia se concentrar em pregar o Evangelho. É pastor para quê? Fica aí nessa de direitos dos negros e injustiçados! Coisa humana. Tem que se concentrar no sagrado! - Alguém precisa avisar esse cara que se ele continuar com esse lance de política, essa conversa de esquerdista aí, ele vai morrer. - Por isso que não dá pra misturar religião e política!
Aí hoje, 55 anos depois, cá estamos nós. Novamente. Tem filme do Luther King. Camisetas. Dia do cara. E a gente achando mó bacana que ele enfrentou a Ku Klux Klan.

Será que lá em 1963, estaríamos nós braços dados com ele, tomando bicuda na cara dos policiais e sendo cuspidos direto, dizendo: aguenta firme, irmão!

Hoje, tudo bem, né.
Mas e lá? Na hora de fazer a história?
Porque hoje o maluco que tá tomando as pedradas e você sentando o pau pode ser o cara da história amanhã. Porque, não sei, mas... parece que sempre é assim com os heróis do passado. Eles antes eram uns Zés Ruelas nos corredores e bate-papos dos "bacanas" e das "pessoas de bem". Difícil entender o momento histórico e se posicionar. Tem que ter peito.

Por isso que eu reavalio minha consciência para enfrentar esse momento histórico e me posicionar de modo que amanhã eu não venha a me arrepender. E tem um jeito de acertar. Ficando ao lado dos oprimidos. Dos ferrados. Dos injustiçados. E em amor, em boa consciência, em afeto e Graça.
Cê pode até perder, morrer, ser enforcado ou levar um tiro no peito, mas... a história, meu chapa, ela te absolverá.
Dois pastores protestantes. Um negro. Americano. Um branco. Alemão. Dois resistentes. Subversivos. Heróis de hoje. Malvistos do passado. Respeitados pela igreja de hoje. Excomungados pela de ontem. Que temeram muito mais a vergonha de não enfrentar o caos do que a morte. E honraram a Deus servindo ao próximo.

Deles eu não me envergonharei.
Tampouco dos irmãos que lutam hoje, neste momento histórico e que são tachados de tudo pelos comentaristas da história. Que comentam, mas não a alteram.

Sou inspirado por estes tais "vilões do presente".
Na contramão dos que escolhem Barrabás.
Sou discípulo do preso político da cruz do meio.
Sentenciado por dois poderes paralelos. Que não morreu de trombada de camelo em esquina movimentada de Jerusalém. Foi morto. Assassinado. Acusado de subversão ao Império e Heresia à religião.

Que entrou na história pra mudar a minha sorte. Peço a Ele que me ajude a me posicionar. Sem medo do que virá. Com a coragem e a loucura de quem sabe que não veio a este mundo de passagem, nem rolézinho.
Gito Wendel via Instagram

Comunicação...

Há os que usam o nome de Deus
para exercer influência, mentorear.
Há coachings e PhDs
que tentam, a todo custo, se autoafirmar.
Defesas que já abandonei,
estigmas inúteis, vão falar.
Uns mentem e manipulam,
outros prometem o que nunca irão experimentar.
No fim das contas, se perde
toda a sensibilidade
de sentir o pé no chão
e perceber singularidades.
A dor ao redor não sentida
traz consigo a indiferença.
Generalizar vira regra de vida
quando se perde a consciência.
Por isso, fórmulas mágicas
se esvaziam nas paredes da casa
onde o cônjuge, abandonado
coleciona lágrimas.
De que adianta inspirar,
gravar vídeos, ser popular,
se o descaso com a família
é o que vai sobrar?
De que adianta fazer propaganda
de seu trabalho e competência
se não sabe ouvir o outro
nem interpretar além das aparências?
Comunicação serve para todos
numa via de mão dupla.
Melhor ajudar a si mesmo
antes de oferecer ajuda.
Angela Natel

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Armas para matar bandidos

"A população se arma para se proteger contra os bandidos... talvez sem notar que a própria população também é composta de bandidos... "Bandido" não traz estrela na testa. Ele pode ser o cardiologista que abusa de pacientes; o líder espiritual que não reconhece limites; o facínora que todos reputam ser "boa gente".... O nazista Eichmann conseguiu viver longos anos em solo argentino, de forma pacata, sendo elogiado como "bom cidadão"... Quando se facilita o acesso às armas, facilita-se o acesso às armas a todos... E esse critério de ter ou não antecedentes é para lá de insuficiente... Sempre é possível o "primeiro caso", não é? Então, muitos maridos ciumentos encontrarão meios mais fáceis de fazer valer suas vontades, em momentos de fúria... Outros não deixarão suas armas em casa, e as levarão consigo nos bancos dos carros, empunhando-as em qualquer conflito no trânsito... Outros ainda poderão atirar ao menor sinal de perigo, atingindo o azarados que possam estar no caminho dos projéteis.... Pode ser que o receio de encontrar uma arma pela frente realmente impeça a conduta de potenciais delinquentes... Creio que sim... E, repito: potenciais delinquentes não necessariamente possuem antecedentes criminais... Mas, a pergunta é saber se, no final do dia, haverá maior ou menor violência social; se isso redundará na preservação da vida ou não. A vingar essa lógica maniqueísta: "bons" versus "malvados", todos estarão armados, igual faroeste caboclo. Sobreviverá quem souber atirar com maior "maestria"... Quem puder matar mais ou neutralizar mais... Nada garante que seja você. Nada garante que seja quem tem razão. Max Weber chegou a acreditar que o elemento caracterizador do Estado seria o monopólio do uso legítimo da violência... Daí que os mecanismos de desforço incontinenti, a exemplo da prisão em flagrante, legítima defesa, estado de necessidade etc., teriam caráter absolutamente excepcional no sistema... Mas, no momento, cada vez com mais frequência, o Estado reconhece sua falência e transfere aos particulares o exercício do poder de polícia... seja por meio da criminalização de condutas omissivas (convertendo conivência em delitos), seja pela imposição de deveres de delação (whistleblower e gatekeepers), seja por meio da imposição de mecanismos de autocensura e autocobrança (lançamento por homologação, compliance etc.)... Nessa toada, não é de se admirar que a Administração Pública atribua aos particulares, pouco a pouco, a imposição da autotutela... Quantos não são os bairros em que há verdadeiro policiamento privado? Quantos não são os condomínios que mais parecem fortalezas medievais? Bom... essa é a marca dos tempos.. Todos estamos conectados, o tempo todo... Ainda assim, parece que cada sujeito carrega consigo o seu próprio fosso medieval, e sem pontes elevadiças... E aí? Já encomendou a sua Beretta 9mm?"
 Flavio Antônio da Cruz

Então é isso?

Então, o próximo passo para com os que discordam, incomodam, ferem nossa ditadura, é o enjaulamento de menores de idade, esterilização forçada, generalização de tratamento, trauma após trauma? 
Bela sociedade demoníaca nos tornamos: matar, roubar e destruir virou nosso mote, nosso hobbie - e tudo em nome de "Deus".
Usamos a Bíblia sem exegese nem hermenêutica, lutamos contra o "humanismo" para nos tornarmos gnósticos, ignoramos os erros cometidos na história para cometermos atrocidades piores.
Sem ter Cristo como referência, nos dizemos cristãos, e nos tornamos os porta-vozes do anti-reino de Deus, o próprio anticristo de nossa geração.
Duvida? Que tal estudar, ler, pesquisar, se informar, antes de emitir opinião ou repetir discurso só porque, no momento, é lógico ou faz sentido?
Que tal analisar com calma as complexidades e nuanças de cada situação?
É cristão? Que tal voltar seus olhos para Cristo antes de a qualquer um que diz representá-lo?
Angela Natel

Subliminar


Verme intragável entre os dentes
deixa ardente o paladar.
Sussurro que na noite fria
faz um demente a vagar.
Atravessa a rua e num relance
sente sufocar.
Grita, desesperado,
frente ao vil pulsar,
ao que vê do outro lado da rua:
“Tente não olhar!”
Mas já era tarde, bote da
serpente a rodear.
Foi cair semimorto
rente ao pé do mar.
A serpente segue, ainda há
gente prá enganar.
Angela Natel

Empatia


Tem pessoas que só começam a sentir empatia pela dor alheia quando passam por situações semelhantes, quando sentem dores parecidas...
Eu fui uma dessas pessoas...
Só compreendi um pouco do que é viver um relacionamento abusivo quando estive em um, sem saída, longe de meu país, sem dinheiro para voltar, e ainda com pessoas que se diziam meus amigos e líderes me chamando de mentirosa.
Agradeço a Deus pelos poucos que acreditaram em mim e que me estenderam a mão quando mais precisei. Foram pouquíssimos...
Agradeço a Deus por minha família, que me recebeu de volta e, principalmente, por minha irmã Angelita, que me defende e me ama incondicionalmente.
Depois do que passei, nunca mais vi a vida da mesma maneira. Não sou a mesma pessoa. Consigo, pela graça de Deus, perceber a dor alheia, ainda que não a sinta, me compadecer e ouvir antes de emitir julgamento.
As decisões da vida são complexas, exigem sensibilidade, empatia, mais ouvir do que emitir opinião.
Não se trata de opinião, na verdade. A vida é complexa, exige um caminhar junto, uma cumplicidade que nos desgasta, uma renúncia que nos tira do conforto. Por isso são poucos os que, de fato, caminham conosco.
A maior parte das pessoas apenas se resume a expectadores, como se estivéssemos em um palco, dando um show a elas, abertos ao julgamento e condenação.
A vida não é um show. 
Quem vive de show, na verdade, não vive.
Por isso, é preciso pedir socorro, é preciso ouvir os gritos de quem grita, ouvir as razões antes de dar opinião, pesar as razões, calçar os sapatos do outro e tentar sentir sua dor.
Muitos dizem seguir a Cristo, mas foi isso que Ele fez... quem está disposto a seguí-lO, que faça o mesmo!
Angela Natel

Dizem...

Dizem como tenho que me vestir,
se devo ou não tatuar.
Falam de meu cabelo, meu linguajar.
Dizem até o que devo ou não publicar.
Dizem que devo fazer isso ou aquilo,
o que mais querem é me controlar.
Dizem que isso é só preocupação, cuidado,
mas nunca se oferecem para ajudar.
Apenas falam, falam sem parar,
a meu respeito para outros,
falam de mim, comentam, condenam,
falam para mim, mudar-me tentam.
Cansada de tanto falatório.
Cansada de tanta opinião.
Amor e serviço é raridade
doam palavras, promessas,
sua vida, não.
Angela Natel

Eu acho que foi assim...


1934. O pastor luterano Bonhoeffer assina a Declaração de Bremen, e funda a Igreja Confessante, declaradamente oposicionista ao Nazismo.

Nazismo tava na moda.

Aí surgiu nas rodinhas de corredor de igreja: - Cê viu o Bonhoeffer arrumando confusão de novo? O cara não pára quieto. Tá lá assinando aquela Declaração subversiva. - Fez seminário, mas nunca leu Romanos 13. Tem que se sujeitar às autoridades, cara! - É um subversivo. É um passo pra heresia, vai cair no liberalismo. Fica vendo! - Esses caras não entendem que só dá pra enfrentar a crise com mão de ferro. A gente precisa de um cara que fala o que pensa! Essa crise econômica é culpa de judeu.

Aí hoje, 84 anos depois, cá estamos nós. Tem filme do Bonhoeffer. Livros dele. Sobre ele. Camisetas dele. E a gente achando o cara o mó bacana porque enfrentou o Hitler.

Mas aí, chegado, aí é fácil, né. Saca só: A gente leu a história e viu que ele se posicionou, viu que ele enfrentou uma tirania horrível e pagou com a vida o preço de ter lutado, se posicionado, enfrentado.

Agora, a gente acha o cara mó bacana. Hoje.

Mas será que lá em 1934 cê ia falar: Ô Bonhoeffer. Tâmo junto! É isso aí. Melhor fazer o mal do que ser o próprio mau.

Na boa, analisa aí. Será?

E concorrer à forca com o seu brother?

1963. O pastor batista Martin Luther King Jr. caminha em Washington e discursa para duzentas mil pessoas afirmando que ele tem um sonho. Seu sonho é ver seus filhos negros indo à mesma escola de crianças brancas.

Segregação racial tava na moda.

Aí surgiu nas rodinhas que se formaram embaixo das árvores do Monumento à Washington: - Olha lá o Luther, esse cara se acha o defensor dos fracos e oprimidos! Para ele no mundo só negros sofrem. E o sofrimento dos vietnamitas... Ele não vai falar nada? - Cara devia se concentrar em pregar o Evangelho. É pastor para quê? Fica aí nessa de direitos dos negros e injustiçados! Coisa humana. Tem que se concentrar no sagrado! - Alguém precisa avisar esse cara que se ele continuar com esse lance de política, essa conversa de esquerdista aí, ele vai morrer. - Por isso que não dá pra misturar religião e política!
Aí hoje, 55 anos depois, cá estamos nós. Novamente. Tem filme do Luther King. Camisetas. Dia do cara. E a gente achando mó bacana que ele enfrentou a Ku Klux Klan.

Será que lá em 1963, estaríamos nós braços dados com ele, tomando bicuda na cara dos policiais e sendo cuspidos direto, dizendo: aguenta firme, irmão!

Hoje, tudo bem, né.
Mas e lá? Na hora de fazer a história?
Porque hoje o maluco que tá tomando as pedradas e você sentando o pau pode ser o cara da história amanhã. Porque, não sei, mas... parece que sempre é assim com os heróis do passado. Eles antes eram uns Zés Ruelas nos corredores e bate-papos dos "bacanas" e das "pessoas de bem". Difícil entender o momento histórico e se posicionar. Tem que ter peito.

Por isso que eu reavalio minha consciência para enfrentar esse momento histórico e me posicionar de modo que amanhã eu não venha a me arrepender. E tem um jeito de acertar. Ficando ao lado dos oprimidos. Dos ferrados. Dos injustiçados. E em amor, em boa consciência, em afeto e Graça.
Cê pode até perder, morrer, ser enforcado ou levar um tiro no peito, mas... a história, meu chapa, ela te absolverá.
Dois pastores protestantes. Um negro. Americano. Um branco. Alemão. Dois resistentes. Subversivos. Heróis de hoje. Malvistos do passado. Respeitados pela igreja de hoje. Excomungados pela de ontem. Que temeram muito mais a vergonha de não enfrentar o caos do que a morte. E honraram a Deus servindo ao próximo.

Deles eu não me envergonharei.
Tampouco dos irmãos que lutam hoje, neste momento histórico e que são tachados de tudo pelos comentaristas da história. Que comentam, mas não a alteram.

Sou inspirado por estes tais "vilões do presente".
Na contramão dos que escolhem Barrabás.
Sou discípulo do preso político da cruz do meio.
Sentenciado por dois poderes paralelos. Que não morreu de trombada de camelo em esquina movimentada de Jerusalém. Foi morto. Assassinado. Acusado de subversão ao Império e Heresia à religião.

Que entrou na história pra mudar a minha sorte. Peço a Ele que me ajude a me posicionar. Sem medo do que virá. Com a coragem e a loucura de quem sabe que não veio a este mundo de passagem, nem rolézinho.
Gito Wendel via Instagram

Comunicação...

Há os que usam o nome de Deus
para exercer influência, mentorear.
Há coachings e PhDs
que tentam, a todo custo, se autoafirmar.
Defesas que já abandonei,
estigmas inúteis, vão falar.
Uns mentem e manipulam,
outros prometem o que nunca irão experimentar.
No fim das contas, se perde
toda a sensibilidade
de sentir o pé no chão
e perceber singularidades.
A dor ao redor não sentida
traz consigo a indiferença.
Generalizar vira regra de vida
quando se perde a consciência.
Por isso, fórmulas mágicas
se esvaziam nas paredes da casa
onde o cônjuge, abandonado
coleciona lágrimas.
De que adianta inspirar,
gravar vídeos, ser popular,
se o descaso com a família
é o que vai sobrar?
De que adianta fazer propaganda
de seu trabalho e competência
se não sabe ouvir o outro
nem interpretar além das aparências?
Comunicação serve para todos
numa via de mão dupla.
Melhor ajudar a si mesmo
antes de oferecer ajuda.
Angela Natel

Armas para matar bandidos

"A população se arma para se proteger contra os bandidos... talvez sem notar que a própria população também é composta de bandidos... "Bandido" não traz estrela na testa. Ele pode ser o cardiologista que abusa de pacientes; o líder espiritual que não reconhece limites; o facínora que todos reputam ser "boa gente".... O nazista Eichmann conseguiu viver longos anos em solo argentino, de forma pacata, sendo elogiado como "bom cidadão"... Quando se facilita o acesso às armas, facilita-se o acesso às armas a todos... E esse critério de ter ou não antecedentes é para lá de insuficiente... Sempre é possível o "primeiro caso", não é? Então, muitos maridos ciumentos encontrarão meios mais fáceis de fazer valer suas vontades, em momentos de fúria... Outros não deixarão suas armas em casa, e as levarão consigo nos bancos dos carros, empunhando-as em qualquer conflito no trânsito... Outros ainda poderão atirar ao menor sinal de perigo, atingindo o azarados que possam estar no caminho dos projéteis.... Pode ser que o receio de encontrar uma arma pela frente realmente impeça a conduta de potenciais delinquentes... Creio que sim... E, repito: potenciais delinquentes não necessariamente possuem antecedentes criminais... Mas, a pergunta é saber se, no final do dia, haverá maior ou menor violência social; se isso redundará na preservação da vida ou não. A vingar essa lógica maniqueísta: "bons" versus "malvados", todos estarão armados, igual faroeste caboclo. Sobreviverá quem souber atirar com maior "maestria"... Quem puder matar mais ou neutralizar mais... Nada garante que seja você. Nada garante que seja quem tem razão. Max Weber chegou a acreditar que o elemento caracterizador do Estado seria o monopólio do uso legítimo da violência... Daí que os mecanismos de desforço incontinenti, a exemplo da prisão em flagrante, legítima defesa, estado de necessidade etc., teriam caráter absolutamente excepcional no sistema... Mas, no momento, cada vez com mais frequência, o Estado reconhece sua falência e transfere aos particulares o exercício do poder de polícia... seja por meio da criminalização de condutas omissivas (convertendo conivência em delitos), seja pela imposição de deveres de delação (whistleblower e gatekeepers), seja por meio da imposição de mecanismos de autocensura e autocobrança (lançamento por homologação, compliance etc.)... Nessa toada, não é de se admirar que a Administração Pública atribua aos particulares, pouco a pouco, a imposição da autotutela... Quantos não são os bairros em que há verdadeiro policiamento privado? Quantos não são os condomínios que mais parecem fortalezas medievais? Bom... essa é a marca dos tempos.. Todos estamos conectados, o tempo todo... Ainda assim, parece que cada sujeito carrega consigo o seu próprio fosso medieval, e sem pontes elevadiças... E aí? Já encomendou a sua Beretta 9mm?"
 Flavio Antônio da Cruz

Então é isso?

Então, o próximo passo para com os que discordam, incomodam, ferem nossa ditadura, é o enjaulamento de menores de idade, esterilização forçada, generalização de tratamento, trauma após trauma? 
Bela sociedade demoníaca nos tornamos: matar, roubar e destruir virou nosso mote, nosso hobbie - e tudo em nome de "Deus".
Usamos a Bíblia sem exegese nem hermenêutica, lutamos contra o "humanismo" para nos tornarmos gnósticos, ignoramos os erros cometidos na história para cometermos atrocidades piores.
Sem ter Cristo como referência, nos dizemos cristãos, e nos tornamos os porta-vozes do anti-reino de Deus, o próprio anticristo de nossa geração.
Duvida? Que tal estudar, ler, pesquisar, se informar, antes de emitir opinião ou repetir discurso só porque, no momento, é lógico ou faz sentido?
Que tal analisar com calma as complexidades e nuanças de cada situação?
É cristão? Que tal voltar seus olhos para Cristo antes de a qualquer um que diz representá-lo?
Angela Natel