sábado, 17 de junho de 2023

Na literatura apocalíptica violência é condição sine qua non para a retribuição cósmica.

 


“Na literatura apocalíptica violência é condição sine qua non para a retribuição cósmica. Em Apocalipse 17:16 temos uma cena bizarra, grotesca, anunciada por um anjo emissário de Jesus a João de Patmos. Em linguagem figurada ele compara Roma a Babilônia e depois a uma prostituta.

A cena descreve uma mulher, Roma, sendo odiada por dez reinos, aliados políticos. Estes se oporão à mulher; a desnudarão, a violentarão, comerão sua carne, e ainda a queimarão viva. Numa cena em que Jesus, não apenas assente à barbárie, mas parece ter prazer sádico.

Apesar de ser um texto com alto teor metafórico, é notória a violência descrita numa associação de violência sexual à destruição de Roma, como vingança por ter perseguido os seguidores de Jesus e por ter destruído o templo e Jerusalém no ano 70 E.C.

O ponto aqui é mostrar que o Jesus de Paulo e de João de Patmos, não tem nenhum problema com violência. Seja ela no campo da linguagem e nem no campo político.

A prostituta da Babilônia é um xingamento, degradante à Roma. O ponto é a troca de cidades: Roma sendo degradada e Jerusalém, a cidade de ouro, exaltada.

Dois conceitos antagônicos aparecem aqui. Em Apocalipse não aparece nenhuma vez a palavra amor, no entanto as palavras: ira, raiva, vingança e violência saturam. A ira de Deus e do seu cordeiro.

Outra violência contra uma figura feminina ocorre a uma mulher na igreja de Tiatira (Ap 2.20-24). Jesus fala em primeira pessoa, que porá a mulher chamada pejorativamente de Jezabel numa cama, a assistirá ser violada, múltiplas vezes e ainda ele, Jesus, matará os filhos dela.

Desastres naturais, carnificina, conflitos militares, fome, seca extrema e torturas das mais variadas sortes (até estupro). Ações derivadas a partir do comando de Jesus, não parecem condizer com atos de amor, né? A palavra esperança também nem aparece no livro de Apocalipse.

Para quem estuda semiótica na linguística de corpus as palavras relacionadas a Deus e Jesus em apocalipse são: vingança, retribuição, ira, raiva, sangue, espada. São essas palavras que o autor do texto usa para falar dos personagens Deus e o cordeiro-leão (Jesus).

Jesus não vem para arrebatar seus seguidores, mas vem para destruir o mundo. Existe também um outro conflito de interesses financeiro, de classe aqui: Roma é a maior potência econômica da época e na mentalidade dos leitores de João de Patmos aquilo era um ultraje.

Os romanos não poderiam ter toda a riqueza e ouro que tinham. Esse ouro e riqueza era para ser aos seguidores de Javé e de Jesus. O Jesus de Apocalipse não tem nenhum problema com riqueza e nem com ouro. Ele só quer espoliar a Roma, para fazer Jerusalém a nova potência rica.

Nem mesmo os seguidores de Jesus escaparão da ira dele, apenas alguns que seguem a visão de João de Patmos, entrarão na Yerushalaim Shel Zahav (Jerusalém Cidade de Ouro). A sede imperial do “Reino de Deus” num contraponto à Roma Imperial. Ali, Jesus é coroado Imperador.

Pode não ser estranho o Jesus da machosfera. Afinal, ele está ali bem vivo no texto canônico de Apocalipse.

Texto de Wellington Barbosa via twitter

Garanta já seu ingresso para o curso ministrado por Wellington Barbosa e Angela Natel em outubro de 2023 - Curso “World of Dragons: Daniel e a literatura apocalíptica”.

Informações e inscrições: https://angelanatel.wordpress.com/2023/04/03/curso-world-of-dragons-daniel-e-a-literatura-apocaliptica-6/


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Na literatura apocalíptica violência é condição sine qua non para a retribuição cósmica.

 


“Na literatura apocalíptica violência é condição sine qua non para a retribuição cósmica. Em Apocalipse 17:16 temos uma cena bizarra, grotesca, anunciada por um anjo emissário de Jesus a João de Patmos. Em linguagem figurada ele compara Roma a Babilônia e depois a uma prostituta.

A cena descreve uma mulher, Roma, sendo odiada por dez reinos, aliados políticos. Estes se oporão à mulher; a desnudarão, a violentarão, comerão sua carne, e ainda a queimarão viva. Numa cena em que Jesus, não apenas assente à barbárie, mas parece ter prazer sádico.

Apesar de ser um texto com alto teor metafórico, é notória a violência descrita numa associação de violência sexual à destruição de Roma, como vingança por ter perseguido os seguidores de Jesus e por ter destruído o templo e Jerusalém no ano 70 E.C.

O ponto aqui é mostrar que o Jesus de Paulo e de João de Patmos, não tem nenhum problema com violência. Seja ela no campo da linguagem e nem no campo político.

A prostituta da Babilônia é um xingamento, degradante à Roma. O ponto é a troca de cidades: Roma sendo degradada e Jerusalém, a cidade de ouro, exaltada.

Dois conceitos antagônicos aparecem aqui. Em Apocalipse não aparece nenhuma vez a palavra amor, no entanto as palavras: ira, raiva, vingança e violência saturam. A ira de Deus e do seu cordeiro.

Outra violência contra uma figura feminina ocorre a uma mulher na igreja de Tiatira (Ap 2.20-24). Jesus fala em primeira pessoa, que porá a mulher chamada pejorativamente de Jezabel numa cama, a assistirá ser violada, múltiplas vezes e ainda ele, Jesus, matará os filhos dela.

Desastres naturais, carnificina, conflitos militares, fome, seca extrema e torturas das mais variadas sortes (até estupro). Ações derivadas a partir do comando de Jesus, não parecem condizer com atos de amor, né? A palavra esperança também nem aparece no livro de Apocalipse.

Para quem estuda semiótica na linguística de corpus as palavras relacionadas a Deus e Jesus em apocalipse são: vingança, retribuição, ira, raiva, sangue, espada. São essas palavras que o autor do texto usa para falar dos personagens Deus e o cordeiro-leão (Jesus).

Jesus não vem para arrebatar seus seguidores, mas vem para destruir o mundo. Existe também um outro conflito de interesses financeiro, de classe aqui: Roma é a maior potência econômica da época e na mentalidade dos leitores de João de Patmos aquilo era um ultraje.

Os romanos não poderiam ter toda a riqueza e ouro que tinham. Esse ouro e riqueza era para ser aos seguidores de Javé e de Jesus. O Jesus de Apocalipse não tem nenhum problema com riqueza e nem com ouro. Ele só quer espoliar a Roma, para fazer Jerusalém a nova potência rica.

Nem mesmo os seguidores de Jesus escaparão da ira dele, apenas alguns que seguem a visão de João de Patmos, entrarão na Yerushalaim Shel Zahav (Jerusalém Cidade de Ouro). A sede imperial do “Reino de Deus” num contraponto à Roma Imperial. Ali, Jesus é coroado Imperador.

Pode não ser estranho o Jesus da machosfera. Afinal, ele está ali bem vivo no texto canônico de Apocalipse.

Texto de Wellington Barbosa via twitter

Garanta já seu ingresso para o curso ministrado por Wellington Barbosa e Angela Natel em outubro de 2023 - Curso “World of Dragons: Daniel e a literatura apocalíptica”.

Informações e inscrições: https://angelanatel.wordpress.com/2023/04/03/curso-world-of-dragons-daniel-e-a-literatura-apocaliptica-6/