sábado, 17 de junho de 2023

A construção teológica de um Jesus manso e suave se contrapõe à figura de pregador apocalíptico que o conduziu à sua morte.

 


“A construção teológica de um Jesus manso e suave se contrapõe à figura de pregador apocalíptico que o conduziu à sua morte. Não seria a subversão de uma mensagem de amor que causaria revolta nos partidos religiosos daquela época, mas discurso baseado em estilo: apocalipticismo.
Naqueles dias histórias famosas como a revolta dos Macabeus, eram contadas em rodas de conversa. Havia vasta literatura apocalíptica “subversiva” do dito judaísmo do segundo templo. O Novo Testamento cita diretamente essas literaturas por diversas vezes, caso do Livro de Enoque.
O próprio Jesus teria citado diretamente o Livro de Enoque, quem conhece a literatura de Enoque, sabe que os salmos imprecatórios são nada perto da violência nesse texto. Apocalíptica, tipo de linguagem de Jesus, Paulo, Enoque, João de Patmos baseia-se em retribuição cósmica.

Não existe amor em linguagem apocalíptica. Existe “vingança divina”. Essa esperança dos inimigos rendidos, lançados em lagos de fogo, amarrados por mil anos e uma cidade (cheia de riquezas e recompensas) que desce dos céus é o puro suco da apocalíptica.

O contraponto do sermão do monte, por sua vez pode ser uma mishnah que destoa do corpus do resto do texto chamado Mateus. O trecho dos capítulos 23 a 25 demonstra o apocalipticismo de Jesus, inclusive num copia e cola do “apocalipse dos animais” de Enoque.

 O “reino de Deus” (leia-se governo/político) repetido nos discursos de Jesus é um conceito apocalíptico, escatológico. Não é um reino de amigos, nem de ursinhos carinhosos e seus arcos-íris. É um reino que depõe outros à base de violência, e reordenamento cósmico.

Por isso Jesus, no que se conhece como primeiro texto escrito do Novo Testamento, 1 Tessalonicenses é associado narrativamente a um herói grego muito antigo, Alexandre, o grande. Alexandre, destronou impérios e conquistou o mundo. Para os tessalônicos fez todo o sentido.

A volta de Jesus, o arrebatamento, o juízo final, e o fim do mundo na cosmovisão do Novo Testamento são da natureza apocalíptica, violenta, para recompensar aos seguidores do movimento de Jesus verem a derrocada de Roma, a nova Babilônia, que destruiu a cidade santa e o templo.”

Texto de Wellington Barbosa via twitter

Garanta já seu ingresso para o curso ministrado por Wellington Barbosa e Angela Natel em outubro de 2023 - Curso “World of Dragons: Daniel e a literatura apocalíptica”.

Informações e inscrições: https://angelanatel.wordpress.com/2023/04/03/curso-world-of-dragons-daniel-e-a-literatura-apocaliptica-6/

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A construção teológica de um Jesus manso e suave se contrapõe à figura de pregador apocalíptico que o conduziu à sua morte.

 


“A construção teológica de um Jesus manso e suave se contrapõe à figura de pregador apocalíptico que o conduziu à sua morte. Não seria a subversão de uma mensagem de amor que causaria revolta nos partidos religiosos daquela época, mas discurso baseado em estilo: apocalipticismo.
Naqueles dias histórias famosas como a revolta dos Macabeus, eram contadas em rodas de conversa. Havia vasta literatura apocalíptica “subversiva” do dito judaísmo do segundo templo. O Novo Testamento cita diretamente essas literaturas por diversas vezes, caso do Livro de Enoque.
O próprio Jesus teria citado diretamente o Livro de Enoque, quem conhece a literatura de Enoque, sabe que os salmos imprecatórios são nada perto da violência nesse texto. Apocalíptica, tipo de linguagem de Jesus, Paulo, Enoque, João de Patmos baseia-se em retribuição cósmica.

Não existe amor em linguagem apocalíptica. Existe “vingança divina”. Essa esperança dos inimigos rendidos, lançados em lagos de fogo, amarrados por mil anos e uma cidade (cheia de riquezas e recompensas) que desce dos céus é o puro suco da apocalíptica.

O contraponto do sermão do monte, por sua vez pode ser uma mishnah que destoa do corpus do resto do texto chamado Mateus. O trecho dos capítulos 23 a 25 demonstra o apocalipticismo de Jesus, inclusive num copia e cola do “apocalipse dos animais” de Enoque.

 O “reino de Deus” (leia-se governo/político) repetido nos discursos de Jesus é um conceito apocalíptico, escatológico. Não é um reino de amigos, nem de ursinhos carinhosos e seus arcos-íris. É um reino que depõe outros à base de violência, e reordenamento cósmico.

Por isso Jesus, no que se conhece como primeiro texto escrito do Novo Testamento, 1 Tessalonicenses é associado narrativamente a um herói grego muito antigo, Alexandre, o grande. Alexandre, destronou impérios e conquistou o mundo. Para os tessalônicos fez todo o sentido.

A volta de Jesus, o arrebatamento, o juízo final, e o fim do mundo na cosmovisão do Novo Testamento são da natureza apocalíptica, violenta, para recompensar aos seguidores do movimento de Jesus verem a derrocada de Roma, a nova Babilônia, que destruiu a cidade santa e o templo.”

Texto de Wellington Barbosa via twitter

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Informações e inscrições: https://angelanatel.wordpress.com/2023/04/03/curso-world-of-dragons-daniel-e-a-literatura-apocaliptica-6/