sexta-feira, 24 de maio de 2019

Arqueólogo da Universidade de Tel Aviv participa de Curso de Extensão na Metodista —

Foi um privilégio estar lá!



Arqueólogo da Universidade de Tel Aviv participa de Curso de Extensão na Metodista —

Consciência crítica.


O pensamento crítico, questionador, científico, avaliador, não é uma "invenção" da esquerda. É com ele que checamos as fontes para ver se notícias procedem ou não, e ainda que procedam analisamos o raciocínio de quem escreveu e também a linha de pensamento do conteúdo buscando ver se está tendencioso, equivocado, completamente errado ou certo.
Vejo com preocupação a recente onda do evangelicalismo na qual o pensar de forma crítica é igualado ao "ser de esquerda" ou ser contra o governo. Me parece que os queridos evangélicos estão esquecendo de ler o texto que consideram sagrado: a Bíblia.
Na Bíblia de evangélicos, católicos, cristãos de modo geral, está escrito que temos de:
- Conferir.
- Investigar.
- Analisar.
- Raciocinar.
- Racionalizar.
- Questionar.
- Comparar.
- Discernir (separar).
- Renovar a mente.
- Usar a mente.
- Não acreditar em tudo o que se diz.
- Ir às fontes e raízes.
- Usar a prudência, a razão e o bom senso.
- Abrir mão da infantilidade no modo de pensar e agir.
- Aplicar a ciência.
- Examinar.
- Estudar.
- Aprender.
- Aplicar.
- Persuadir, apresentar teses e argumentos.
- Dedicar-nos à explicação das coisas.
- Pensar, e pensar muito - o mesmo que filosofar ou seja: aprender como se pensa, a história, os métodos e as avenidas do pensamento.
- E, muitas outras coisas semelhantes. portanto:
É cristão quem confere, investiga, analisa e aplica todas estas coisas e outras semelhantes. Conferir o que?
- As notícias.
- As declarações, políticas, discurso e ações de governantes, políticos, pastores, padres, líderes e outros em posição de autoridade.
- Livros, material, músicas, filmes, vídeos, propagandas.
Enfim, vou parar por aqui senão terei de desenhar! Vocês estão entendendo.
Um cristão que não faz essas coisas é cristão? Não. É apenas frequentador de entretenimento dominical gospel.
Por que não é cristão? Porque não faz o que Jesus fazia.
Jesus fazia essas coisas? Fazia. Leia sua Bíblia.
Quem não fazia essas coisas? O Diabo. Ele queria que todas as idéias e governos fossem aceitos sem filtros. Conseguiu várias vezes e vai continuar conseguindo enquanto os que se dizem evangélicos não abrirem os olhos.
Há pastores servindo ao Diabo então? Sim. Muitos! Não dá nem pra contar! Cada um que prega a ignorância e a falta de pensamento crítico para sua igreja ou grupo é um anticristo.
Esta é uma palavra dura? Pode ser. Mas, duro mesmo é assistir as guerras, os ataques, a ignorância, violência cultural, educacional, psicologica e mental sendo praticada por "irmãos" uns contra os outros.
Como praticamos isso? Cada vez que atacamos com unhas e dentes quem questiona o governo.
Se há um povo que deveria resistir aos berrantes do admirável gado novo e pensar de forma crítica deveria ser o povo cristão. Mas, talvez essa era tenha passado mesmo...
O talibanismo gospel do "Evangequistão" é pior do que o original, e parece que veio pra ficar...
O califado da ignorância é celebrado ao toque de Shofar e com danças proféticas ungidas. Tô fora!
E você?

Ebenézer Paz

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Aos alunos, com carinho:






Coisas para pensar, me desafiar, aprender. O quão limitados somos! É tão bom caminhar com Jesus e me permitir ser transformada, ser moldada.
Cada contato que estabeleço, os riscos que assumo, as pontes que atravesso em direção a quem pensa diferente de mim me ajudam a firmar o meu passo no serviço e me agarrar somente no único que é inegociável: o próprio Cristo.
Ele mesmo sabe o quanto eu desejo que todos aqueles que um dia me ouviram ensinar percebam que ainda estamos no caminho, ainda há muito a aprender.
Tanta coisa já me aconteceu, não sou a mesma de há um ano atrás, quem dirá de antes!
Graças a Deus que Ele tem tamanha paciência conosco, e só Ele pode traduzir ao coração de meus alunos de antes, de agora e do futuro sobre essas questões, mas também sobre o quanto os amo, o quanto me preocupo com cada um deles e o quanto desejo que não sejam presos aos moldes, caixas, rótulos e estigmas que este século tenta nos impôr.
Que nossos olhos permaneçam fixos em Jesus, de fato, e que nossos dogmas e doutrinas não tomem o lugar que só a Ele pertence em nossa vida.
Angela Natel

terça-feira, 21 de maio de 2019

O cristão e a oração pelas autoridades


 
"Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade". (1 Timóteo 2.1-2)
 
"Vi recentemente um debate entre cristãos sobre qual deve ser a postura de muitos em relação ao presidente e autoridades políticas em geral. Há aqueles que afirmam que deve haver um apoio incondicional da igreja, e os que defendem uma oposição incondicional. Para além das pessoas que não se enquadram nesses extremos, achei curioso uns cristãos tidos como progressistas afirmando que não oram pelo presidente, pois, na visão deles, tal oração implicaria necessariamente em apoiar o seu governo. Nesse raciocínio, orar para esse governo "dar certo" seria torcer para que suas propostas sejam aprovadas, o que prejudicaria o povo. Já os cristãos tidos como conservadores afirmam a ideia de que toda autoridade é constituída por Deus, daí a oposição ao governo é pecaminosa por ser uma ação contra a ordenança divina. Não acho que a Matemática seja tão simples em nenhum dos dois casos.
 
Na verdade, crer que toda a autoridade é constituída por Deus não é o mesmo que dar uma carta branca ao governante, que poderia contar com a resignação dos cristãos. O que legitima um governante não é o fato de ocupar um cargo de autoridade, e sim o fato de que esse cargo deve cumprir uma função, daí sim ele será uma "autoridade autorizada" e legítima. No texto de Romanos 13, a função do governo é louvar e servir quem faz o bem, e punir os malfeitores. Logo, é o cumprimento dessa função que autoriza ou não um governante, conferindo-lhe legitimidade para governar. Um governo que não garante isso à sua população não está cumprindo a sua função, o que lhe traz uma "desautorização", legitimando a oposição, visto que é a consciência do cristão que serve de base para a sua obediência, e não o medo da punição. Mas, para além disso, há outras atribuições esperadas de um governante. Em Jeremias 22, Deus afirma que cabe a quem governa promover a justiça, o que não implica apenas em um aspecto punitivo, e sim em livrar as vítimas de opressores e proteger vulneráveis como o estrangeiro, o órfão e a viúva. Essa ação do governante está diretamente associada ao seu serviço a Deus, e seu descumprimento de função é tido como traição e idolatria, pois o próprio Deus é apresentado como quem alimenta o faminto, levanta os abatidos e se opõe aos perversos (Salmo 146), sendo essa a justiça que deve servir de base a qualquer governo. Como está no texto de 1 Timóteo 2, oramos para ter uma vida tranquila e pacífica, com piedade e dignidade, e não temos como viver dessa forma enquanto um governo promove injustiças.
 
Eu oro pelo presidente, para que Deus lhe guarde e dê sabedoria, e oro para que Deus não permita a aprovação das reformas propostas pelo atual governo. Isso está longe de ser uma infantilidade como "torcer contra" (quem fala isso deve achar que um time de futebol vence em função de sua torcida, e não da qualidade do time ou da equipe técnica). Na verdade, a questão está precisamente em definir o que é "dar certo". Há quem entenda que para um governo "dar certo" ele tem que aprovar as suas propostas e promover o crescimento da economia do país. Tal pensamento está incorreto, pois um país que enriquece, e não garante o direito dos mais pobres, não está cumprindo sua função, que é, antes de tudo, promover uma justiça de restauração aos carentes. Para um governo dar certo, seu cuidado deve ser primeiramente com os mais pobres e vulneráveis social e economicamente. É nesse sentido que eu oro: para que o governo tenha sucesso na garantia de direitos aos que passam mais dificuldades. Se o governo se propõe a fazer o contrário disso, eu mantenho a minha oração, que necessariamente será contrária a quem esteja ocupando um cargo de governo.
 
Figuras como Bolsonaro, Dória, Witzel, dentre outros, são desprezíveis politicamente, pois querem por em prática políticas perversas que prejudicam diretamente os mais pobres. Ainda assim, sendo governantes, oro por eles, para que mudem de postura, e lhes faço oposição, pois enquanto mantém suas políticas desumanas eles perdem a legitimidade e o consentimento popular para continuarem seus governos. Importante dizer que qualquer apoio ou oposição a um governo não envolve necessariamente a ideologia do mesmo, e sim uma análise de como suas propostas podem promover uma vida tranquila e a liberdade à sua população, o que está de acordo com a justiça divina. Vale ressaltar que em uma Democracia a autoridade primeira não é o governante, mas o povo, que pode desautorizar e retirar do poder quem ocupa um cargo político. Se tais governantes não mudarem de postura, e mantiverem propostas contrárias à justiça divina, eu os tenho como inimigos, e farei toda oposição possível para que seus governos não realizem suas práticas perversas, mas ainda assim manterei minha oração para que Deus os abençoe e mude seus corações, mesmo que isso não ocorra, ou que seja preciso o fim do seu governo. Afinal, não devemos orar só por nossos amigos, mas também pelos nossos inimigos e pelos que nos perseguem. Quando não aceito as atrocidades de governantes, e rogo em suas vidas o amor divino, estou lhes fazendo oposição, e reconhecendo que Deus não legitima governos que não sejam promotores da vida."
 

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Doutrinação



Lutemos contra toda a programação mental
Que faz com que não haja questionamento,
Que formata as mentes e os corações
Incapacitando-os a pensar.
Chega de repetições acríticas e incondicionais,
Chega de nos considerarmos donos da verdade
E experts em assuntos sobre os quais não nos debruçamos atentamente.

Chega de superficialidade no pensamento,
De juízos de valor,
De dicotomias reducionistas.

Quer saber o pensamento de um autor?
Leia suas obras
Não apenas uma, não apenas frases isoladas, fora de contexto.
Não se ache expert por um curso, um treinamento, um seminário.
Não seja raso em seus estudos, em suas pesquisas.
Superficialidade nos torna vulneráveis,
Manipuláveis.

Por uma escola e uma igreja sem partido,
Cuja pátria está no céu.
Pelo Reino de Deus nos corações humanos,
Que traz libertação através da verdade
Que é uma pessoa, não uma postulação.

Chega de doutrinação!
Pois nem a Bíblia se preza a isso,
É um livro de revelação
Que provoca teologia -
A resposta para uma relação.

Não são dogmas, doutrinas,
Lista moral,
Mas vida, relacionamento,
Verdade encarnada em Cristo.

Porém as pessoas que chamam’ igreja’ de lugar
Insistem em listar dogmas
Excludentes por natureza
Afastando as pessoas da revelação
Da pessoa de Jesus
- Deus encarnado.

Chega de doutrinação!
Chega de usar a Bíblia para fazer ciência,
Substituindo relacionamento por filosofias.

Chega de defender o indefensável,
Ignorando o apofatismo necessário
Para nos colocar em nosso lugar.

Chega de adorar Mamom,
Matando pessoas em nome de coisas,
Propriedades, posses.
Não use o dinheiro ou qualquer tipo de ajuda
Para controlar as pessoas, mudá-las,
Nem as manipular à sua vontade.
As pessoas não estão à venda,
E não servimos ao dinheiro.
Pessoas valem mais do que coisas
e a necessidade prevalece sobre o direito
- este é um princípio da Torah!

Chega de sermos rasos em nosso estudo,
Em nossa pesquisa,
Debatendo com base em frases isoladas
Fora de contexto,
Em leituras únicas da realidade,
Em videozinhos do youtube,
Isentos de referências,
Inseridos em nossa confortável bolha de ideias.

Levantemo-nos contra a doutrinação
Que nos impede de olhar pelos olhos do outro,
Que nos isola e nos faz pensarmos ser superiores,
Que nos prende à letra e nos afasta do espírito.

Sim, levantemo-nos juntos contra o boicote do outro,
Contra sua aniquilação
E nos recusemos a ouvir a versão única da história,
Contada pelos vencedores.

Levantemo-nos contra a violência
Que nos faz inimigos de carne e sangue,
Ignorando a real batalha dentro de nós mesmos.

Fujamos da programação mental
Que nos põe na ponta da língua respostas prontas
Ativadas ao som de determinadas palavras
Que ouvimos de nossos interlocutores.
Fujamos do ataque gratuito
A quem encaixamos na fôrma de nosso inimigo.

Não existe uma única forma de pensar,
De classificar, de aprender.
Somos complexos demais,
Diferentes, assim como nossos contextos
E experiências.
Como julgar?
Como assumir posicionamentos cimentados
Com base em meios de informação tão rasos
Manipuladores, dignos de questionamento?

Quem há que seja inquestionável?
Cuja palavra deve ser aceita como lei,
Incondicionalmente?
As mensagens de Whatsapp que você recebe?
As falas de seu ídolo político?
De seu autor favorito?
Não somos todos passíveis de erro?

Então não me classifique
Em seus rótulos tão limitantes,
Nem pense que pode me definir
Com base no pouco que sabe a meu respeito.

Se não me quer por perto,
Diga, mas não boicote meu trabalho,
Principalmente se não vê problemas nele.

Assine seu nome no que diz e faz,
Não use o nome de Deus,
Para assinar suas cagadas, suas manipulações,
Suas tentativas de controlar a vida dos outros.

Então fora toda doutrinação,
Todo pensamento excludente,
Que se põe acima de outros.

A verdade é uma pessoa,
Deus encarnado.
Não se pode defini-lo com exatidão.
Resta-nos segui-lo
Em humildade e disposição
Para o aprendizado.

Não sejamos doutrinados.
Sejamos filhos de Deus,
Pacificadores,
De ouvidos atentos ao clamor dos necessitados,
Prontos para ouvir,
Tardios para falar,
Não juízes, irmãos.

Quebremos o ciclo da programação mental,
Da repetição inquestionável,
Da condenação e da presunção.
Saiamos da bolha bipartidária
E observemos o caleidoscópio da criação.

Angela Natel – 08/05/2019.

terça-feira, 7 de maio de 2019

Arqueólogo da Universidade de Tel Aviv participa de Curso de Extensão na Metodista —

Foi um privilégio estar lá!



Arqueólogo da Universidade de Tel Aviv participa de Curso de Extensão na Metodista —

Consciência crítica.


O pensamento crítico, questionador, científico, avaliador, não é uma "invenção" da esquerda. É com ele que checamos as fontes para ver se notícias procedem ou não, e ainda que procedam analisamos o raciocínio de quem escreveu e também a linha de pensamento do conteúdo buscando ver se está tendencioso, equivocado, completamente errado ou certo.
Vejo com preocupação a recente onda do evangelicalismo na qual o pensar de forma crítica é igualado ao "ser de esquerda" ou ser contra o governo. Me parece que os queridos evangélicos estão esquecendo de ler o texto que consideram sagrado: a Bíblia.
Na Bíblia de evangélicos, católicos, cristãos de modo geral, está escrito que temos de:
- Conferir.
- Investigar.
- Analisar.
- Raciocinar.
- Racionalizar.
- Questionar.
- Comparar.
- Discernir (separar).
- Renovar a mente.
- Usar a mente.
- Não acreditar em tudo o que se diz.
- Ir às fontes e raízes.
- Usar a prudência, a razão e o bom senso.
- Abrir mão da infantilidade no modo de pensar e agir.
- Aplicar a ciência.
- Examinar.
- Estudar.
- Aprender.
- Aplicar.
- Persuadir, apresentar teses e argumentos.
- Dedicar-nos à explicação das coisas.
- Pensar, e pensar muito - o mesmo que filosofar ou seja: aprender como se pensa, a história, os métodos e as avenidas do pensamento.
- E, muitas outras coisas semelhantes. portanto:
É cristão quem confere, investiga, analisa e aplica todas estas coisas e outras semelhantes. Conferir o que?
- As notícias.
- As declarações, políticas, discurso e ações de governantes, políticos, pastores, padres, líderes e outros em posição de autoridade.
- Livros, material, músicas, filmes, vídeos, propagandas.
Enfim, vou parar por aqui senão terei de desenhar! Vocês estão entendendo.
Um cristão que não faz essas coisas é cristão? Não. É apenas frequentador de entretenimento dominical gospel.
Por que não é cristão? Porque não faz o que Jesus fazia.
Jesus fazia essas coisas? Fazia. Leia sua Bíblia.
Quem não fazia essas coisas? O Diabo. Ele queria que todas as idéias e governos fossem aceitos sem filtros. Conseguiu várias vezes e vai continuar conseguindo enquanto os que se dizem evangélicos não abrirem os olhos.
Há pastores servindo ao Diabo então? Sim. Muitos! Não dá nem pra contar! Cada um que prega a ignorância e a falta de pensamento crítico para sua igreja ou grupo é um anticristo.
Esta é uma palavra dura? Pode ser. Mas, duro mesmo é assistir as guerras, os ataques, a ignorância, violência cultural, educacional, psicologica e mental sendo praticada por "irmãos" uns contra os outros.
Como praticamos isso? Cada vez que atacamos com unhas e dentes quem questiona o governo.
Se há um povo que deveria resistir aos berrantes do admirável gado novo e pensar de forma crítica deveria ser o povo cristão. Mas, talvez essa era tenha passado mesmo...
O talibanismo gospel do "Evangequistão" é pior do que o original, e parece que veio pra ficar...
O califado da ignorância é celebrado ao toque de Shofar e com danças proféticas ungidas. Tô fora!
E você?

Ebenézer Paz

Aos alunos, com carinho:






Coisas para pensar, me desafiar, aprender. O quão limitados somos! É tão bom caminhar com Jesus e me permitir ser transformada, ser moldada.
Cada contato que estabeleço, os riscos que assumo, as pontes que atravesso em direção a quem pensa diferente de mim me ajudam a firmar o meu passo no serviço e me agarrar somente no único que é inegociável: o próprio Cristo.
Ele mesmo sabe o quanto eu desejo que todos aqueles que um dia me ouviram ensinar percebam que ainda estamos no caminho, ainda há muito a aprender.
Tanta coisa já me aconteceu, não sou a mesma de há um ano atrás, quem dirá de antes!
Graças a Deus que Ele tem tamanha paciência conosco, e só Ele pode traduzir ao coração de meus alunos de antes, de agora e do futuro sobre essas questões, mas também sobre o quanto os amo, o quanto me preocupo com cada um deles e o quanto desejo que não sejam presos aos moldes, caixas, rótulos e estigmas que este século tenta nos impôr.
Que nossos olhos permaneçam fixos em Jesus, de fato, e que nossos dogmas e doutrinas não tomem o lugar que só a Ele pertence em nossa vida.
Angela Natel

O cristão e a oração pelas autoridades


 
"Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade". (1 Timóteo 2.1-2)
 
"Vi recentemente um debate entre cristãos sobre qual deve ser a postura de muitos em relação ao presidente e autoridades políticas em geral. Há aqueles que afirmam que deve haver um apoio incondicional da igreja, e os que defendem uma oposição incondicional. Para além das pessoas que não se enquadram nesses extremos, achei curioso uns cristãos tidos como progressistas afirmando que não oram pelo presidente, pois, na visão deles, tal oração implicaria necessariamente em apoiar o seu governo. Nesse raciocínio, orar para esse governo "dar certo" seria torcer para que suas propostas sejam aprovadas, o que prejudicaria o povo. Já os cristãos tidos como conservadores afirmam a ideia de que toda autoridade é constituída por Deus, daí a oposição ao governo é pecaminosa por ser uma ação contra a ordenança divina. Não acho que a Matemática seja tão simples em nenhum dos dois casos.
 
Na verdade, crer que toda a autoridade é constituída por Deus não é o mesmo que dar uma carta branca ao governante, que poderia contar com a resignação dos cristãos. O que legitima um governante não é o fato de ocupar um cargo de autoridade, e sim o fato de que esse cargo deve cumprir uma função, daí sim ele será uma "autoridade autorizada" e legítima. No texto de Romanos 13, a função do governo é louvar e servir quem faz o bem, e punir os malfeitores. Logo, é o cumprimento dessa função que autoriza ou não um governante, conferindo-lhe legitimidade para governar. Um governo que não garante isso à sua população não está cumprindo a sua função, o que lhe traz uma "desautorização", legitimando a oposição, visto que é a consciência do cristão que serve de base para a sua obediência, e não o medo da punição. Mas, para além disso, há outras atribuições esperadas de um governante. Em Jeremias 22, Deus afirma que cabe a quem governa promover a justiça, o que não implica apenas em um aspecto punitivo, e sim em livrar as vítimas de opressores e proteger vulneráveis como o estrangeiro, o órfão e a viúva. Essa ação do governante está diretamente associada ao seu serviço a Deus, e seu descumprimento de função é tido como traição e idolatria, pois o próprio Deus é apresentado como quem alimenta o faminto, levanta os abatidos e se opõe aos perversos (Salmo 146), sendo essa a justiça que deve servir de base a qualquer governo. Como está no texto de 1 Timóteo 2, oramos para ter uma vida tranquila e pacífica, com piedade e dignidade, e não temos como viver dessa forma enquanto um governo promove injustiças.
 
Eu oro pelo presidente, para que Deus lhe guarde e dê sabedoria, e oro para que Deus não permita a aprovação das reformas propostas pelo atual governo. Isso está longe de ser uma infantilidade como "torcer contra" (quem fala isso deve achar que um time de futebol vence em função de sua torcida, e não da qualidade do time ou da equipe técnica). Na verdade, a questão está precisamente em definir o que é "dar certo". Há quem entenda que para um governo "dar certo" ele tem que aprovar as suas propostas e promover o crescimento da economia do país. Tal pensamento está incorreto, pois um país que enriquece, e não garante o direito dos mais pobres, não está cumprindo sua função, que é, antes de tudo, promover uma justiça de restauração aos carentes. Para um governo dar certo, seu cuidado deve ser primeiramente com os mais pobres e vulneráveis social e economicamente. É nesse sentido que eu oro: para que o governo tenha sucesso na garantia de direitos aos que passam mais dificuldades. Se o governo se propõe a fazer o contrário disso, eu mantenho a minha oração, que necessariamente será contrária a quem esteja ocupando um cargo de governo.
 
Figuras como Bolsonaro, Dória, Witzel, dentre outros, são desprezíveis politicamente, pois querem por em prática políticas perversas que prejudicam diretamente os mais pobres. Ainda assim, sendo governantes, oro por eles, para que mudem de postura, e lhes faço oposição, pois enquanto mantém suas políticas desumanas eles perdem a legitimidade e o consentimento popular para continuarem seus governos. Importante dizer que qualquer apoio ou oposição a um governo não envolve necessariamente a ideologia do mesmo, e sim uma análise de como suas propostas podem promover uma vida tranquila e a liberdade à sua população, o que está de acordo com a justiça divina. Vale ressaltar que em uma Democracia a autoridade primeira não é o governante, mas o povo, que pode desautorizar e retirar do poder quem ocupa um cargo político. Se tais governantes não mudarem de postura, e mantiverem propostas contrárias à justiça divina, eu os tenho como inimigos, e farei toda oposição possível para que seus governos não realizem suas práticas perversas, mas ainda assim manterei minha oração para que Deus os abençoe e mude seus corações, mesmo que isso não ocorra, ou que seja preciso o fim do seu governo. Afinal, não devemos orar só por nossos amigos, mas também pelos nossos inimigos e pelos que nos perseguem. Quando não aceito as atrocidades de governantes, e rogo em suas vidas o amor divino, estou lhes fazendo oposição, e reconhecendo que Deus não legitima governos que não sejam promotores da vida."
 

Doutrinação



Lutemos contra toda a programação mental
Que faz com que não haja questionamento,
Que formata as mentes e os corações
Incapacitando-os a pensar.
Chega de repetições acríticas e incondicionais,
Chega de nos considerarmos donos da verdade
E experts em assuntos sobre os quais não nos debruçamos atentamente.

Chega de superficialidade no pensamento,
De juízos de valor,
De dicotomias reducionistas.

Quer saber o pensamento de um autor?
Leia suas obras
Não apenas uma, não apenas frases isoladas, fora de contexto.
Não se ache expert por um curso, um treinamento, um seminário.
Não seja raso em seus estudos, em suas pesquisas.
Superficialidade nos torna vulneráveis,
Manipuláveis.

Por uma escola e uma igreja sem partido,
Cuja pátria está no céu.
Pelo Reino de Deus nos corações humanos,
Que traz libertação através da verdade
Que é uma pessoa, não uma postulação.

Chega de doutrinação!
Pois nem a Bíblia se preza a isso,
É um livro de revelação
Que provoca teologia -
A resposta para uma relação.

Não são dogmas, doutrinas,
Lista moral,
Mas vida, relacionamento,
Verdade encarnada em Cristo.

Porém as pessoas que chamam’ igreja’ de lugar
Insistem em listar dogmas
Excludentes por natureza
Afastando as pessoas da revelação
Da pessoa de Jesus
- Deus encarnado.

Chega de doutrinação!
Chega de usar a Bíblia para fazer ciência,
Substituindo relacionamento por filosofias.

Chega de defender o indefensável,
Ignorando o apofatismo necessário
Para nos colocar em nosso lugar.

Chega de adorar Mamom,
Matando pessoas em nome de coisas,
Propriedades, posses.
Não use o dinheiro ou qualquer tipo de ajuda
Para controlar as pessoas, mudá-las,
Nem as manipular à sua vontade.
As pessoas não estão à venda,
E não servimos ao dinheiro.
Pessoas valem mais do que coisas
e a necessidade prevalece sobre o direito
- este é um princípio da Torah!

Chega de sermos rasos em nosso estudo,
Em nossa pesquisa,
Debatendo com base em frases isoladas
Fora de contexto,
Em leituras únicas da realidade,
Em videozinhos do youtube,
Isentos de referências,
Inseridos em nossa confortável bolha de ideias.

Levantemo-nos contra a doutrinação
Que nos impede de olhar pelos olhos do outro,
Que nos isola e nos faz pensarmos ser superiores,
Que nos prende à letra e nos afasta do espírito.

Sim, levantemo-nos juntos contra o boicote do outro,
Contra sua aniquilação
E nos recusemos a ouvir a versão única da história,
Contada pelos vencedores.

Levantemo-nos contra a violência
Que nos faz inimigos de carne e sangue,
Ignorando a real batalha dentro de nós mesmos.

Fujamos da programação mental
Que nos põe na ponta da língua respostas prontas
Ativadas ao som de determinadas palavras
Que ouvimos de nossos interlocutores.
Fujamos do ataque gratuito
A quem encaixamos na fôrma de nosso inimigo.

Não existe uma única forma de pensar,
De classificar, de aprender.
Somos complexos demais,
Diferentes, assim como nossos contextos
E experiências.
Como julgar?
Como assumir posicionamentos cimentados
Com base em meios de informação tão rasos
Manipuladores, dignos de questionamento?

Quem há que seja inquestionável?
Cuja palavra deve ser aceita como lei,
Incondicionalmente?
As mensagens de Whatsapp que você recebe?
As falas de seu ídolo político?
De seu autor favorito?
Não somos todos passíveis de erro?

Então não me classifique
Em seus rótulos tão limitantes,
Nem pense que pode me definir
Com base no pouco que sabe a meu respeito.

Se não me quer por perto,
Diga, mas não boicote meu trabalho,
Principalmente se não vê problemas nele.

Assine seu nome no que diz e faz,
Não use o nome de Deus,
Para assinar suas cagadas, suas manipulações,
Suas tentativas de controlar a vida dos outros.

Então fora toda doutrinação,
Todo pensamento excludente,
Que se põe acima de outros.

A verdade é uma pessoa,
Deus encarnado.
Não se pode defini-lo com exatidão.
Resta-nos segui-lo
Em humildade e disposição
Para o aprendizado.

Não sejamos doutrinados.
Sejamos filhos de Deus,
Pacificadores,
De ouvidos atentos ao clamor dos necessitados,
Prontos para ouvir,
Tardios para falar,
Não juízes, irmãos.

Quebremos o ciclo da programação mental,
Da repetição inquestionável,
Da condenação e da presunção.
Saiamos da bolha bipartidária
E observemos o caleidoscópio da criação.

Angela Natel – 08/05/2019.

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