Evidências
de DNA podem abalar teorias arqueológicas estabelecidas e trazer de volta ao
debate aquelas que haviam sido descartadas. A ideia de que as línguas
indo-europeias se originaram na terra natal dos Yamnaya foi estabelecida em
1956 pela arqueóloga lituano-estadunidense Marija Gimbutas. Sua perspectiva,
conhecida como hipótese dos Kurgans — nomeada em referência aos distintos
montes funerários que se espalharam para o oeste pela Europa —, é atualmente a
teoria mais aceita sobre as origens linguísticas indo-europeias. No entanto,
enquanto muitos arqueólogos vislumbravam um processo gradual de difusão
cultural, Gimbutas via "ondas contínuas de expansão ou incursões". Gimbutas
levantou a hipótese de que, anteriormente na Europa, homens e mulheres ocupavam
posições relativamente iguais em uma sociedade pacífica, centrada no feminino e
dedicada ao culto de uma Deusa — fato evidenciado pelas famosas estatuetas femininas
da época. Ela acredita que os nômades das estepes do Cáspio impuseram uma
cultura guerreira dominada por homens, marcada pela violência, pela
desigualdade sexual e pela estratificação social, na qual as mulheres eram
submissas aos homens e uma pequena elite masculina concentrava a maior parte da
riqueza e do poder.
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