Nossas sensações e aprendizados nem sempre funcionam de
acordo com os ponteiros do tempo cronológico.
A passagem temporal nem sempre implica em uma evolução, um desenvolvimento. Nas
relações amorosas, por exemplo, vemos que passar mais tempo juntos não
necessariamente vai implicar em uma "evolução" do vínculo, pode
acontecer até o contrário.
Viver anos com alguém não é uma "garantia" de aprofundamento ou de
encantamento, mas a crença nessa hierarquia temporal, em que aquilo que existe
há mais tempo vale mais do que aquilo que é mais recente, acaba por fazer com
que muitas pessoas estranhem quando percebem o contrário acontecer em suas
relações.
- Como assim nessa relação recente parece haver maior confiança e intimidade
que em uma antiga?
- Como assim com essa nova pessoa há o desejo de fazer determinadas coisas que
na relação antiga pareciam inatingíveis?
A sensação de ter sido enganado vem também desse lugar de quem achava que a
passagem do tempo lhe traria algum tipo de garantia.
É como se optar por algo recente significasse um desrespeito com o que é mais
antigo, como se a permanência (a despeito do desejo das pessoas), fosse a única
forma de demonstrar uma gratidão pela história vivida.
A valorização de uma história pode se dar de inúmeras formas para além desse
tipo de culpa.
O que é recente não deveria valer mais nem menos que algo antigo, é
simplesmente outra forma, um outro espaço-tempo.
Descartar o antigo simplesmente porque é antigo ou valorizar o novo apenas por
isso talvez não seja o melhor caminho.
Talvez a pergunta deva ser:
- O que isso me desperta, me inspira?
Me dá vontade de ter mais saúde e liberdade?
Se sim, recente ou antigo, vale a pena.
Geni Nuñez - @genipapos no Instagram
Assista a live “Descatequizar para descolonizar”, com Geni Nuñez em meu canal
no Youtube (Angela Natel) -
https://www.youtube.com/watch?v=mhtXVH-kO3I&t=2113s

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