sábado, 22 de julho de 2023

Reflexões sobre a fixação em cenas: saúde é movimento.

 


A fixação em cenas pode acontecer em muitos contextos e de muitas formas, algumas podem ser resultado de adoecimentos, outras não.
Na paixão, por exemplo, é comum que algumas cenas sejam mais revisitadas que outras, em uma repetição que pode ser bastante prazerosa. A depender de nossa edição, roteiro e trama, colocamos zoom em algum olhar, som, sorriso, sensação.
Como se curadores de uma exposição particular, colocamos ao longo de nossa memória a seleção das cenas que mais nos marcaram.
Também quando passamos por alguma violência é comum que a repetição de determinadas cenas nos atordoe e angustie, como se estivéssemos em um labirinto sem saída.
Para conseguir sair desse tipo de fixidez em muitos casos precisaremos de ajuda, de apoio e amparo.
É importante nos lembrarmos que, ao contrário da fixação nas cenas, sejam quais forem, nossa saúde está no movimento.
Há melodia antes e depois do trecho que o pensamento insiste em reprisar da mesma música, há outras versões, há outras músicas possíveis.
A fixação em um certo tempo, cena ou pessoa é um lembrete de que algo ali enroscou nossos pés de seguir o caminho.
E uma elaboração, um trabalho cuidadoso nos auxilia a acolher nossas pausas.
Assim como o artista que, diante de dezenas de quadros seleciona apenas alguns para sua mostra, que a gente possa retornar para o compilado de memórias de nossas vidas e observar se dentre aquilo que descartamos não há também coisas bonitas.
Se ali onde colocamos ênfase em nossa insuficiência não há também registros do quanto fizemos a partir do que nos era possível.
Reescrever nossas trajetórias, relações e histórias à luz de outras perspectivas não apaga nem anula as violências vividas, mas pode nos trazer vias que não sejam tão marcadas pela culpa e pelo ressentimento.
Que em lugar das fixações, consigamos fazer pausas pelo caminho, admirando, ponderando, lamentando, sentindo, mas permitindo seguir em movimento.
Amores não estáticos convidam sempre ao movimento. Que possamos recontar nossas historias partindo de outros lugares.
Era uma vez... duas vezes, quantas forem.

Geni Nuñez - @genipapos no Instagram
Assista a live “Descatequizar para descolonizar”, com Geni Nuñez em meu canal no Youtube (Angela Natel) -
https://www.youtube.com/watch?v=mhtXVH-kO3I&t=2113s 


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Reflexões sobre a fixação em cenas: saúde é movimento.

 


A fixação em cenas pode acontecer em muitos contextos e de muitas formas, algumas podem ser resultado de adoecimentos, outras não.
Na paixão, por exemplo, é comum que algumas cenas sejam mais revisitadas que outras, em uma repetição que pode ser bastante prazerosa. A depender de nossa edição, roteiro e trama, colocamos zoom em algum olhar, som, sorriso, sensação.
Como se curadores de uma exposição particular, colocamos ao longo de nossa memória a seleção das cenas que mais nos marcaram.
Também quando passamos por alguma violência é comum que a repetição de determinadas cenas nos atordoe e angustie, como se estivéssemos em um labirinto sem saída.
Para conseguir sair desse tipo de fixidez em muitos casos precisaremos de ajuda, de apoio e amparo.
É importante nos lembrarmos que, ao contrário da fixação nas cenas, sejam quais forem, nossa saúde está no movimento.
Há melodia antes e depois do trecho que o pensamento insiste em reprisar da mesma música, há outras versões, há outras músicas possíveis.
A fixação em um certo tempo, cena ou pessoa é um lembrete de que algo ali enroscou nossos pés de seguir o caminho.
E uma elaboração, um trabalho cuidadoso nos auxilia a acolher nossas pausas.
Assim como o artista que, diante de dezenas de quadros seleciona apenas alguns para sua mostra, que a gente possa retornar para o compilado de memórias de nossas vidas e observar se dentre aquilo que descartamos não há também coisas bonitas.
Se ali onde colocamos ênfase em nossa insuficiência não há também registros do quanto fizemos a partir do que nos era possível.
Reescrever nossas trajetórias, relações e histórias à luz de outras perspectivas não apaga nem anula as violências vividas, mas pode nos trazer vias que não sejam tão marcadas pela culpa e pelo ressentimento.
Que em lugar das fixações, consigamos fazer pausas pelo caminho, admirando, ponderando, lamentando, sentindo, mas permitindo seguir em movimento.
Amores não estáticos convidam sempre ao movimento. Que possamos recontar nossas historias partindo de outros lugares.
Era uma vez... duas vezes, quantas forem.

Geni Nuñez - @genipapos no Instagram
Assista a live “Descatequizar para descolonizar”, com Geni Nuñez em meu canal no Youtube (Angela Natel) -
https://www.youtube.com/watch?v=mhtXVH-kO3I&t=2113s