quarta-feira, 24 de maio de 2023

Por que você não disse? ou Por que eu não (me) escuto?

 


Nem sempre o que temos a dizer é algo fácil de ser dito, seja pelo conteúdo, seja por nosso receio de desagradar, entre outros tantos motivos.
Conversa é relacional, por isso não adianta só cobrar que a outra pessoa fale o que tem de ser dito se o espaço da escuta for ausente.
Por temer a reação do outro, suas chantagens, distorções, ameaças e punições, muitas pessoas adiam ou atenuam o que têm de dizer.
Nem sempre é fácil simplesmente só se afastar, há dependências financeiras, emocionais, de toda ordem.
Antes de apenas cobrar o outro que te fale a verdade, há que se averiguar se há mesmo alguma abertura para escuta.
Por outro lado, não falar aquilo que nos é importante, mesmo quando há contexto para isso, pode apontar para uma subestimação do outro.
Acreditamos que a pessoa não terá condições de ouvir, que não aguentará viver sem nós, que ela é muito fraca.
Há aí uma série de projeções que diz muito sobre o hipervalor que atribuímos a nós mesmos na vida de outra pessoa, esquecendo que ela tem sua própria história anterior e posterior a nós.
É também um meio de responder pelo outro antes mesmo de perguntar a ele suas próprias percepções.
Não é uma forma de cuidado continuar com alguém por pena, pelo contrário.
Além disso, há vezes em que não queremos lidar com a possibilidade de deixarmos de ser os "bonzinhos", queremos que todo mundo nos ame, nos veja sempre da melhor forma, que nunca haja conflito, mas isso não é possível se formos minimamente autênticos.
Há que se abrir espaço para escutar(se) e compreender o porquê de não estarmos dizendo aquilo que é fundamental para nossa saúde.
É comum que a cena que fantasiamos sobre o que acontecerá se falarmos seja muito mais terrível que a realidade. Sendo ou não, o preço do não dito também é alto.
Se já foi falado mas não houve escuta, porque insistir em desperdiçar as palavras?
Talvez aí, precisemos acrescentar uma outra questão, que também nos convoque a uma co-responsabilização:
- por que eu não (me)escuto?

Geni Nuñez - @genipapos no Instagram
Assista a live “Descatequizar para descolonizar”, com Geni Nuñez em meu canal no Youtube (Angela Natel) -
https://www.youtube.com/watch?v=mhtXVH-kO3I&t=2113s 


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Por que você não disse? ou Por que eu não (me) escuto?

 


Nem sempre o que temos a dizer é algo fácil de ser dito, seja pelo conteúdo, seja por nosso receio de desagradar, entre outros tantos motivos.
Conversa é relacional, por isso não adianta só cobrar que a outra pessoa fale o que tem de ser dito se o espaço da escuta for ausente.
Por temer a reação do outro, suas chantagens, distorções, ameaças e punições, muitas pessoas adiam ou atenuam o que têm de dizer.
Nem sempre é fácil simplesmente só se afastar, há dependências financeiras, emocionais, de toda ordem.
Antes de apenas cobrar o outro que te fale a verdade, há que se averiguar se há mesmo alguma abertura para escuta.
Por outro lado, não falar aquilo que nos é importante, mesmo quando há contexto para isso, pode apontar para uma subestimação do outro.
Acreditamos que a pessoa não terá condições de ouvir, que não aguentará viver sem nós, que ela é muito fraca.
Há aí uma série de projeções que diz muito sobre o hipervalor que atribuímos a nós mesmos na vida de outra pessoa, esquecendo que ela tem sua própria história anterior e posterior a nós.
É também um meio de responder pelo outro antes mesmo de perguntar a ele suas próprias percepções.
Não é uma forma de cuidado continuar com alguém por pena, pelo contrário.
Além disso, há vezes em que não queremos lidar com a possibilidade de deixarmos de ser os "bonzinhos", queremos que todo mundo nos ame, nos veja sempre da melhor forma, que nunca haja conflito, mas isso não é possível se formos minimamente autênticos.
Há que se abrir espaço para escutar(se) e compreender o porquê de não estarmos dizendo aquilo que é fundamental para nossa saúde.
É comum que a cena que fantasiamos sobre o que acontecerá se falarmos seja muito mais terrível que a realidade. Sendo ou não, o preço do não dito também é alto.
Se já foi falado mas não houve escuta, porque insistir em desperdiçar as palavras?
Talvez aí, precisemos acrescentar uma outra questão, que também nos convoque a uma co-responsabilização:
- por que eu não (me)escuto?

Geni Nuñez - @genipapos no Instagram
Assista a live “Descatequizar para descolonizar”, com Geni Nuñez em meu canal no Youtube (Angela Natel) -
https://www.youtube.com/watch?v=mhtXVH-kO3I&t=2113s