Se pedirmos para duas,
três ou mais pessoas narrarem um mesmo dia que passaram juntas, veremos que
cada uma contará uma história diferente sobre o que aconteceu.
Também numa relação, embora haja a ilusão de uma
completa simetria, as sensações, percepções e lembranças serão construídas a
partir da história de vida de cada pessoa, de sua posição social, de sua
singularidade.
Por vezes o que não é nada para alguém, magoa
profundamente o outro; ou o que é grandioso para um é insignificante para o
outro e assim por diante.
A comunicação não é onipotente, ela não dá conta
de tudo por mais didática que seja e o que uma pessoa fala não necessariamente
vai ser escutado da forma como gostaria por sua interlocutora.
Diante disso, como saber?
Como saber o caminho, a saúde, a força de um
vínculo?
Talvez amar seja mais sobre não saber, sobre o
desconhecido, o mistério e o estranho que sobre aquilo que julgamos conhecer
completamente.
No meio de tanto desencontro, há algo que de
repente conversa e sintoniza nossas ondas.
Nesse agridoce que, inesperadamente, combina,
que é possível a gente sentir que naquela relação temos um pouquinho de lar.
E pode ser que essa casa de hoje não o seja
daqui um tempo e quando isso acontecer, saberemos.
Quando não fizer mais sentido contar e ouvir
histórias por esse telefone sem fio, quando a memória estiver esfriado, as
lembranças estiverem esmaecidas e já não houver o desejo de construir outras,
saberemos que o amor ressecou. E aí não adianta tentar artificialmente
reavivar, não é culpa de ninguém quando um ciclo termina.
Mas enquanto esse dia não chega, ainda quero
fofocar com você.
Geni Nuñez -
@genipapos no Instagram
Assista a live “Descatequizar para descolonizar”, com Geni Nuñez em meu canal
no Youtube (Angela Natel) -
https://www.youtube.com/watch?v=mhtXVH-kO3I&t=2113s

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