A ideia de propriedade privada está diretamente ligada à branquitude e à colonização.
O Brasil se funda no roubo dos territórios originários, na espoliação de nosso tempo, na exploração de nosso trabalho.
Ao mesmo tempo que nos roubaram e nos roubam, fazem uma inversão: nos chamam de invasores, de ladrões de suas vagas nas universidades, de suas bolsas na rua.
O "fantasma do comunismo" também age nessa esfera, esse medo de que "seus" bens sejam redistribuídos, expropriados.
Não reconhecem que, na verdade, quem rouba de todos para deixar na mão de poucos é o capitalismo.
A monogamia também faz parte dessas lógicas, quando vemos que nela a ideia de posse e propriedade é central.
Ao contrário do que pensam, não é a não monogamia que "rouba" seus maridos e esposas. É justamente a monogamia que inventa a ideia de que só há 1 vaga disponível, é ela que incita a competição.
É por ela que se garante a preservação da herança.
Não é que agora "sua" terra e "seu" amor terá novo dono, que ocupará o seu lugar. Não, o que desejamos é que esse lugar não exista, simplesmente porque não tem como humanos serem dono da vida e da terra - somos nós que pertencemos a ela.
Não há dinheiro no mundo que compre rios, matas, bichos, tudo é gente e é vida.
Não há combinado nem acordo nem contrato que deveria dar apólices de um ser contra uma outra vida.
Quando abrirem mão dessa obsessão de comprar, controlar e ter posse sobre a terra, os rios, as matas, sobre si e sobre quem dizem amar, aí talvez comecem a viver, mais, a conviver.
É possível amar e ser amado na concomitância, na colevidade, no transbordamento.
Aliás, talvez só assim seja possível.
Texto de Geni Nuñez - @genipapos no Instagram
Assista a live “Descatequizar para descolonizar”, com Geni Nuñez em meu canal no Youtube (Angela Natel) -

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