Amar sem querer
"salvar" o outro, amar sem querer resolver seus problemas, conflitos
etc. é um exercício fundamental para a produção de saúde.
Fazer o bem sem olhar a quem pode ser uma
prática de violência.
Esse "bem" de um pode não ser o bem para
outra pessoa, pode ser que ela não o deseje naquele momento, pode ser que
queira, mas não vindo daquela pessoa, etc.
Essa prática de intervenção, embora seja
bem-vista por muitos, oculta uma série de problemáticas.
A tarefa de tentar traduzir o que uma pessoa
quis dizer a outra é da ordem do impossível, uma vez que nisso está a nossa
percepção do que pensamos que o outro quis dizer e nossa aposta do que
acreditamos que seria a melhor coisa.
Essa tarefa de mediação, esse trabalho de escuta
unilateral não deveria ser exigido de pessoas leigas, muito menos daquelas com
implicações emocionais naquilo.
Não tentar resolver o problema dos outros pode
ser um exercício difícil, mas é muito necessário rumo ao respeito a si e ao
outro.
Pessoas não brancas aprendemos que nosso valor
está sempre em servir o outro, que nossa existência só tem sentido assim.
E nessa "boa intenção" nosso brilho no
olho vai se esmaecendo, porque vamos deixando de lado nossas próprias questões,
nossas próprias demandas.
Atentar para isso não é ser individualista, é
respeitar que "auxílios" não solicitados além de não serem "um
favor", podem ser uma invasão.
Nem tudo que nos é pedido temos condições ou o
dever de atender.
Às vezes por trás da "boazinha" que se
preocupa muito mais com os outros do que consigo está alguém que evita se haver
com o próprio desejo.
A pessoa "boazinha" está sempre
cansada, esgotada e embora nem sempre podemos escolher quando descansaremos, em
algumas situações podemos sim renunciar ao prêmio de "salvador" e
abrir mão de trabalhar como um eterno coadjuvante na vida alheia, seja dos
familiares, amigos, amores.
Construir a própria história e respeitar a
construção da história dos demais talvez seja a única forma de não cultivar
dívidas e ressentimentos.
A gente só faz o que pode, não temos como salvar
nem condenar ninguém, a vida nos excede.
Geni Nuñez - @genipapos no Instagram
Assista a live “Descatequizar para descolonizar”, com Geni Nuñez em meu canal
no Youtube (Angela Natel) -
https://www.youtube.com/watch?v=mhtXVH-kO3I&t=2113s

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