Verdade ou ilusão,
essência ou aparência, superficial ou profundo?
Na lógica binária, tendemos a valorizar a
verdade, essência e profundidade em detrimento dos seus opostos.
A promessa de céu, de elevação e salvação da
alma precisa tentar rebaixar aquilo que seria terreno, falso e da carne para se
garantir como desejada.
Talvez por isso repensar esses valores seja tão
disruptivo: se começarmos a valorizar essa vida que temos e somos sem nos
diminuirmos em relação ao ideal, talvez não queiramos mais pagar o alto preço
do ingresso celeste.
Se em vez de, presunçosamente, tentarmos
descobrir o que é verdadeiro ou falso, buscarmos acolher e adubar valores que
nos promovam a vida e a alegria aqui mesmo?
Na arte, sabemos que é algo é
"mentira" e nem por isso é menos digno, vivo e nutritivo. Porque não
usar esse critério?
Muitas vezes, em relações abusivas, tenta se
convencer a vítima de que "no fundo" o outro é alguém não violento,
que "por dentro", tinha outra intenção.
E com isso se dá mais valor a uma hipótese
positiva do que à violência concreta do que se vive.
Se tivermos como critério a
"aparência" das coisas, podemos economizar um enorme gasto de
energia, pois aparência também é essência.
Se, "aparentemente", alguém só nos
trata com cuidado, gentileza, afeto, escuta, isso é toda a realidade que temos.
Se, "aparentemente" alguém só nos
desrespeita, agride e diminui, essa também é toda realidade que temos
disponível.
Já é muito lidar com as camadas imediatas da
vida, não é nossa responsabilidade ser arqueólogo das emoções e atitudes
alheias, isso não nos cabe.
Se o outro age ao contrário do que "no
fundo" sente, cabe a ele elaborar o porquê de seu autoengano.
Ninguém é "trouxa" por usar como
critérios aquilo que pode ver, tocar, perceber. Não é preciso ter fé na chuva
se ela nos molha, nem no calor do sol se ele nos esquenta.
Há certa busca pela verdade que agride a vida: é
como se o reconhecimento da força de um galho só fosse possível com sua quebra.
A obsessão pela verdade não deveria autorizar
qualquer meio de obtê-la
Amar sem tentar desatar todos os mistérios é
poder descansar e fruir: sabedoria é diferente de conhecimento.
Referência: Livro do
professor Roberto Machado - "Nietzsche e a verdade", 2021.
Geni Nuñez - @genipapos
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"Descatequizar para Descolonizar", com Geni Nuñez em meu canal do
Youtube (Angela Natel), na playlist "Só lives" - acesse o canal pelo
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