domingo, 1 de março de 2009

Quero morrer

Minha vida está destruída.
O médico ontem me disse que as pessoas podem não entender minha reação, mas ninguém gostaria de estar na minha pele.

Ano passado meu marido e eu planejávamos ir para a Nigéria para eu conhecer a família dele. Mas, por causa de minhas crises maníaco-depressivas, ele deu a idéia de, no fim do ano, virmos ao Brasil para o tratamento. Ele, então, planejou uma viagem a Dubai para comprar autopeças que ele iria revender em Moçambique. Enquanto isso, demos entrada no pedido de visto permanente dele e ele prometeu que assim que saísse o visto ele viria para acompanhar meu tratamento, uma vez que o médico enfatizou a necessidade dele estar junto comigo nesse processo. Fizemos os planos de, no máximo, em março deste ano ele estar chegando aqui, e vim no início de dezembro de 2008 para o Brasil.
Passei 3 meses implorando por notícias, pedindo telefonemas, me humilhando e me sentindo rejeitada, esquecida pelo próprio marido. Meus pais, a Igreja e a missão cuidaram de minhas despesas, enquanto ele foi para Dubai e investiu tudo o que tinha, sem guardar nada para uma eventual necessidade.
A autorização para o visto permanente saiu já no início de fevereiro, mas nada alterou os planos dele.
Até ontem, quando perguntei a ele sobre as datas e ele soltou que em maio talvez venha. Desmontei.
Um marido precisa se preocupar com a saúde da esposa.
Nem dinheiro ele manda. Mas a questão não é dinheiro. Esperei 3 meses e estava contando os dias para ele chegar. A cada consulta e fase do tratamento senti o quanto era importante ele estar acompanhando e participando de tudo isso.
Antes de casarmos ele prometeu que nunca ficaríamos longe sem termos combinado. Mas foi tudo uma mentira.
Tive crises, não dormi à noite, quero morrer.
Quero morrer porque o único homem para quem me entreguei me despreza com tanta facilidade.
Quero morrer porque não aguento mais a vergonha de ter que responder à pergunta 'Onde está teu marido'.
Quero morrer porque o tratamento tem sido mais difícil e penoso, e seria melhor se ele estivesse aqui, mas ele não se importa.
Quero morrer porque mesmo com dinheiro ele não quer vir agora para cá, mesmo que eu precise muito.

Quero morrer, porque nunca um homem me amou.
Quero morrer porque as feridas em minha alma só aumentam.
Quero morrer porque cansei de ser humilhada e desprezada pelo meu próprio marido.

Em maio eu não sei como estarei, mas sei que luto a cada dia para ficar bem, e leva muito tempo e esforço para que eu fique bem. Quando pensei que ía aliviar, contando os dias para ele chegar, depois de 3 meses esperando, ele me diz que não quer vir agora.

Quero morrer...

4 comentários:

Lúcia disse...

Só há Um que pode reconstruir sua vida. Você O conhece, é nosso amigo em comum... Não duvide, tudo vai mudar. Te amo.

dalva disse...

Já estive nessa situação de querer morrer, mas vivi. Estou viva e louvo a Deus, o eterno e soberano dono do Universo, pelo dom da vida. Compreendo-te e como! Também passei pela bipolaridade, da depressão profunda até o estágio hipomaníaco. Foram tempos difíceis, mas que se foram. Lute, faça o tratamento e, no final, você verá que há tempo para todo propósito debaixo do céu. Essa crise não durará para sempre, pois a cada dia Deus renova sua misericórdia para conosco. Querida e maravilhosa Lioness, meu coração está em compasso com o teu, naquilo que é possível dentro de nossa limitada humanidade. Não posso jamais te dizer palavras desesperadas e concordar que a dor deste momento não acabará. Sei que a dor é imensa, mas ela vai passar. Passará. Tua tenacidade de lutadora, com a força que vem do Pai, te conduzirá às águas tranquilas. Que nosso amor coletivo que tem se derramado em súplicas por você possa te dar um pouquinho da medida de quanto o amor Infinito de nosso Pai é grande. Com amor.

Taína disse...

querida, lute por você sempre!

Anderson S. Cabral disse...

ninguém disse que ia ser fácil...

Quero morrer

Minha vida está destruída.
O médico ontem me disse que as pessoas podem não entender minha reação, mas ninguém gostaria de estar na minha pele.

Ano passado meu marido e eu planejávamos ir para a Nigéria para eu conhecer a família dele. Mas, por causa de minhas crises maníaco-depressivas, ele deu a idéia de, no fim do ano, virmos ao Brasil para o tratamento. Ele, então, planejou uma viagem a Dubai para comprar autopeças que ele iria revender em Moçambique. Enquanto isso, demos entrada no pedido de visto permanente dele e ele prometeu que assim que saísse o visto ele viria para acompanhar meu tratamento, uma vez que o médico enfatizou a necessidade dele estar junto comigo nesse processo. Fizemos os planos de, no máximo, em março deste ano ele estar chegando aqui, e vim no início de dezembro de 2008 para o Brasil.
Passei 3 meses implorando por notícias, pedindo telefonemas, me humilhando e me sentindo rejeitada, esquecida pelo próprio marido. Meus pais, a Igreja e a missão cuidaram de minhas despesas, enquanto ele foi para Dubai e investiu tudo o que tinha, sem guardar nada para uma eventual necessidade.
A autorização para o visto permanente saiu já no início de fevereiro, mas nada alterou os planos dele.
Até ontem, quando perguntei a ele sobre as datas e ele soltou que em maio talvez venha. Desmontei.
Um marido precisa se preocupar com a saúde da esposa.
Nem dinheiro ele manda. Mas a questão não é dinheiro. Esperei 3 meses e estava contando os dias para ele chegar. A cada consulta e fase do tratamento senti o quanto era importante ele estar acompanhando e participando de tudo isso.
Antes de casarmos ele prometeu que nunca ficaríamos longe sem termos combinado. Mas foi tudo uma mentira.
Tive crises, não dormi à noite, quero morrer.
Quero morrer porque o único homem para quem me entreguei me despreza com tanta facilidade.
Quero morrer porque não aguento mais a vergonha de ter que responder à pergunta 'Onde está teu marido'.
Quero morrer porque o tratamento tem sido mais difícil e penoso, e seria melhor se ele estivesse aqui, mas ele não se importa.
Quero morrer porque mesmo com dinheiro ele não quer vir agora para cá, mesmo que eu precise muito.

Quero morrer, porque nunca um homem me amou.
Quero morrer porque as feridas em minha alma só aumentam.
Quero morrer porque cansei de ser humilhada e desprezada pelo meu próprio marido.

Em maio eu não sei como estarei, mas sei que luto a cada dia para ficar bem, e leva muito tempo e esforço para que eu fique bem. Quando pensei que ía aliviar, contando os dias para ele chegar, depois de 3 meses esperando, ele me diz que não quer vir agora.

Quero morrer...