quinta-feira, 15 de março de 2018

Mataram a moça.

Mataram a moça.
Meu Deus!
Moça preta, da favela.
Mulher, mãe, não só moça política, politizada.
Corajosa. Enfrentou alguns.
E foi por isso, se bem sabe, que morta foi.
Na guerra do meu país.
Onde coronéis em seus quartéis e cartéis dão a ordem.
Onde já não se sabe quem é quem.
Milícias e malícias, maldade.
Meu Deus.
Sou Marielle. Me coloco como voz dos excluídos.
Pequeninos, pobres, pretos, favelizados.
Quando atiram para matar Marielle,
É contra nós que atiram.
Cada um que se faz voz pelos desfavorecidos, foi assassinado ontem também.
Morremos ontem.
Mataram ela. Matariam a gente, e nos querem matar se formos voz, como ela foi.
Com requintes de crueldade, execução, com alguma tortura para saciar suas mentes perversas e sádicas.
Mas eles não sabem. Não saberão. Jamais.
O sangue do justo clama da terra aos céus.
Rega a semente da coragem.
Que cresce e frutifica, seus frutos são a luta por justiça.
Não se pode matar a Voz que clama pelos pequeninos.
Ela insiste em ressurreições.
E volta ainda mais forte.
Porque, saibam, assassinos e defensores das matanças.
Saibam de uma vez por todas:
O amor vence.
O amor triunfa no final.
Não se pode matar o amor. Ele voluntariamente se entrega.

Gito Wendel

Fonte: https://www.facebook.com/gitowendel/?hc_ref=ARTNwnVjA6Tkonqk2aCLNRLWEP6702JkPbPHdl-jvSGvpJEwMLa0k31xxRzq0U1H0mg&fref=nf

quinta-feira, 8 de março de 2018

Feliz dia Internacional da Mulher!


No dia internacional da mulher, registro aqui minha singela homenagem às 31 mulheres que influenciaram e continuam influenciando minha vida, mulheres a quem admiro e com quem continuo aprendendo. Muito obrigada pela sua singularidade, transparência e coragem.

Feliz dia internacional da mulher!

Angela Natel

quarta-feira, 7 de março de 2018

O que me sobrou?


E, no mais, o que me resta nessa vida?
Uma ferida curada, uma máscara caída.

O chão roto de manchas de sangue
do dedo dilacerado em ansiedade.

Não me sobrou muito além do verniz na cara, brilhando em vaidade.

A pergunta que sobe n'alma, medo, desgosto, da infância o trauma.

A dor que a pressão me traz
e a tentativa de controlar minha vida arregaça.

O que me sobrou? Só um pouco.
O resto do lixo de minha emoção vacilante, inconstante.

De quando tudo é vivido à flor da pele.
Sangue, lágrimas, suor, excremento.
Tudo vivido, jogado na cara.

Depois disso, além disso, não me sobra nada. Sou negativada em meu interior.

Menos que nada: o não ser, reprovada.
Vacilando em respostas, tropeçando nas mesmas pedras.

Errando toda vez que ergo os olhos em busca de aprovação.

Uma história contada ao vento
que, no fim, dá em nada.

Mudança que houve com o tempo,
um sonhar acordada.

Para, então, descobrir que o tempo não existe, que a vida passa, e o que sobrou...
foi nada.

Angela Natel - 06/03/2018.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Qual o seu partido? (A Missão Real)


Qual o seu partido?
Seu lado, sua tendência, sua pendência?
Nessa nossa luta dialética de cada dia
Interagindo nas redes, nas relações
Mostramos nossa verdadeira face
Antes oculta sob as máscaras da conveniência.

Então, qual o seu partido?
Seu lado – o que determina suas escolhas e discursos?
É Batista? Presbiteriano? Anabatista? Luterano?
Sim, qual o seu partido?
Já que estes, há muito, deixaram de seguir o original plano.

Como bons brasileiros seguimos deslumbrados
Com tudo o que procede dos Estados Unidos da América
E como bons seguidores pisamos no mesmo caminho
Levantando bandeiras,
Transformando nossos clubes/igrejas em sedes partidárias
Aonde servimos uma mensagem não acessível a todos.

Evangelho? Qual deles?
O da Bíblia mal interpretada, o da bala para quem não se encaixa,
Ou o que serve ao interesse de alguns?
A escolha é livre, o choro também.

E como os irmãos do Norte,
seguimos defendendo e repetindo discurso alheio,
adestrados por porta vozes vendidos,
prostituídos em sua missão.

A bancada evangélica tem muitos representantes
espalhados pelas esquinas e organizações do país.
Segue em seu grito alucinante
De que é preciso sempre ganhar
Desumanizar e até matar
Para ser feliz.

De que partido você é?
Batista, Presbiteriano, Anabatista, Luterano?
Na missão real há rostos, etnias, diferença,
não bandeiras nacionais - representações das conquistas coloniais.
Porque na missão real não há espaço para triunfalismo,
não há chance para partidarismos denominacionais.

Entretanto, se você não se conformar
Ao padrão desses partidos
Nem se encaixar na visão desses gritos
Então enxergará a missão real que se nos foi apresentada.

Fácil é emitirem veredictos a respeito
Dos que se engajam nessa missão
sem contexto, sem conhecimento de causa.
Encaixotando Deus e seus servos
 na imagem criada sistematicamente em suas mentes e liturgia.

Na missão real você chora, ri, lamenta, reclama,
porque é feito de carne e osso, não de ferro.
Alguns missionários já tentaram suicídio, outros conseguiram,
enquanto os autodenominados cristãos devoram-se uns aos outros
por causa de seus posicionamentos, de seu partidarismo
e de seu evangelho, que não é para todos.

Muitas das vezes, na missão real,
você tomará decisões sem muita convicção
de que está fazendo a coisa certa.
Porque na missão real não há espaço para triunfalismo,
não há chance para partidarismos denominacionais.
Nem tudo é preto e branco, fácil de distinguir.

Na missão real há lágrimas, tristeza,
decepção e dúvida,
já que todas as certezas encontram-se na verdade relacional.

E a verdade?
A verdade é uma pessoa,
não uma ideia a ser defendida com unhas e dentes.
A verdade é testemunhada na missão,
não provada com argumentos e ódio.

É por isso que na missão real
Se tem consciência das limitações,
É um aprendizado e constante, diária correção.
Por isso não é mau mudar de ideia,
parar um pouco, confessar.
Faz bem, faz jus ao nome de cristão.

Mas o que se vê hoje em dia é o avesso da real missão:
máscaras por todo lado,
vida colocada numa balança para ver se é digna de viver
Missionários encaixotados, podados, chantageados
- caso não se encaixem, só tem a perder.


Angela Natel – 20/02/2018

Mataram a moça.

Mataram a moça.
Meu Deus!
Moça preta, da favela.
Mulher, mãe, não só moça política, politizada.
Corajosa. Enfrentou alguns.
E foi por isso, se bem sabe, que morta foi.
Na guerra do meu país.
Onde coronéis em seus quartéis e cartéis dão a ordem.
Onde já não se sabe quem é quem.
Milícias e malícias, maldade.
Meu Deus.
Sou Marielle. Me coloco como voz dos excluídos.
Pequeninos, pobres, pretos, favelizados.
Quando atiram para matar Marielle,
É contra nós que atiram.
Cada um que se faz voz pelos desfavorecidos, foi assassinado ontem também.
Morremos ontem.
Mataram ela. Matariam a gente, e nos querem matar se formos voz, como ela foi.
Com requintes de crueldade, execução, com alguma tortura para saciar suas mentes perversas e sádicas.
Mas eles não sabem. Não saberão. Jamais.
O sangue do justo clama da terra aos céus.
Rega a semente da coragem.
Que cresce e frutifica, seus frutos são a luta por justiça.
Não se pode matar a Voz que clama pelos pequeninos.
Ela insiste em ressurreições.
E volta ainda mais forte.
Porque, saibam, assassinos e defensores das matanças.
Saibam de uma vez por todas:
O amor vence.
O amor triunfa no final.
Não se pode matar o amor. Ele voluntariamente se entrega.

Gito Wendel

Fonte: https://www.facebook.com/gitowendel/?hc_ref=ARTNwnVjA6Tkonqk2aCLNRLWEP6702JkPbPHdl-jvSGvpJEwMLa0k31xxRzq0U1H0mg&fref=nf

Feliz dia Internacional da Mulher!


No dia internacional da mulher, registro aqui minha singela homenagem às 31 mulheres que influenciaram e continuam influenciando minha vida, mulheres a quem admiro e com quem continuo aprendendo. Muito obrigada pela sua singularidade, transparência e coragem.

Feliz dia internacional da mulher!

Angela Natel

O que me sobrou?


E, no mais, o que me resta nessa vida?
Uma ferida curada, uma máscara caída.

O chão roto de manchas de sangue
do dedo dilacerado em ansiedade.

Não me sobrou muito além do verniz na cara, brilhando em vaidade.

A pergunta que sobe n'alma, medo, desgosto, da infância o trauma.

A dor que a pressão me traz
e a tentativa de controlar minha vida arregaça.

O que me sobrou? Só um pouco.
O resto do lixo de minha emoção vacilante, inconstante.

De quando tudo é vivido à flor da pele.
Sangue, lágrimas, suor, excremento.
Tudo vivido, jogado na cara.

Depois disso, além disso, não me sobra nada. Sou negativada em meu interior.

Menos que nada: o não ser, reprovada.
Vacilando em respostas, tropeçando nas mesmas pedras.

Errando toda vez que ergo os olhos em busca de aprovação.

Uma história contada ao vento
que, no fim, dá em nada.

Mudança que houve com o tempo,
um sonhar acordada.

Para, então, descobrir que o tempo não existe, que a vida passa, e o que sobrou...
foi nada.

Angela Natel - 06/03/2018.

Qual o seu partido? (A Missão Real)


Qual o seu partido?
Seu lado, sua tendência, sua pendência?
Nessa nossa luta dialética de cada dia
Interagindo nas redes, nas relações
Mostramos nossa verdadeira face
Antes oculta sob as máscaras da conveniência.

Então, qual o seu partido?
Seu lado – o que determina suas escolhas e discursos?
É Batista? Presbiteriano? Anabatista? Luterano?
Sim, qual o seu partido?
Já que estes, há muito, deixaram de seguir o original plano.

Como bons brasileiros seguimos deslumbrados
Com tudo o que procede dos Estados Unidos da América
E como bons seguidores pisamos no mesmo caminho
Levantando bandeiras,
Transformando nossos clubes/igrejas em sedes partidárias
Aonde servimos uma mensagem não acessível a todos.

Evangelho? Qual deles?
O da Bíblia mal interpretada, o da bala para quem não se encaixa,
Ou o que serve ao interesse de alguns?
A escolha é livre, o choro também.

E como os irmãos do Norte,
seguimos defendendo e repetindo discurso alheio,
adestrados por porta vozes vendidos,
prostituídos em sua missão.

A bancada evangélica tem muitos representantes
espalhados pelas esquinas e organizações do país.
Segue em seu grito alucinante
De que é preciso sempre ganhar
Desumanizar e até matar
Para ser feliz.

De que partido você é?
Batista, Presbiteriano, Anabatista, Luterano?
Na missão real há rostos, etnias, diferença,
não bandeiras nacionais - representações das conquistas coloniais.
Porque na missão real não há espaço para triunfalismo,
não há chance para partidarismos denominacionais.

Entretanto, se você não se conformar
Ao padrão desses partidos
Nem se encaixar na visão desses gritos
Então enxergará a missão real que se nos foi apresentada.

Fácil é emitirem veredictos a respeito
Dos que se engajam nessa missão
sem contexto, sem conhecimento de causa.
Encaixotando Deus e seus servos
 na imagem criada sistematicamente em suas mentes e liturgia.

Na missão real você chora, ri, lamenta, reclama,
porque é feito de carne e osso, não de ferro.
Alguns missionários já tentaram suicídio, outros conseguiram,
enquanto os autodenominados cristãos devoram-se uns aos outros
por causa de seus posicionamentos, de seu partidarismo
e de seu evangelho, que não é para todos.

Muitas das vezes, na missão real,
você tomará decisões sem muita convicção
de que está fazendo a coisa certa.
Porque na missão real não há espaço para triunfalismo,
não há chance para partidarismos denominacionais.
Nem tudo é preto e branco, fácil de distinguir.

Na missão real há lágrimas, tristeza,
decepção e dúvida,
já que todas as certezas encontram-se na verdade relacional.

E a verdade?
A verdade é uma pessoa,
não uma ideia a ser defendida com unhas e dentes.
A verdade é testemunhada na missão,
não provada com argumentos e ódio.

É por isso que na missão real
Se tem consciência das limitações,
É um aprendizado e constante, diária correção.
Por isso não é mau mudar de ideia,
parar um pouco, confessar.
Faz bem, faz jus ao nome de cristão.

Mas o que se vê hoje em dia é o avesso da real missão:
máscaras por todo lado,
vida colocada numa balança para ver se é digna de viver
Missionários encaixotados, podados, chantageados
- caso não se encaixem, só tem a perder.


Angela Natel – 20/02/2018