Madame Satã nasceu em
Pernambuco, destinada a se tornar uma referência no enfrentamento da
perseguição policial, em defesa das prostitutas, travestis e outras identidades
marginais.
Malandra, contemporânea de Cintura fina e Tomba Homem,
Madame Satã será para sempre um ícone pela liberdade.
Madame Satã faleceu em decorrência de um câncer
pulmonar, em 1976. Pouco antes de sua morte, foi encontrada por amigos,
internada como indigente no hospital de Ilha Grande. Nessa época, já tentava
levar a vida como cozinheira, fazendo pratos para festas e casamentos. Em seu
enterro, o último desejo cumprido: o de ir embora com seu chapéu panamá e duas
rosas vermelhas sobre seu caixão.
Ainda assim, o reconhecimento tardio serviu para
lhe proporcionar um último prazer, o sonho de ser uma artista reconhecida. Em
1974, dois anos antes de sua morte, estrelou a peça “Lampião do Inferno”,
vivendo, vejam só a ironia, Satã (ou Satanás, como vocês preferirem). Ao lado
de duas atrizes iniciantes, “umas tais de” Elba Ramalho e Tânia Alves, teve seu
nome como destaque dos pôsteres que ciruclavam anunciando a montagem e
tornou-se a atração principal do espetáculo.
Não existe texto, reportagem, filme, livro,
música ou peça de teatro que consiga contar a história inteira e verídica de
Madame Satã. Nem ela mesma, em sua autobiografia narrada a Sylvan Paezzo, em
1972, conseguiu o feito: suas datas não batem com os poucos registros oficiais,
suas histórias mudam de versão com outras narrada por ele mesmo. Sua memória, a
essa altura, já se mistura entre a lenda criada em volta do mito e os poucos
traços que permanecem no conto passado boca-a-boca pela Lapa.
Fato é que a história de Madame Satã se confunde
com a do Brasil e a dos brasileiros.
Madame Satã, presente!
Via @hibridamagazine
https://www.instagram.com/p/CLt5tNUF9lE/?igshid=MDJmNzVkMjY=
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