domingo, 28 de abril de 2019

O que é a graça?


- O que é a graça?
É um "favor imerecido", gratuito, impossível de por nossa parte ser comprado ou conquistado. No caso da graça de Deus não podemos comprar pelo simples fato de não termos como nem com o quê pagar.
Comportamento não compra graça. Regras não compram graça. Doutrinas não compram graça. Ortodoxia não compra graça. Religião não compra graça. Igreja ou denominação não compra graça. Não dá pra manobrar nem manipular o favor de Deus, pois dele, por ele e pra ele são todas as coisas. Quem primeiro deu a ele e depois recebeu?
A ausência de todas as coisas mencionadas acima não anulam a graça. "Pecado" não anula a graça. Comportamento incorreto, ruim, ausente não anula a graça. Fumar, dançar, beber, drogar-se, nada anula a graça. Cristo morreu por nós enquanto éramos seus inimigos, não queríamos nada com ele.
- A Graça estava presente no Velho Testamento?
Claro que sim! A graça de Deus sempre foi parte de seus planos pois é também parte de sua essência! Não há Deus sem a graça assim como não há história da humanidade sem ela. Desde as vestes que foram feitas para a Adão e Eva, até o cordeirinho morto em substituição ao ser humano, até Jesus, os dias de hoje e além.
- Mas, e daí? Pra que saber disso?
Para a liberdade! Para escapar dos abusos psicológicos e espirituais praticados por líderes que "vendem" e condicionam a graça de Deus à coisas que você e eu podemos fazer! Para quebrar a escravidão do legalismo, da culpa, do terror evangélico que trata a vida com Deus como uma negociata, uma eterna jogatina na qual se passa a acreditar poder mover a mão de Deus com rituais religiosos, atos proféticos, jejum disso ou daquilo, presença em templos, arrecadação, dízimos, ofertas, tamanhos de roupas, depilações, palavreado politicamente correto, coreografia, justiça própria, uma santidade falsa, e uma eterna infância espiritual nas coisas de Deus e também nas dessa vida. Para livrar da alienação que nos imobiliza e despe de humanidade.
- A graça também é uma capacitação?
Desde que ela nos capacite a vivermos de acordo com nosso design e função- sim! Ela dá acesso à explorarmos a vida, as artes, ciência, tecnologia, o saber, as soluções sustentáveis para o dilema de nossa existência na terra. Ela ajuda a executarmos justiça, a nos interessarmos pela coexistência, tolerância, igualdade, equidade, governo, esportes, enfim - a vida como um todo, e de forma racional, sábia e comprometida.
- O que impede que a graça de Deus nos ajude a obter tudo isso? São coisas boas! Coisas desejáveis!
O que impede é quando confinamos a graça de Deus apenas ao meio, âmbito, sistema e modo de viver religioso. Aí acabou-se... Vira retroalimentação, é como comer o próprio vômito. Então a alienação nos transforma em seres embrutecidos, contrários ao saber, inimigos da ciência, amigos de guerras e contendas e incapazes de uma colaboração amorosa para com o resto da humanidade.
Precisamos descobrir mais dessa graça. Entender quem somos, nossa essência. É preciso voltar ao primeiro amor, pois já estamos "sem graça" há muito tempo.
A criação aguarda! Eu e você podemos ser mais graciosos e amorosos. É diário, não é pontual. É vida com responsabilidade e escolhas, não uma "unção" nova que engana tolos mas não pode nada contra os frutos da carne.
Não dá só pra gritar Dracarys! Ainda há a luta diária, e o inimigo é a morte! A morte da razão, do saber, da vida, nas catacumbas mortíferas da religiosidade impensada.
Há graça pra mim! Há graça pra você! Sempre haverá!
Deus te abençoa porque te ama! Quer continuar fazendo porque te ama! Se por amor a tua vida for transformada e também a sociedade e mundo ao seu redor - que dia gracioso este será!
Quem lê entenda.

quinta-feira, 25 de abril de 2019

TESTE DOS BANCOS





Tudo pode se deteriorar subitamente. Igrejas que começaram bem podem passar a ser tidas no céu como sinagogas de Satanás. Que haja democracia! Que todos tenham liberdade para apresentar suas questões! Que a teologia do “ungido que não pode ser chamado de herege” seja banida da igreja! Que, enquanto o pregador prega do púlpito, os que ouvem nos bancos a mensagem confiram nas Escrituras se o que está sendo pregado flui naturalmente da passagem selecionada para a pregação. Que todos exijam que o pastor pregue todo o conselho de Deus, de modo claro, com aplicações corajosas dos princípios revelados, confrontando a cultura, jamais deixando de apresentar o Deus real por força do medo de esvaziar a igreja. 
Membros de esquerda, de direita, de centro, de mentalidade pré-moderna, moderna ou pós-moderna têm de sair do templo vez por outra perturbados com o que foi falado. O caminho da esterilidade de uma igreja é o caminho da cooptação ideológica. Cristo não cabe nos sistemas de pensamento socialmente construídos. 

Antonio Carlos Costa
Extraído do livro "Azorrague", lançado ano passado pela Editora Mundo Cristão. Você pode adquiri-lo pelo site da Amazon.

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Tradução

Eu te desafio
A desapegar-se
Do seu próprio entendimento,
Das coisas que acha que sabe,
De sua própria maneira de ver a realidade
Para entrar no meu mundo,
Calçar os meus sapatos,
Colocar os meus óculos
E ver novamente, enxergar.

Eu te desafio a aprender
Antes de querer ensinar,
A ouvir para compreender
E vencer a tentação de ouvir para argumentar.

Te desafio a caminhar comigo
Sobre as pedras sinuosas do meu caminho,
Ouvir as atrocidades que ouço,
As calúnias, difamações,
Sentir minhas dores, meus temores,
Minhas esperanças.

Te convido a enxergar o mundo
Da única forma que o consigo perceber:
Com todos os meus limites,
Com todas as minhas potencialidades.

Tudo isso porque sei
Que você tem uma mensagem.
Você é a mensagem
Que precisa ser compreendida,
Traduzida,
Encarnada
Em minha realidade.

Angela Natel - 24/04/2019

domingo, 21 de abril de 2019

Jesus por nós



Jesus
Que preferiu morrer a matar,
Dar a outra face
Servir a mandar
Libertar a controlar.

Jesus, que ofereceu a seus discípulos
A opção de deixá-lo,
Não forçava ninguém a nada,
não veio para condenar ninguém.

Jesus, que foi capaz de se esvaziar
Do que era, do que tinha,
Para amar e servir até o fim.
Que não demonstrou insegurança
Ao se humilhar, ao se calar.

Jesus, que mostrou indignação
Com a inacessibilidade das pessoas e espaços religiosos
Com as perguntas capciosas
Com as discussões vãs.

Jesus ensinou que não há maior entre nós
Que precisamos servir
Que não estamos aqui para condenar
Mas para dEle testemunhar – mártires –
Por Ele morrer.

Um seguidor de Jesus anda como Ele andou
Não se coloca acima dos outros
Se doa, busca os marginalizados pela religião
Olha para quem ninguém olha... e os vê.

Não é possível seguir Jesus sem sermos confrontados
Com nossas misérias, nosso lixo religioso.
Não é possível que Jesus não nos incomode nem um pouco.

Jesus... o único capaz de emitir um justo julgamento
Mas decidiu não o fazer.
Porque, como diz naquela letra, “seu juízo sobre nós é o amor”.

Assim, como a mesma letra diz, como Jesus fez:
“se for nós ou eles, que seja nós por eles”.
Como Jesus, se alguém tiver que sofrer,
Se alguém tiver que pagar, se alguém tiver que morrer,
“se for nós ou eles, que seja nós por eles”.

Angela Natel – 21/04/2019 – referência à música ‘Us for them’, de Gungor.

O Evangelho do vazio



Nunca os espaços vazios foram tão celebrados:

Da multidão de deuses fui esvaziado
E de todo narcisismo curado.
Das algemas da escravidão fui liberto
e uma cidade inteira de escravos virou deserto.

Esse é o Deus que se encontra no inimaginável:
Nos espaços vazios, na dor,
Na pena de morte mediante uma cruz.
Deus abscôndito, incomparável.

O Deus que se despiu de Sua glória,
e que demonstrava falta de beleza,
aquele que se sentiu abandonado
e que não tinha onde reclinar a cabeça.

Eis onde Deus se manifesta:
No despido, feio, abandonado,
No sem teto, sem chão e sem abrigo
E também no marginalizado.

E em meio a tantas faltas
Ainda houve um túmulo vazio
Tal qual abismo chamando outro abismo
A desesperança não subsistiu.

O Deus que esvazia as prisões do meu coração
Esvazia também minh’alma do desespero
E como aquele túmulo – onde só havia morte –
Faz nascer em mim sua nova criação.

Sim, Cristo despiu-me de vergonha,
Limpou o caminho à minha frente.
Arrancou-me as feridas da alma
E calou a voz que me acusava.

Ele apagou o fogo da desilusão
E derrotou o poder do inimigo.
Fez cair por terra todo grilhão
E calou-me com o seu sorriso.

Sim, Cristo deixou um grande vazio
Foram-se a dor, a vergonha e o medo
Cristo passou e deixou seu rastro
Um coração perdoado...

E, assim, anulou-se o espaço que existia entre nós
E caiu o muro da separação
Temos paz com Deus mediante Cristo
E também paz com nossos irmãos.

Nunca os espaços vazios foram tão celebrados:
Uma cidade inteira cujos escravos foram libertos,
Um túmulo vazio,
Um coração perdoado...
Feliz Páscoa a você que celebra o vazio das prisões, a falta de amargura e de correntes que nos prendam, o silêncio que um sorriso no canto da boca provoca.
Nosso Redentor vive! Vamos celebrar!                      

Angela Natel

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Tratando do que importa.




(Textão de páscoa pra ler com calma e tempo ou como você preferir - se você for sério vai ler)

Filhinhos, o Evangelho trata de essências, de valores imutáveis, da alma -sim, do corpo -sim; de fato, da existência como um todo.

Do nosso lado da vida, mente e coração devem coexistir e são inseparáveis. Alma e corpo coexistem e são da mesma forma inseparáveis.

Amados, oração sem inteligência beira o emocionalismo, e é por si passional beirando a imaturidade! O que seríamos de nós, todavia sem ele? Chatos, legalistas, moralistas, medrosos, duros, distantes, sem ousadia para o encontro entre pessoas, tornando-nos racistas, frios, egoístas e egocêntricos.

Já a inteligência com o coração encontra nele um dos muitos pontos de equilíbrio da vida! Ela sai do ativismo e retorna à compaixão; volta a ver as pessoas como pessoas e não como objetos ou massa de manobra para se conquistar algo! Há uma diferença grande entre ver as pessoas como "gado" e vê-las como "meu semelhante".

Queridos, o mundo no qual vivemos gera conflitos para a mente e para o coração. O Evangelho traz a paz para ambos - retornando o ser humano à sua essência.

Crianças e adolescentes, não existe Evangelho sem a visão do outro, do próximo, da pessoa ao meu lado, diante de mim ou em outro país. Assim como Jesus reconhece esse fato, deixa seu lar e a glória dos céus para vir a um mundo sujo carente de amor e de equilíbrio nas mentes e corações, o cristão jamais será cristão se não fizer o mesmo - já que esta palavra significa "pequeno Cristo".

Pessoas do mundo inteiro, o Evangelho restaura o indivíduo, dá valores novos, vida, toca na essência, Sim! Mas o evangelho também é "outro-cêntrico" tanto em Cristo como nos nossos semelhantes, sejam quem forem. Não há seletividade, a graça de Deus é para todos.

Jovens, o  Evangelho, então, não é dependente de ideologias políticas nem meramente humanas para funcionar e demonstrar o seu poder - o poder de influenciar, transformar e salvar vidas. Se ele dependesse já teria perdido a força motriz principal - o amor! Quem não tem coragem de amar ao ponto de tocar mente e corações, seja com o mais simples gesto ou o projeto educacional e social mais imponente, vai sempre reproduzir regras, controles, paternalismos, "donos disso e daquilo", gurus, "apóstolos" televisivos ou puramente religiosos. Mas, Deus? Deus é amor e chama para a liberdade.

Religiosos, Não pode haver Evangelho sem amor ao próximo, assim como o ser humano sem a mente e o coração se torna perigoso, chamar qualquer coisa que não ame nem se doe pelo outro de "evangelho" é maluquice, gera desequilíbrio, causa transtornos psicológicos e sociais.

Não pode haver evangelismo sem ação social, apesar de eu não gostar desse termo (ação social) para definir o cuidado, carinho, geração de alternativas de melhorias de vida, educação, saúde, habitação, democracia, inclusão, tolerância, respeito, alimentação, e tudo mais que a outra pessoa necessite.

Politizados, não gosto do termo ação social (tenho de me explicar) porque ele é muito centrado nas "necessidades". Isso não está errado! O evangelho também lida com as necessidades, mas o COMPROMISSO dele é com o amor. As necessidades, mudam, passam, variam, acabam - Mas, o amor permanece!
É exatamente que está a diferença entre o cristão e o não cristão.

Pastores e sacerdotes, quando a necessidade acaba, muda ou assume outras formas, o compromisso do cristão permanece - pois o amor, quando é verdadeiro não acaba nem vai embora. Deus é amor! Se faço compromissos de amor com uma comunidade ou pessoa, não os abandono só porque materialmente parecem não precisar mais de mim, da minha igreja, ou da minha participação em suas vidas! É quando permanecemos que transformamos não só aquelas pessoas ou comunidades, mas influenciamos gerações!

Ricos e ricas, nesse mundo que abala mente e coração com propostas de isolacionismo e "segurança" domingueira em bancos de igreja e/ou por trás de ideologias partidárias, o Evangelho chama para a responsabilidade pessoal e maturidade! Isso é transformador! Quando a conveniência do envelope, da doação eletrônica, que são coisas boas, ameaça nos prender ao: "Eu não vou me sujar com as questões de ninguém! Já dou cemzinho no envelope, já dou minhas camisetas usadas, já cliquei no link da cruz vermelha, etc", o Evangelho agradece e lembra que o filho do Homem fez tudo isso, e ainda assim não perdeu sua essência, por que?

Porque, conselheiros e conselheiras,  mesmo já tendo criado o universo, colocado o homem num planeta e ter lhe dado o bem mais precioso (a vida), ele, o Filho de Deus, tornou-se uma PESSOA e sofreu como uma PESSOA por outras PESSOAS. Por isso sua essência permanece, e nós descobrimos a nossa assim! Não ignore o poder do ENCONTRO, da troca, do olhar e agir diretamente para com pessoas! Essa pode ser a cura para muitas das angústias de nossos filhos, os da geração "Millenials", pode ser o alívio para muitos de seus recém-adquiridos transtornos psicológicos.

Filhinhos e filhinhas, é páscoa, e por isso lembro que não pode haver paz, equilíbrio, nem Evangelho sem a vinda, missão, entrega, amor, paixão e oferta pessoal de Jesus por pessoas como eu e você. Este é o Pessach (páscoa no Hebraico Bíblico), é assim que o "anjo da morte" não nos toca, pois até a morte "morre" no amor de Jesus e em nosso amor, prático e verdadeiro para com o próximo". Aqui não há espaço para "ideais", ideologias, platonismos, discurso sem ação prática em todas as áreas da sociedade - não! A coisa é séria, visceral, ativa, passional e inteligente!

Hosanna ao que vem em nome do Senhor! Vem Jesus! Salva-nos da religiosidade, liberta-nos do Evangelicalismo enfermo de si mesmo, volta nossos olhos para ti e para o nosso próximo; equilibra nossas mentes e corações, capacita nossos braços para a luta, para o compromisso, para o abraço e para arregaçar as mangas!

Então céus, terra e mar se unirão e confessarão: Jesus Cristo é o Senhor! E toda terra respirará aliviada, pois será cheia do conhecimento do Senhor como as águas cobrem o mar!

Assim brilhará o sol da justiça - livre, independente, amoroso, inteligente, ativo, compassivo, real, equilibrado, e até a sua sombra curará e produzirá paz!

Quem lê entenda.

Um abraço de quem entre nazistas (sim ainda estão ativos aqui), ateus, homossexuais, drogados, incapacitados, materialistas, deterministas, racistas, vive sem tornar nenhum deles meu "projeto pessoal religioso", mas os ama como pessoas à imagem e semelhança de alguém que eles nem compreendem - nem eu! Do pouco que sei ofereço e sigo amando.

Ebenézer Paz.

https://www.facebook.com/ebenezerbene.paz/posts/2343068729057807

O que é a graça?


- O que é a graça?
É um "favor imerecido", gratuito, impossível de por nossa parte ser comprado ou conquistado. No caso da graça de Deus não podemos comprar pelo simples fato de não termos como nem com o quê pagar.
Comportamento não compra graça. Regras não compram graça. Doutrinas não compram graça. Ortodoxia não compra graça. Religião não compra graça. Igreja ou denominação não compra graça. Não dá pra manobrar nem manipular o favor de Deus, pois dele, por ele e pra ele são todas as coisas. Quem primeiro deu a ele e depois recebeu?
A ausência de todas as coisas mencionadas acima não anulam a graça. "Pecado" não anula a graça. Comportamento incorreto, ruim, ausente não anula a graça. Fumar, dançar, beber, drogar-se, nada anula a graça. Cristo morreu por nós enquanto éramos seus inimigos, não queríamos nada com ele.
- A Graça estava presente no Velho Testamento?
Claro que sim! A graça de Deus sempre foi parte de seus planos pois é também parte de sua essência! Não há Deus sem a graça assim como não há história da humanidade sem ela. Desde as vestes que foram feitas para a Adão e Eva, até o cordeirinho morto em substituição ao ser humano, até Jesus, os dias de hoje e além.
- Mas, e daí? Pra que saber disso?
Para a liberdade! Para escapar dos abusos psicológicos e espirituais praticados por líderes que "vendem" e condicionam a graça de Deus à coisas que você e eu podemos fazer! Para quebrar a escravidão do legalismo, da culpa, do terror evangélico que trata a vida com Deus como uma negociata, uma eterna jogatina na qual se passa a acreditar poder mover a mão de Deus com rituais religiosos, atos proféticos, jejum disso ou daquilo, presença em templos, arrecadação, dízimos, ofertas, tamanhos de roupas, depilações, palavreado politicamente correto, coreografia, justiça própria, uma santidade falsa, e uma eterna infância espiritual nas coisas de Deus e também nas dessa vida. Para livrar da alienação que nos imobiliza e despe de humanidade.
- A graça também é uma capacitação?
Desde que ela nos capacite a vivermos de acordo com nosso design e função- sim! Ela dá acesso à explorarmos a vida, as artes, ciência, tecnologia, o saber, as soluções sustentáveis para o dilema de nossa existência na terra. Ela ajuda a executarmos justiça, a nos interessarmos pela coexistência, tolerância, igualdade, equidade, governo, esportes, enfim - a vida como um todo, e de forma racional, sábia e comprometida.
- O que impede que a graça de Deus nos ajude a obter tudo isso? São coisas boas! Coisas desejáveis!
O que impede é quando confinamos a graça de Deus apenas ao meio, âmbito, sistema e modo de viver religioso. Aí acabou-se... Vira retroalimentação, é como comer o próprio vômito. Então a alienação nos transforma em seres embrutecidos, contrários ao saber, inimigos da ciência, amigos de guerras e contendas e incapazes de uma colaboração amorosa para com o resto da humanidade.
Precisamos descobrir mais dessa graça. Entender quem somos, nossa essência. É preciso voltar ao primeiro amor, pois já estamos "sem graça" há muito tempo.
A criação aguarda! Eu e você podemos ser mais graciosos e amorosos. É diário, não é pontual. É vida com responsabilidade e escolhas, não uma "unção" nova que engana tolos mas não pode nada contra os frutos da carne.
Não dá só pra gritar Dracarys! Ainda há a luta diária, e o inimigo é a morte! A morte da razão, do saber, da vida, nas catacumbas mortíferas da religiosidade impensada.
Há graça pra mim! Há graça pra você! Sempre haverá!
Deus te abençoa porque te ama! Quer continuar fazendo porque te ama! Se por amor a tua vida for transformada e também a sociedade e mundo ao seu redor - que dia gracioso este será!
Quem lê entenda.

TESTE DOS BANCOS





Tudo pode se deteriorar subitamente. Igrejas que começaram bem podem passar a ser tidas no céu como sinagogas de Satanás. Que haja democracia! Que todos tenham liberdade para apresentar suas questões! Que a teologia do “ungido que não pode ser chamado de herege” seja banida da igreja! Que, enquanto o pregador prega do púlpito, os que ouvem nos bancos a mensagem confiram nas Escrituras se o que está sendo pregado flui naturalmente da passagem selecionada para a pregação. Que todos exijam que o pastor pregue todo o conselho de Deus, de modo claro, com aplicações corajosas dos princípios revelados, confrontando a cultura, jamais deixando de apresentar o Deus real por força do medo de esvaziar a igreja. 
Membros de esquerda, de direita, de centro, de mentalidade pré-moderna, moderna ou pós-moderna têm de sair do templo vez por outra perturbados com o que foi falado. O caminho da esterilidade de uma igreja é o caminho da cooptação ideológica. Cristo não cabe nos sistemas de pensamento socialmente construídos. 

Antonio Carlos Costa
Extraído do livro "Azorrague", lançado ano passado pela Editora Mundo Cristão. Você pode adquiri-lo pelo site da Amazon.

Tradução

Eu te desafio
A desapegar-se
Do seu próprio entendimento,
Das coisas que acha que sabe,
De sua própria maneira de ver a realidade
Para entrar no meu mundo,
Calçar os meus sapatos,
Colocar os meus óculos
E ver novamente, enxergar.

Eu te desafio a aprender
Antes de querer ensinar,
A ouvir para compreender
E vencer a tentação de ouvir para argumentar.

Te desafio a caminhar comigo
Sobre as pedras sinuosas do meu caminho,
Ouvir as atrocidades que ouço,
As calúnias, difamações,
Sentir minhas dores, meus temores,
Minhas esperanças.

Te convido a enxergar o mundo
Da única forma que o consigo perceber:
Com todos os meus limites,
Com todas as minhas potencialidades.

Tudo isso porque sei
Que você tem uma mensagem.
Você é a mensagem
Que precisa ser compreendida,
Traduzida,
Encarnada
Em minha realidade.

Angela Natel - 24/04/2019

Jesus por nós



Jesus
Que preferiu morrer a matar,
Dar a outra face
Servir a mandar
Libertar a controlar.

Jesus, que ofereceu a seus discípulos
A opção de deixá-lo,
Não forçava ninguém a nada,
não veio para condenar ninguém.

Jesus, que foi capaz de se esvaziar
Do que era, do que tinha,
Para amar e servir até o fim.
Que não demonstrou insegurança
Ao se humilhar, ao se calar.

Jesus, que mostrou indignação
Com a inacessibilidade das pessoas e espaços religiosos
Com as perguntas capciosas
Com as discussões vãs.

Jesus ensinou que não há maior entre nós
Que precisamos servir
Que não estamos aqui para condenar
Mas para dEle testemunhar – mártires –
Por Ele morrer.

Um seguidor de Jesus anda como Ele andou
Não se coloca acima dos outros
Se doa, busca os marginalizados pela religião
Olha para quem ninguém olha... e os vê.

Não é possível seguir Jesus sem sermos confrontados
Com nossas misérias, nosso lixo religioso.
Não é possível que Jesus não nos incomode nem um pouco.

Jesus... o único capaz de emitir um justo julgamento
Mas decidiu não o fazer.
Porque, como diz naquela letra, “seu juízo sobre nós é o amor”.

Assim, como a mesma letra diz, como Jesus fez:
“se for nós ou eles, que seja nós por eles”.
Como Jesus, se alguém tiver que sofrer,
Se alguém tiver que pagar, se alguém tiver que morrer,
“se for nós ou eles, que seja nós por eles”.

Angela Natel – 21/04/2019 – referência à música ‘Us for them’, de Gungor.

O Evangelho do vazio



Nunca os espaços vazios foram tão celebrados:

Da multidão de deuses fui esvaziado
E de todo narcisismo curado.
Das algemas da escravidão fui liberto
e uma cidade inteira de escravos virou deserto.

Esse é o Deus que se encontra no inimaginável:
Nos espaços vazios, na dor,
Na pena de morte mediante uma cruz.
Deus abscôndito, incomparável.

O Deus que se despiu de Sua glória,
e que demonstrava falta de beleza,
aquele que se sentiu abandonado
e que não tinha onde reclinar a cabeça.

Eis onde Deus se manifesta:
No despido, feio, abandonado,
No sem teto, sem chão e sem abrigo
E também no marginalizado.

E em meio a tantas faltas
Ainda houve um túmulo vazio
Tal qual abismo chamando outro abismo
A desesperança não subsistiu.

O Deus que esvazia as prisões do meu coração
Esvazia também minh’alma do desespero
E como aquele túmulo – onde só havia morte –
Faz nascer em mim sua nova criação.

Sim, Cristo despiu-me de vergonha,
Limpou o caminho à minha frente.
Arrancou-me as feridas da alma
E calou a voz que me acusava.

Ele apagou o fogo da desilusão
E derrotou o poder do inimigo.
Fez cair por terra todo grilhão
E calou-me com o seu sorriso.

Sim, Cristo deixou um grande vazio
Foram-se a dor, a vergonha e o medo
Cristo passou e deixou seu rastro
Um coração perdoado...

E, assim, anulou-se o espaço que existia entre nós
E caiu o muro da separação
Temos paz com Deus mediante Cristo
E também paz com nossos irmãos.

Nunca os espaços vazios foram tão celebrados:
Uma cidade inteira cujos escravos foram libertos,
Um túmulo vazio,
Um coração perdoado...
Feliz Páscoa a você que celebra o vazio das prisões, a falta de amargura e de correntes que nos prendam, o silêncio que um sorriso no canto da boca provoca.
Nosso Redentor vive! Vamos celebrar!                      

Angela Natel

Tratando do que importa.




(Textão de páscoa pra ler com calma e tempo ou como você preferir - se você for sério vai ler)

Filhinhos, o Evangelho trata de essências, de valores imutáveis, da alma -sim, do corpo -sim; de fato, da existência como um todo.

Do nosso lado da vida, mente e coração devem coexistir e são inseparáveis. Alma e corpo coexistem e são da mesma forma inseparáveis.

Amados, oração sem inteligência beira o emocionalismo, e é por si passional beirando a imaturidade! O que seríamos de nós, todavia sem ele? Chatos, legalistas, moralistas, medrosos, duros, distantes, sem ousadia para o encontro entre pessoas, tornando-nos racistas, frios, egoístas e egocêntricos.

Já a inteligência com o coração encontra nele um dos muitos pontos de equilíbrio da vida! Ela sai do ativismo e retorna à compaixão; volta a ver as pessoas como pessoas e não como objetos ou massa de manobra para se conquistar algo! Há uma diferença grande entre ver as pessoas como "gado" e vê-las como "meu semelhante".

Queridos, o mundo no qual vivemos gera conflitos para a mente e para o coração. O Evangelho traz a paz para ambos - retornando o ser humano à sua essência.

Crianças e adolescentes, não existe Evangelho sem a visão do outro, do próximo, da pessoa ao meu lado, diante de mim ou em outro país. Assim como Jesus reconhece esse fato, deixa seu lar e a glória dos céus para vir a um mundo sujo carente de amor e de equilíbrio nas mentes e corações, o cristão jamais será cristão se não fizer o mesmo - já que esta palavra significa "pequeno Cristo".

Pessoas do mundo inteiro, o Evangelho restaura o indivíduo, dá valores novos, vida, toca na essência, Sim! Mas o evangelho também é "outro-cêntrico" tanto em Cristo como nos nossos semelhantes, sejam quem forem. Não há seletividade, a graça de Deus é para todos.

Jovens, o  Evangelho, então, não é dependente de ideologias políticas nem meramente humanas para funcionar e demonstrar o seu poder - o poder de influenciar, transformar e salvar vidas. Se ele dependesse já teria perdido a força motriz principal - o amor! Quem não tem coragem de amar ao ponto de tocar mente e corações, seja com o mais simples gesto ou o projeto educacional e social mais imponente, vai sempre reproduzir regras, controles, paternalismos, "donos disso e daquilo", gurus, "apóstolos" televisivos ou puramente religiosos. Mas, Deus? Deus é amor e chama para a liberdade.

Religiosos, Não pode haver Evangelho sem amor ao próximo, assim como o ser humano sem a mente e o coração se torna perigoso, chamar qualquer coisa que não ame nem se doe pelo outro de "evangelho" é maluquice, gera desequilíbrio, causa transtornos psicológicos e sociais.

Não pode haver evangelismo sem ação social, apesar de eu não gostar desse termo (ação social) para definir o cuidado, carinho, geração de alternativas de melhorias de vida, educação, saúde, habitação, democracia, inclusão, tolerância, respeito, alimentação, e tudo mais que a outra pessoa necessite.

Politizados, não gosto do termo ação social (tenho de me explicar) porque ele é muito centrado nas "necessidades". Isso não está errado! O evangelho também lida com as necessidades, mas o COMPROMISSO dele é com o amor. As necessidades, mudam, passam, variam, acabam - Mas, o amor permanece!
É exatamente que está a diferença entre o cristão e o não cristão.

Pastores e sacerdotes, quando a necessidade acaba, muda ou assume outras formas, o compromisso do cristão permanece - pois o amor, quando é verdadeiro não acaba nem vai embora. Deus é amor! Se faço compromissos de amor com uma comunidade ou pessoa, não os abandono só porque materialmente parecem não precisar mais de mim, da minha igreja, ou da minha participação em suas vidas! É quando permanecemos que transformamos não só aquelas pessoas ou comunidades, mas influenciamos gerações!

Ricos e ricas, nesse mundo que abala mente e coração com propostas de isolacionismo e "segurança" domingueira em bancos de igreja e/ou por trás de ideologias partidárias, o Evangelho chama para a responsabilidade pessoal e maturidade! Isso é transformador! Quando a conveniência do envelope, da doação eletrônica, que são coisas boas, ameaça nos prender ao: "Eu não vou me sujar com as questões de ninguém! Já dou cemzinho no envelope, já dou minhas camisetas usadas, já cliquei no link da cruz vermelha, etc", o Evangelho agradece e lembra que o filho do Homem fez tudo isso, e ainda assim não perdeu sua essência, por que?

Porque, conselheiros e conselheiras,  mesmo já tendo criado o universo, colocado o homem num planeta e ter lhe dado o bem mais precioso (a vida), ele, o Filho de Deus, tornou-se uma PESSOA e sofreu como uma PESSOA por outras PESSOAS. Por isso sua essência permanece, e nós descobrimos a nossa assim! Não ignore o poder do ENCONTRO, da troca, do olhar e agir diretamente para com pessoas! Essa pode ser a cura para muitas das angústias de nossos filhos, os da geração "Millenials", pode ser o alívio para muitos de seus recém-adquiridos transtornos psicológicos.

Filhinhos e filhinhas, é páscoa, e por isso lembro que não pode haver paz, equilíbrio, nem Evangelho sem a vinda, missão, entrega, amor, paixão e oferta pessoal de Jesus por pessoas como eu e você. Este é o Pessach (páscoa no Hebraico Bíblico), é assim que o "anjo da morte" não nos toca, pois até a morte "morre" no amor de Jesus e em nosso amor, prático e verdadeiro para com o próximo". Aqui não há espaço para "ideais", ideologias, platonismos, discurso sem ação prática em todas as áreas da sociedade - não! A coisa é séria, visceral, ativa, passional e inteligente!

Hosanna ao que vem em nome do Senhor! Vem Jesus! Salva-nos da religiosidade, liberta-nos do Evangelicalismo enfermo de si mesmo, volta nossos olhos para ti e para o nosso próximo; equilibra nossas mentes e corações, capacita nossos braços para a luta, para o compromisso, para o abraço e para arregaçar as mangas!

Então céus, terra e mar se unirão e confessarão: Jesus Cristo é o Senhor! E toda terra respirará aliviada, pois será cheia do conhecimento do Senhor como as águas cobrem o mar!

Assim brilhará o sol da justiça - livre, independente, amoroso, inteligente, ativo, compassivo, real, equilibrado, e até a sua sombra curará e produzirá paz!

Quem lê entenda.

Um abraço de quem entre nazistas (sim ainda estão ativos aqui), ateus, homossexuais, drogados, incapacitados, materialistas, deterministas, racistas, vive sem tornar nenhum deles meu "projeto pessoal religioso", mas os ama como pessoas à imagem e semelhança de alguém que eles nem compreendem - nem eu! Do pouco que sei ofereço e sigo amando.

Ebenézer Paz.

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