quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
Justiça e Misericórdia
Hoje é um bom
dia para falar sobre certas coisas: Ontem à noite vi, pela TV, o pronunciamento
da Presidente Dilma a respeito do processo de impeachment em andamento. Ouço
falar que, pela manhã foi anunciado que o Parlamento Inglês, por voto, decidiu
bombardear a Síria. E o Natal está chegando...
Na moda do
boicote, estou definitivamente boicotando o Papai Noel - este senhor idoso que
rege sua vida segundo a meritocracia. Nunca ouviu falar de misericórdia, não? –
postei hoje em meu facebook.
Sob esta mesma
linha de pensamento, fica difícil ser coerente num mundo de injustiças. Uns,
para não serem punidos, atacam ferozmente outros a fim de desviar a atenção e
manipular o povo segundo o seu bel prazer: o sujo falando do mal lavado – e
isso se aplica, não somente aos políticos brasileiros, mas até mesmo ao povo
brasileiro que, em suas mazelas e pequenas corrupções do dia-a-dia, ainda se
ergue para exigir justiça e punição àqueles que eles mesmos elegeram para os
governar.
Em outra
instância, sob o lema da justiça, decide-se atacar um povo destituído de condições
de defesa, num emaranhado político/econômico/ideológico.
E num ângulo bem
mais próximo de nossa experiência diária, há aquelas situações em que nos
deparamos com uma busca desenfreada por fazer tudo certinho, medir palmo a
palmo os gastos e despesas, sem deixar nada de fora, no âmago por ser justo e
correto. E nesse meio tempo, atropelamos quem nos surja pelo caminho, cegos em
nossa integridade, a fim de não nos desviarmos das leis que impusemos a todos
os que nos cercam. São lágrimas que ignoramos, mãos estendidas que não cabem em
nossa justiça, um peso que devemos colocar sobre todos, sem ao menos perceber a
distinta condição de cada pessoa.
Não, neste mundo
cão não há espaço para a misericórdia. Não vivemos numa democracia, nem lutamos
por coisa alguma além de uma vil e cruel meritocracia.
Será
que seria o caso de começarmos por medirmos a nós mesmos se não vivemos
recompensando somente os fortes, os esforçados, aqueles que atendem às nossas
expectativas? Será que não seria o caso de olharmos o outro nos olhos antes de
batermos o martelo da justiça, determinando um peso igual a todos – que,
tragicamente virá a massacrar alguns?
Será
que não seria o caso de desmontarmos nossos sistemas de justiça, recompensa e
punição, pararmos de ‘dar nome aos bois’ e analisarmos a vida humana acima dos
sistemas políticos e econômicos?
É
claro que escrevo e falo segundo o filtro da própria corrupção que habita em
mim. Porém não posso me calar quando a ânsia por misericórdia e graça gritam em
cada alma humana nestes dias tão cruéis.
É
difícil ao ser humano aceitar a misericórdia, já que para isso é necessário se
desarmar, se despir de suas ideologias e justificações, trazer o outro que o
desafia no mesmo patamar para ouvi-lo, atender suas necessidades e promover a
reconciliação.
Ideias
como estas são por demais subversivas, já que não premiam o esforçado, o mais
forte, nem o mais justo. Isso ataca nossos brios e nos coloca a todos no mesmo
nível, sob a mesma condição. E mesmo em situações concretas, como o iminente
bombardeio inglês sobre a Síria, o processo de impeachment sobre nossa
presidente ou nossas ações e decisões no dia a dia, não é fácil delimitar onde
exercer justiça com misericórdia, e onde desconstruir para depois construir
novamente.
A
maior dificuldade em tudo isso é enxergar além dos rótulos, das ideologias, dos
sistemas políticos e econômicos que já estão encrustados em nossa pele, em
nosso sangue e em nossa história. O pensamento que é regido desde a infância
pela meritocracia dificilmente sairá ileso caso decida fugir das linhas que
limitam sua justiça própria.
Angela Natel
03/12/2015
angelanatel.wordpress.com
https://www.facebook.com/Angela-Natel-137128436426391/
sexta-feira, 27 de novembro de 2015
Hermes C. Fernandes: Por que a Black Friday no Brasil está mais para Bl...
Hermes C. Fernandes: Por que a Black Friday no Brasil está mais para Bl...: Por Hermes C. Fernandes Jamais poderia supor que o Brasil aderiria à onda do Black Friday. Participei algumas vezes durante o perío...
segunda-feira, 23 de novembro de 2015
domingo, 15 de novembro de 2015
sábado, 14 de novembro de 2015
Lama e sangue
Mar de lama.
Mar de sangue.
...pedindo água
...pedindo paz
numa busca incansável pela vida.
Mar de sangue.
...pedindo água
...pedindo paz
numa busca incansável pela vida.
Estamos vivos
nadando em lama
corrupção e violência.
Choramos sangue
esgotando nossas forças
contra um muro de intolerância.
nadando em lama
corrupção e violência.
Choramos sangue
esgotando nossas forças
contra um muro de intolerância.
É muito descaso e pouco recurso
é muita etiqueta e pouca clemência.
Usam as tragédias para defender pontos de vista,
é lamentável.
é muita etiqueta e pouca clemência.
Usam as tragédias para defender pontos de vista,
é lamentável.
Estamos mortos
em nossas cosmovisões.
Somos um mar de sujos
condenando os mal lavados.
Usamos o sangue alheio para nos promover.
em nossas cosmovisões.
Somos um mar de sujos
condenando os mal lavados.
Usamos o sangue alheio para nos promover.
É pouca compaixão e humanidade
para quem se diz tão humano.
É muita dicotomia
para um mundo de iguais.
para quem se diz tão humano.
É muita dicotomia
para um mundo de iguais.
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Justiça e Misericórdia
Hoje é um bom
dia para falar sobre certas coisas: Ontem à noite vi, pela TV, o pronunciamento
da Presidente Dilma a respeito do processo de impeachment em andamento. Ouço
falar que, pela manhã foi anunciado que o Parlamento Inglês, por voto, decidiu
bombardear a Síria. E o Natal está chegando...
Na moda do
boicote, estou definitivamente boicotando o Papai Noel - este senhor idoso que
rege sua vida segundo a meritocracia. Nunca ouviu falar de misericórdia, não? –
postei hoje em meu facebook.
Sob esta mesma
linha de pensamento, fica difícil ser coerente num mundo de injustiças. Uns,
para não serem punidos, atacam ferozmente outros a fim de desviar a atenção e
manipular o povo segundo o seu bel prazer: o sujo falando do mal lavado – e
isso se aplica, não somente aos políticos brasileiros, mas até mesmo ao povo
brasileiro que, em suas mazelas e pequenas corrupções do dia-a-dia, ainda se
ergue para exigir justiça e punição àqueles que eles mesmos elegeram para os
governar.
Em outra
instância, sob o lema da justiça, decide-se atacar um povo destituído de condições
de defesa, num emaranhado político/econômico/ideológico.
E num ângulo bem
mais próximo de nossa experiência diária, há aquelas situações em que nos
deparamos com uma busca desenfreada por fazer tudo certinho, medir palmo a
palmo os gastos e despesas, sem deixar nada de fora, no âmago por ser justo e
correto. E nesse meio tempo, atropelamos quem nos surja pelo caminho, cegos em
nossa integridade, a fim de não nos desviarmos das leis que impusemos a todos
os que nos cercam. São lágrimas que ignoramos, mãos estendidas que não cabem em
nossa justiça, um peso que devemos colocar sobre todos, sem ao menos perceber a
distinta condição de cada pessoa.
Não, neste mundo
cão não há espaço para a misericórdia. Não vivemos numa democracia, nem lutamos
por coisa alguma além de uma vil e cruel meritocracia.
Será
que seria o caso de começarmos por medirmos a nós mesmos se não vivemos
recompensando somente os fortes, os esforçados, aqueles que atendem às nossas
expectativas? Será que não seria o caso de olharmos o outro nos olhos antes de
batermos o martelo da justiça, determinando um peso igual a todos – que,
tragicamente virá a massacrar alguns?
Será
que não seria o caso de desmontarmos nossos sistemas de justiça, recompensa e
punição, pararmos de ‘dar nome aos bois’ e analisarmos a vida humana acima dos
sistemas políticos e econômicos?
É
claro que escrevo e falo segundo o filtro da própria corrupção que habita em
mim. Porém não posso me calar quando a ânsia por misericórdia e graça gritam em
cada alma humana nestes dias tão cruéis.
É
difícil ao ser humano aceitar a misericórdia, já que para isso é necessário se
desarmar, se despir de suas ideologias e justificações, trazer o outro que o
desafia no mesmo patamar para ouvi-lo, atender suas necessidades e promover a
reconciliação.
Ideias
como estas são por demais subversivas, já que não premiam o esforçado, o mais
forte, nem o mais justo. Isso ataca nossos brios e nos coloca a todos no mesmo
nível, sob a mesma condição. E mesmo em situações concretas, como o iminente
bombardeio inglês sobre a Síria, o processo de impeachment sobre nossa
presidente ou nossas ações e decisões no dia a dia, não é fácil delimitar onde
exercer justiça com misericórdia, e onde desconstruir para depois construir
novamente.
A
maior dificuldade em tudo isso é enxergar além dos rótulos, das ideologias, dos
sistemas políticos e econômicos que já estão encrustados em nossa pele, em
nosso sangue e em nossa história. O pensamento que é regido desde a infância
pela meritocracia dificilmente sairá ileso caso decida fugir das linhas que
limitam sua justiça própria.
Angela Natel
03/12/2015
angelanatel.wordpress.com
https://www.facebook.com/Angela-Natel-137128436426391/
Hermes C. Fernandes: Por que a Black Friday no Brasil está mais para Bl...
Hermes C. Fernandes: Por que a Black Friday no Brasil está mais para Bl...: Por Hermes C. Fernandes Jamais poderia supor que o Brasil aderiria à onda do Black Friday. Participei algumas vezes durante o perío...
Lama e sangue
Mar de lama.
Mar de sangue.
...pedindo água
...pedindo paz
numa busca incansável pela vida.
Mar de sangue.
...pedindo água
...pedindo paz
numa busca incansável pela vida.
Estamos vivos
nadando em lama
corrupção e violência.
Choramos sangue
esgotando nossas forças
contra um muro de intolerância.
nadando em lama
corrupção e violência.
Choramos sangue
esgotando nossas forças
contra um muro de intolerância.
É muito descaso e pouco recurso
é muita etiqueta e pouca clemência.
Usam as tragédias para defender pontos de vista,
é lamentável.
é muita etiqueta e pouca clemência.
Usam as tragédias para defender pontos de vista,
é lamentável.
Estamos mortos
em nossas cosmovisões.
Somos um mar de sujos
condenando os mal lavados.
Usamos o sangue alheio para nos promover.
em nossas cosmovisões.
Somos um mar de sujos
condenando os mal lavados.
Usamos o sangue alheio para nos promover.
É pouca compaixão e humanidade
para quem se diz tão humano.
É muita dicotomia
para um mundo de iguais.
para quem se diz tão humano.
É muita dicotomia
para um mundo de iguais.
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