Estatueta egípcia de terracota representando uma figura feminina.
Segundo Período Intermediário, dinastias XV-XVII, 1640-1532 AEC.
A figura,
representada em pé e nua — exceto por um saiote decorado com quatro fileiras de
linhas profundamente incisas —, apresenta os braços cruzados sobre o abdômen e
o umbigo demarcado. Exibe dois pares de braceletes nos pulsos; seus longos
cabelos são detalhados com círculos incisos e presos por uma faixa. Vestígios
de policromia encontram-se preservados por toda a peça.
Altura:
17,2 cm
A autora e
pesquisadora de estudos femininos Doris Wolf — conhecida, por exemplo, pelo
livro *O que havia antes dos faraós: A descoberta das ancestrais femininas do
Egito* (*Was war vor den Pharaonen – Die Entdeckung der Urmütter Ägyptens*) —
dedicou décadas pesquisando esse tema:
“Na década
de 1990, e até mais tarde — após anos de intensa pesquisa própria —, eu não
conseguia acreditar que não houvesse nada de novo na literatura acadêmica sobre
a pré-história do Egito. O Instituto de Egiptologia de Zurique, de orientação
patriarcal, também não era o lugar onde eu deveria procurar. No Instituto
Alemão, os dois senhores presentes riram na minha cara, perguntando: ‘Que
pré-história é essa que você está procurando?’. ‘A pré-história egípcia’,
respondi, ‘já que estamos aqui’. Eles riram da minha pergunta e negaram: ‘Não,
isso não existe’.
Segui para
o Instituto Francês: lá também, deparei-me com total incompreensão ao perguntar
sobre a “pré-história egípcia” (“préhistoire égyptienne”). Até que alguém se
lembrou de um arqueólogo francês, o Sr. Fernand Debono — um senhor idoso que
vivia em Heliópolis —, que, ao que se sabia, havia se dedicado ao assunto. O
interesse inesperado de uma mulher suíça pela pré-história egípcia foi uma
grande surpresa para o Sr. Debono. Na verdade, ninguém se interessava por isso.
Nosso encontro foi gratificante e enriquecedor para ambos. Mais tarde,
confirmei que a pré-história egípcia havia sido deixada de lado, arquivada e
esquecida desde a morte de seus pioneiros — como o arqueólogo Flinders Petrie e
sua equipe, e especialmente Elise Baumgartel, arqueóloga que fugiu da Áustria
para Londres para escapar dos nazistas.”
Saiba mais
em seu blog: doriswolf.com
Sobre mim e meu trabalho: acesse o link da Bio - https://linktr.ee/angelanatel

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