quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Geradoras de vida

 



Ao lidar com essas culturas mais antigas, antropólogos especularam — com base em algumas culturas nativas modernas semelhantes — que não havia a compreensão de que o homem desempenhava um papel na procriação, fato que influencia a organização da cultura. “James Frazer, Margaret Mead e outros antropólogos”, escreve Leonard Cottrell, “estabeleceram que, nos estágios iniciais do desenvolvimento humano — antes de se compreender o segredo da fecundidade humana e antes de se associar o coito ao nascimento —, a mulher era reverenciada como a doadora da vida. Apenas as mulheres podiam gerar seres da sua própria espécie, e a participação do homem nesse processo ainda não era reconhecida.”

Segundo esses autores, bem como muitas autoridades que escreveram sobre o assunto, nas sociedades humanas mais antigas as pessoas provavelmente ainda não tinham consciência da relação entre sexo e reprodução. Assim, os conceitos de paternidade e de ser pai ainda não teriam sido compreendidos. Embora o fato provavelmente viesse acompanhado de várias explicações míticas, os bebês simplesmente nasciam das mulheres.

Se for esse o caso, a mãe teria sido vista como a única progenitora de sua família, a única geradora da geração seguinte. Por isso, seria natural que os filhos adotassem o nome do povo ou do clã de suas mães. O registro da descendência familiar seria mantido pela linhagem feminina, passando de mãe para filha — em vez de pai para filho, como é o costume em sociedades patriarcais, ainda hoje. Tal estrutura é geralmente denominada matrilinear, isto é, baseada no parentesco materno. Nessas culturas (encontradas entre muitos povos chamados de “primitivos” até os dias de hoje, bem como em sociedades historicamente documentadas, como a da Grécia clássica), não apenas os nomes, mas também títulos, posses e direitos territoriais são transmitidos pela linhagem feminina, de modo a permanecerem dentro do clã familiar.” *When God Was a Woman* [Quando Deus Era Mulher], págs. 11-12.

Sobre mim e meu trabalho: acesse o link da Bio - https://linktr.ee/angelanatel


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Geradoras de vida

 



Ao lidar com essas culturas mais antigas, antropólogos especularam — com base em algumas culturas nativas modernas semelhantes — que não havia a compreensão de que o homem desempenhava um papel na procriação, fato que influencia a organização da cultura. “James Frazer, Margaret Mead e outros antropólogos”, escreve Leonard Cottrell, “estabeleceram que, nos estágios iniciais do desenvolvimento humano — antes de se compreender o segredo da fecundidade humana e antes de se associar o coito ao nascimento —, a mulher era reverenciada como a doadora da vida. Apenas as mulheres podiam gerar seres da sua própria espécie, e a participação do homem nesse processo ainda não era reconhecida.”

Segundo esses autores, bem como muitas autoridades que escreveram sobre o assunto, nas sociedades humanas mais antigas as pessoas provavelmente ainda não tinham consciência da relação entre sexo e reprodução. Assim, os conceitos de paternidade e de ser pai ainda não teriam sido compreendidos. Embora o fato provavelmente viesse acompanhado de várias explicações míticas, os bebês simplesmente nasciam das mulheres.

Se for esse o caso, a mãe teria sido vista como a única progenitora de sua família, a única geradora da geração seguinte. Por isso, seria natural que os filhos adotassem o nome do povo ou do clã de suas mães. O registro da descendência familiar seria mantido pela linhagem feminina, passando de mãe para filha — em vez de pai para filho, como é o costume em sociedades patriarcais, ainda hoje. Tal estrutura é geralmente denominada matrilinear, isto é, baseada no parentesco materno. Nessas culturas (encontradas entre muitos povos chamados de “primitivos” até os dias de hoje, bem como em sociedades historicamente documentadas, como a da Grécia clássica), não apenas os nomes, mas também títulos, posses e direitos territoriais são transmitidos pela linhagem feminina, de modo a permanecerem dentro do clã familiar.” *When God Was a Woman* [Quando Deus Era Mulher], págs. 11-12.

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