Ao lidar
com essas culturas mais antigas, antropólogos especularam — com base em algumas
culturas nativas modernas semelhantes — que não havia a compreensão de que o
homem desempenhava um papel na procriação, fato que influencia a organização da
cultura. “James Frazer, Margaret Mead e outros antropólogos”, escreve Leonard
Cottrell, “estabeleceram que, nos estágios iniciais do desenvolvimento humano —
antes de se compreender o segredo da fecundidade humana e antes de se associar
o coito ao nascimento —, a mulher era reverenciada como a doadora da vida.
Apenas as mulheres podiam gerar seres da sua própria espécie, e a participação
do homem nesse processo ainda não era reconhecida.”
Segundo
esses autores, bem como muitas autoridades que escreveram sobre o assunto, nas
sociedades humanas mais antigas as pessoas provavelmente ainda não tinham
consciência da relação entre sexo e reprodução. Assim, os conceitos de
paternidade e de ser pai ainda não teriam sido compreendidos. Embora o fato
provavelmente viesse acompanhado de várias explicações míticas, os bebês
simplesmente nasciam das mulheres.
Se for esse
o caso, a mãe teria sido vista como a única progenitora de sua família, a única
geradora da geração seguinte. Por isso, seria natural que os filhos adotassem o
nome do povo ou do clã de suas mães. O registro da descendência familiar seria
mantido pela linhagem feminina, passando de mãe para filha — em vez de pai para
filho, como é o costume em sociedades patriarcais, ainda hoje. Tal estrutura é
geralmente denominada matrilinear, isto é, baseada no parentesco materno.
Nessas culturas (encontradas entre muitos povos chamados de “primitivos” até os
dias de hoje, bem como em sociedades historicamente documentadas, como a da
Grécia clássica), não apenas os nomes, mas também títulos, posses e direitos
territoriais são transmitidos pela linhagem feminina, de modo a permanecerem
dentro do clã familiar.” *When God Was a Woman* [Quando Deus Era Mulher], págs.
11-12.
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