A existência histórica da Palestina não é uma invenção
moderna, mas uma realidade geográfica e cultural milenar, anterior ao atual
conflito com Israel. O próprio nome da região permanece como um testemunho
indelével do seu passado. A partir do século XII AEC., os filisteus — chamados
Peleshet em hebraico — estabeleceram-se na costa sul de Canaã, dando origem a
um termo que perduraria. Os antigos egípcios já registravam esse povo como
Peleset e, com o tempo, o nome foi transmitido aos seus conquistadores: para os
assírios, era Palastu e, para os gregos, Palaistine. Longe de ser uma terra sem
identidade, era uma encruzilhada conhecida por todos, cujo nome refletia sua
população e território distintos.
A continuidade histórica da Palestina consolidou-se com o
Império Romano. Após a repressão da revolta de Bar Kokhba no século II EC., os
romanos renomearam a província da Judeia e Síria para Palestina, um ato
administrativo que, ironicamente, formalizou e perpetuou o nome clássico da
região. Este termo não era novo, mas sim a latinização de uma herança grega
milenar. Durante séculos, sob o domínio bizantino e, posteriormente, islâmico,
a região foi conhecida como Jund Filastin (o distrito militar da Palestina),
demonstrando que o nome e a consciência da região como uma entidade distinta
permaneceram vivos, administrados e reconhecidos por sucessivos impérios, muito
antes da ascensão do sionismo político.
Quando o Mandato Britânico estabeleceu a
"Palestina" no século XX, não criou uma nova entidade, mas sim
reconheceu um nome com mais de três milênios de história. A narrativa de Israel
apaga esse passado para justificar uma expansão territorial que entra em
conflito com as evidências: o próprio nome Palestina — transmitido por
egípcios, assírios, gregos, romanos, árabes e britânicos — é prova irrefutável
de suas raízes históricas e de um povo que habitava aquela terra muito antes
dos projetos coloniais do século XX.
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