É comum que
quando uma criança vê outra brincando com um brinquedo, rapidamente passe a
querê-lo também, mesmo que até então aquele objeto não tivesse despertado nela
nenhum interesse.
É como se só passasse a ter graça quando o outro bebê quis aquele brinquedo.
Isso não desaparece de nossas vidas quando crescemos, em alguma medida,
permanece.
Há muitos casos em que quando se suspeita ou percebe o interesse do/a
companheiro/a em outra pessoa, o sujeito passe a ter quase uma obsessão por
essa pessoa.
Como ela é? O que veste, pensa, sente?
Quem até então era um estranho ocupa um grande espaço no pensamento alheio.
De certa forma, temos essa curiosidade em desvendar o desejo do outro, em
compreender o porquê dele ter querido aquela pessoa.
E acreditamos que nos aproximando desse "objeto" do seu interesse
saberemos mais sobre o porquê de ter sido querido.
O que isso ignora é que o desejo não está no brinquedo ou na pessoa em si, está
no vínculo que cada um constrói de sentidos.
Essa construção é absolutamente autoral e singular, de maneira que aquilo que
pode parecer incrivelmente interessante e bonito para alguém, pode ser insosso
para outro.
Em verdade, o desafio é a gente compreender que o desejo alheio não precisa
fazer sentido pra nós, às vezes nem pra ele mesmo há nitidez quanto a isso.
Para além de querer pegar, se apropriar ou destruir o que desperta desejo no
outro, talvez possamos ter a confiança de identificar por nós mesmos o que nos
desperta interesse e encanto, sem nos sentirmos tão ameaçados por relações que
não nos dizem respeito.
Há muitas situações, inclusive, em que em vez de olhar de fora com inveja,
talvez o que a gente precise é de um convite para participar da brincadeira, ou
de paciência para compreender que nem sempre isso será possível.
Geni Nuñez -
@genipapos no Instagram
Assista a live “Descatequizar para descolonizar”, com Geni Nuñez em meu canal
no Youtube (Angela Natel) -
https://www.youtube.com/watch?v=mhtXVH-kO3I&t=2113s

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