terça-feira, 15 de agosto de 2023

Outras perspectivas sobre o querer desvendar o desejo do outro.

 


É comum que quando uma criança vê outra brincando com um brinquedo, rapidamente passe a querê-lo também, mesmo que até então aquele objeto não tivesse despertado nela nenhum interesse.
É como se só passasse a ter graça quando o outro bebê quis aquele brinquedo.
Isso não desaparece de nossas vidas quando crescemos, em alguma medida, permanece.
Há muitos casos em que quando se suspeita ou percebe o interesse do/a companheiro/a em outra pessoa, o sujeito passe a ter quase uma obsessão por essa pessoa.
Como ela é? O que veste, pensa, sente?
Quem até então era um estranho ocupa um grande espaço no pensamento alheio.
De certa forma, temos essa curiosidade em desvendar o desejo do outro, em compreender o porquê dele ter querido aquela pessoa.
E acreditamos que nos aproximando desse "objeto" do seu interesse saberemos mais sobre o porquê de ter sido querido.
O que isso ignora é que o desejo não está no brinquedo ou na pessoa em si, está no vínculo que cada um constrói de sentidos.
Essa construção é absolutamente autoral e singular, de maneira que aquilo que pode parecer incrivelmente interessante e bonito para alguém, pode ser insosso para outro.
Em verdade, o desafio é a gente compreender que o desejo alheio não precisa fazer sentido pra nós, às vezes nem pra ele mesmo há nitidez quanto a isso.
Para além de querer pegar, se apropriar ou destruir o que desperta desejo no outro, talvez possamos ter a confiança de identificar por nós mesmos o que nos desperta interesse e encanto, sem nos sentirmos tão ameaçados por relações que não nos dizem respeito.
Há muitas situações, inclusive, em que em vez de olhar de fora com inveja, talvez o que a gente precise é de um convite para participar da brincadeira, ou de paciência para compreender que nem sempre isso será possível.

Geni Nuñez - @genipapos no Instagram
Assista a live “Descatequizar para descolonizar”, com Geni Nuñez em meu canal no Youtube (Angela Natel) -
https://www.youtube.com/watch?v=mhtXVH-kO3I&t=2113s 


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Outras perspectivas sobre o querer desvendar o desejo do outro.

 


É comum que quando uma criança vê outra brincando com um brinquedo, rapidamente passe a querê-lo também, mesmo que até então aquele objeto não tivesse despertado nela nenhum interesse.
É como se só passasse a ter graça quando o outro bebê quis aquele brinquedo.
Isso não desaparece de nossas vidas quando crescemos, em alguma medida, permanece.
Há muitos casos em que quando se suspeita ou percebe o interesse do/a companheiro/a em outra pessoa, o sujeito passe a ter quase uma obsessão por essa pessoa.
Como ela é? O que veste, pensa, sente?
Quem até então era um estranho ocupa um grande espaço no pensamento alheio.
De certa forma, temos essa curiosidade em desvendar o desejo do outro, em compreender o porquê dele ter querido aquela pessoa.
E acreditamos que nos aproximando desse "objeto" do seu interesse saberemos mais sobre o porquê de ter sido querido.
O que isso ignora é que o desejo não está no brinquedo ou na pessoa em si, está no vínculo que cada um constrói de sentidos.
Essa construção é absolutamente autoral e singular, de maneira que aquilo que pode parecer incrivelmente interessante e bonito para alguém, pode ser insosso para outro.
Em verdade, o desafio é a gente compreender que o desejo alheio não precisa fazer sentido pra nós, às vezes nem pra ele mesmo há nitidez quanto a isso.
Para além de querer pegar, se apropriar ou destruir o que desperta desejo no outro, talvez possamos ter a confiança de identificar por nós mesmos o que nos desperta interesse e encanto, sem nos sentirmos tão ameaçados por relações que não nos dizem respeito.
Há muitas situações, inclusive, em que em vez de olhar de fora com inveja, talvez o que a gente precise é de um convite para participar da brincadeira, ou de paciência para compreender que nem sempre isso será possível.

Geni Nuñez - @genipapos no Instagram
Assista a live “Descatequizar para descolonizar”, com Geni Nuñez em meu canal no Youtube (Angela Natel) -
https://www.youtube.com/watch?v=mhtXVH-kO3I&t=2113s