Deixa um espacinho para o
meu vazio
Não tente curar todas as minhas dores
Nem trazer soluções para todos os meus problemas
Não me arranque mais palavras do que consigo
dizer
Você quer saber os porquês de tudo, quer colocar
em ordem os pensamentos, desejos e ações como se a relação fosse uma grande
prateleira
Quer tudo no devido e cobrado lugar
Quer preencher todos os dias com planos, metas e
objetivos
E por isso te incomodam os espaços vazios
"(...) fazia do amor um cálculo matemático
errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando
as incompreensões, é que se ama" Clarice Lispector.
É dessas incompreensões que preciso
É nessa pausa que reside a rima da vida
No intervalo entre a luz do vaga-lume e sua
escuridão,
Na pausa entre uma nota musical e outra, no
espaço entre som e o silêncio
Deixa um espacinho
Não te peço por capricho, por frieza ou falta de
amor
"Desejo uma fotografia
como esta — o senhor vê? — como esta:
(...) Não meta fundos de floresta
nem de arbitrária fantasia...
Não... Neste espaço que ainda resta,
ponha uma cadeira vazia" Cecília Meireles.
Nesse pedacinho de vazio, "sinto que sou
muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um
dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente
e não entender. É uma benção estranha (...). Só que de vez em quando vem a
inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que
não entendo". Clarice Lispector.
Referências por ordem de citação:
Clarice Lispector. A descoberta do mundo. Rio de
Janeiro: Rocco, 1999.
Trecho da crônica Perdoando Deus.
Cecília Meireles, 1942, Vaga Música.
Clarice Lispector. A descoberta do mundo. Rio de
Janeiro: Rocco, 1999. Trecho da crônica Não entender.
Geni Nuñez - @genipapos no Instagram
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