terça-feira, 7 de junho de 2011

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Cleopatra

Egypt’s ruler was more than the sum of the seductions that loom so large in history—and in Hollywood. By Stacy Schiff

Cleopatra VII ruled Egypt for 21 years a generation before the birth of Christ. She lost her kingdom once; regained it; nearly lost it again; amassed an empire; lost it all. A goddess as a child, a queen at 18, at the height of her power she controlled virtually the entire eastern Mediterranean coast, the last great kingdom of any Egyptian ruler. For a fleeting moment she held the fate of the Western world in her hands. She had a child with a married man, three more with another. She died at 39. Catastrophe reliably cements a reputation, and Cleopatra’s end was sudden and sensational. In one of the busiest afterlives in history, she has become an asteroid, a video game, a cigarette, a slot machine, a strip club, a synonym for Elizabeth Taylor. Shakespeare attested to Cleopatra’s infinite variety. He had no idea.

If the name is indelible, the image is blurry. She may be one of the most recognizable figures in history, but we have little idea what Cleopatra actually looked like. Only her coin portraits—issued in her lifetime, and which she likely approved—can be accepted as authentic. We remember her, too, for the wrong reasons. A capable, clear-eyed sovereign, she knew how to build a fleet, suppress an insurrection, control a currency. One of Mark Antony’s most trusted generals vouched for her political acumen. Even at a time when female rulers were no rarity, Cleopatra stood out, the sole woman of her world to rule alone.
Read more: http://www.smithsonianmag.com/hi

sábado, 4 de junho de 2011

Dor

A dor me alerta
de algo quebrado
ou fora do lugar.
É um sistema criado
para minha proteção.

Sem dor não percebo
a falta do membro perdido
ou a invasão de uma agulha
longe do meu campo de visão.

Quando sinto alguma dor
imediatamente reajo
me cubro, viro, me protejo,
sou constantemente alertado.

Por isso preciso da dor
prá do perigo ser avisado,
buscar ajuda a tempo
e receber o devido cuidado.

Dor revela doença,
problema, invasão, falta
ou iminente morte.
Por isso preciso sentir
a dor que me faz mais forte.

Dor no corpo ou na alma
não há muita diferença.
O real propósito da dor
é evitar que a destruição vença.

Mas também preciso saber
que a dor do outro é diferente
nem maior ou menor do que a minha
e assim me compadecer
daquele que é gente como a gente.

A.N. - 03/06/2011.
Mas também preciso saber

Saí na Foto dos leitores | Um Sábado Qualquer

Olha eu lá!!!!!
Foto dos leitores | Um Sábado Qualquer

quarta-feira, 1 de junho de 2011

A língua politicamente correta

REVISORES SÃO seres invisíveis que se valem de jornais e editoras para corrigir os deslizes dos escritores. Porque os escritores, frequentemente, desrespeitam as leis fundamentais da gramática. Eu mesmo, por muito tempo, tive como revisor voluntário dos meus textos um erudito da língua que me enviava periodicamente, por puro amor à língua, relatórios detalhados dos meus erros.

Desse revisor voluntário tenho apenas uma queixa: ele nunca disse uma só palavra sobre a substância mesma dos meus artigos. Não lhe importavam as coisas que eu escrevia. Importava-lhe se eu as escrevia com as palavras certas.

Para me consolar, eu repetia as palavras de Patativa do Assaré: “Mais vale escrever a coisa certa com as palavras erradas que escrever a coisa errada com as palavras certas…” Até lhe dediquei uma pequena parábola. Eu, convidando meus amigos para tomar uma sopa que eu mesmo faço. Eles vêm, tomam a sopa e gostam. Mas um intruso, não convidado, toma a minha sopa, nada diz sobre a sopa, mas reclama que a tigela estava lascada…

Tenho tido experiências com revisores atentos, sensíveis, competentes, que não só corrigem meus erros como também me fazem sugestões de como melhorar o meu estilo. Mas tenho tido também experiências desastrosas. E isso porque os revisores têm um poder terrível. Basta que mudem uma simples palavra…

Saramago escreveu um livro sobre um revisor que, cansado de sua função de apenas revisor, resolveu interferir no texto. No lugar onde o autor havia escrito um “sim”, ele resolveu deletar o “sim” e substitui-lo por um “não”. O resultado foi que a história do cerco de Lisboa teve de ser completamente reescrita.

Houve um livro que escrevi, todo ele baseado na distinção entre “história” e “estória”, distinção que os gramáticos, donos da língua, desconhecem, por saber muito sobre letras e sílabas e pouco sobre sentidos. Resolveram, por conta própria, eliminar do dicionário a grafia “estória”. Tudo agora é “história”. Mas Guimarães Rosa sabe que isso está errado e até escreveu: “A estória não quer se tornar história”.

São duas coisas diferentes. História é o tempo onde as coisas acontecidas não acontecem mais. Estória é o tempo onde coisas não acontecidas acontecem sempre.

Pois o revisor do meu livro, mais atento às ordens do dicionário, livro onde se encontram as palavras e sentidos certos, eliminou as “estórias” que eu havia escrito, substituindo-as por “histórias”. Ficou totalmente sem sentido. O revisor disse que abacaxis e pitangas eram a mesma coisa.

Esse mesmo revisor achou por bem corrigir minha tradução de um verso de Eliot. “The inner freedom from the practical desire…”. Minha tradução: “A liberdade interior do desejo prático…” Coisa de velhice: estamos livres da compulsão de fazer coisas práticas. Podemos nos entregar à vagabundagem.

Pois o dito revisor, certamente movido por sua ideologia de esquerda, não podia imaginar que essa liberdade da compulsão do fazer fosse coisa decente. Alterou, então, a minha tradução para “a liberdade interior para o desejo prático…”

Na versão do revisor, todo mundo ficou condenado à compulsão do fazer. Culpa minha. Acreditei no revisor. Não conferi. Resultado: o livro ficou um “non-sense”. Seu destino, o lixo. Mas as palavras estavam de acordo com o dicionário.

Outro revisor ficou horrorizado com a fala de um ignorante chamado Riobaldo. Era português errado, horrível. Tratou de corrigi-la, e o Riobaldo ficou falando como se fosse uma professora de português. Ainda bem que, nesse caso, não confiei no revisor e não perdi o livro.


http://www.pavablog.com/2011/06/01/a-lingua-politicamente-correta/?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+pavablog+%28PavaBlog%29


Fato:

Toda pessoa quer ser rei
todo rei quer ser Deus
e Deus quis ser homem...

Cleopatra

Egypt’s ruler was more than the sum of the seductions that loom so large in history—and in Hollywood. By Stacy Schiff

Cleopatra VII ruled Egypt for 21 years a generation before the birth of Christ. She lost her kingdom once; regained it; nearly lost it again; amassed an empire; lost it all. A goddess as a child, a queen at 18, at the height of her power she controlled virtually the entire eastern Mediterranean coast, the last great kingdom of any Egyptian ruler. For a fleeting moment she held the fate of the Western world in her hands. She had a child with a married man, three more with another. She died at 39. Catastrophe reliably cements a reputation, and Cleopatra’s end was sudden and sensational. In one of the busiest afterlives in history, she has become an asteroid, a video game, a cigarette, a slot machine, a strip club, a synonym for Elizabeth Taylor. Shakespeare attested to Cleopatra’s infinite variety. He had no idea.

If the name is indelible, the image is blurry. She may be one of the most recognizable figures in history, but we have little idea what Cleopatra actually looked like. Only her coin portraits—issued in her lifetime, and which she likely approved—can be accepted as authentic. We remember her, too, for the wrong reasons. A capable, clear-eyed sovereign, she knew how to build a fleet, suppress an insurrection, control a currency. One of Mark Antony’s most trusted generals vouched for her political acumen. Even at a time when female rulers were no rarity, Cleopatra stood out, the sole woman of her world to rule alone.
Read more: http://www.smithsonianmag.com/hi

Dor

A dor me alerta
de algo quebrado
ou fora do lugar.
É um sistema criado
para minha proteção.

Sem dor não percebo
a falta do membro perdido
ou a invasão de uma agulha
longe do meu campo de visão.

Quando sinto alguma dor
imediatamente reajo
me cubro, viro, me protejo,
sou constantemente alertado.

Por isso preciso da dor
prá do perigo ser avisado,
buscar ajuda a tempo
e receber o devido cuidado.

Dor revela doença,
problema, invasão, falta
ou iminente morte.
Por isso preciso sentir
a dor que me faz mais forte.

Dor no corpo ou na alma
não há muita diferença.
O real propósito da dor
é evitar que a destruição vença.

Mas também preciso saber
que a dor do outro é diferente
nem maior ou menor do que a minha
e assim me compadecer
daquele que é gente como a gente.

A.N. - 03/06/2011.
Mas também preciso saber

Saí na Foto dos leitores | Um Sábado Qualquer

Olha eu lá!!!!!
Foto dos leitores | Um Sábado Qualquer

A língua politicamente correta

REVISORES SÃO seres invisíveis que se valem de jornais e editoras para corrigir os deslizes dos escritores. Porque os escritores, frequentemente, desrespeitam as leis fundamentais da gramática. Eu mesmo, por muito tempo, tive como revisor voluntário dos meus textos um erudito da língua que me enviava periodicamente, por puro amor à língua, relatórios detalhados dos meus erros.

Desse revisor voluntário tenho apenas uma queixa: ele nunca disse uma só palavra sobre a substância mesma dos meus artigos. Não lhe importavam as coisas que eu escrevia. Importava-lhe se eu as escrevia com as palavras certas.

Para me consolar, eu repetia as palavras de Patativa do Assaré: “Mais vale escrever a coisa certa com as palavras erradas que escrever a coisa errada com as palavras certas…” Até lhe dediquei uma pequena parábola. Eu, convidando meus amigos para tomar uma sopa que eu mesmo faço. Eles vêm, tomam a sopa e gostam. Mas um intruso, não convidado, toma a minha sopa, nada diz sobre a sopa, mas reclama que a tigela estava lascada…

Tenho tido experiências com revisores atentos, sensíveis, competentes, que não só corrigem meus erros como também me fazem sugestões de como melhorar o meu estilo. Mas tenho tido também experiências desastrosas. E isso porque os revisores têm um poder terrível. Basta que mudem uma simples palavra…

Saramago escreveu um livro sobre um revisor que, cansado de sua função de apenas revisor, resolveu interferir no texto. No lugar onde o autor havia escrito um “sim”, ele resolveu deletar o “sim” e substitui-lo por um “não”. O resultado foi que a história do cerco de Lisboa teve de ser completamente reescrita.

Houve um livro que escrevi, todo ele baseado na distinção entre “história” e “estória”, distinção que os gramáticos, donos da língua, desconhecem, por saber muito sobre letras e sílabas e pouco sobre sentidos. Resolveram, por conta própria, eliminar do dicionário a grafia “estória”. Tudo agora é “história”. Mas Guimarães Rosa sabe que isso está errado e até escreveu: “A estória não quer se tornar história”.

São duas coisas diferentes. História é o tempo onde as coisas acontecidas não acontecem mais. Estória é o tempo onde coisas não acontecidas acontecem sempre.

Pois o revisor do meu livro, mais atento às ordens do dicionário, livro onde se encontram as palavras e sentidos certos, eliminou as “estórias” que eu havia escrito, substituindo-as por “histórias”. Ficou totalmente sem sentido. O revisor disse que abacaxis e pitangas eram a mesma coisa.

Esse mesmo revisor achou por bem corrigir minha tradução de um verso de Eliot. “The inner freedom from the practical desire…”. Minha tradução: “A liberdade interior do desejo prático…” Coisa de velhice: estamos livres da compulsão de fazer coisas práticas. Podemos nos entregar à vagabundagem.

Pois o dito revisor, certamente movido por sua ideologia de esquerda, não podia imaginar que essa liberdade da compulsão do fazer fosse coisa decente. Alterou, então, a minha tradução para “a liberdade interior para o desejo prático…”

Na versão do revisor, todo mundo ficou condenado à compulsão do fazer. Culpa minha. Acreditei no revisor. Não conferi. Resultado: o livro ficou um “non-sense”. Seu destino, o lixo. Mas as palavras estavam de acordo com o dicionário.

Outro revisor ficou horrorizado com a fala de um ignorante chamado Riobaldo. Era português errado, horrível. Tratou de corrigi-la, e o Riobaldo ficou falando como se fosse uma professora de português. Ainda bem que, nesse caso, não confiei no revisor e não perdi o livro.


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